Relacionamentos na Coreia do Sul eram tradicionalmente formados baseando-se em dois fatores importantes: de onde a pessoa veio e qual escola frequentou. Era tão importante que poderia até mudar a carreira e status social.

Tais relacionamentos eram mantidos através de algumas reuniões após o trabalho e aos finais de semana com sessões de bebidas, karaokê e caminhadas.

Os encontros para beber eram frequentes, especialmente entre Dezembro e Janeiro. Muito da tradição ainda persiste, mas está lentamente mudando devido à nova geração, que prefere passar mais tempo sozinha.

(imagem: Yonhap)
(imagem: Yonhap)

Jang, de Seul, está entre os que se recusam a ir às reuniões. Seus finais e início de ano eram cheios de jantares com seus amigos de ensino fundamental, médio, faculdade e velhos conhecidos. Mas este ano, ela não foi a nenhum jantar para ficar em casa sozinha.

Apenas os vejo uma ou duas vezes por ano. Francamente, não tenho uma maior conexão pessoal com eles”, diz Jang, não revelando o seu nome completo. “Mas, eu ia por obrigação e porquê os demais também o estavam fazendo”.

Durante a sua última reunião, ela recebeu muitos convites de casamento. “Significava que eu seria obrigada a ir, mesmo não sendo próxima a eles e ainda gastaria muito dinheiro (com os presentes). Este ano, eu queria gastar este tempo comigo mesma e focar na minha vida”.

Uma pesquisa realizada em Seul com foco em consumidores nos seus 20 anos, aponta a ascensão de pessoas como Jang e os chamam de “gwantaegi”, uma nova palavra coreana que significa “fadiga do relacionamento ou socialização”. A palavra se refere a quem não se sente confortável em socializar muito.

De acordo com a pesquisa de 2016, um a cada quatro dos estudados na faixa etária dos 20 anos sofria de fadiga do relacionamento. Eles viam o esforço de construir novos relacionamentos como algo inútil.

Entre aqueles com a fadiga, a pesquisa mostrou que mais da metade não considera o fato de criar laços com os amigos/colegas uma motivação suficiente para frequentar as reuniões. Disseram preferir encontros com algum objetivo, algo com algum impacto ou diferença.

A pesquisa também aponta que a vida solitária continua no seu dia a dia. Sete de 10 escolhem fazer suas atividades sozinhos.

Perguntado sobre a razão de ficarem sozinhos, muitos responderam estar mais à vontade e satisfeitos assim, pois não querem lidar com o estresse das relações humanas.

O resultado é significativo, dado que a sociedade sul coreana tradicionalmente apreciava o coletivismo, e do estigma associado às pessoas que passavam tempo sozinhas. Isso mostra a clara ruptura de uma tradição.

(imagem: Naver)
(imagem: Naver)

A fadiga do relacionamento também está alinhada à crescente tendência social de viver sozinho, e é demonstrada pelo aumento nas vendas de apartamentos estúdio, refeições de uma porção e mesas para uma pessoa em restaurantes.

Prof. Chang Se-hoon do Departamento de Sociologia da Universidade Dong-A disse que uma das causas da crescente fadiga do relacionamento e a tendência da vida solitária na Coreia foi o ambiente social hierárquico.

Em relacionamentos na Coreia, a hierarquia é muito importante” disse Chang. “A geração mais nova se sente pressionada nessas circunstâncias. Algumas pessoas o fazem para obter vantagens futuras na carreira, mas há poucas pessoas que se aproveitam disso, não são pessoas comuns”.

Também é importante ressaltar: “O coletivismo da Coreia é muito exigente. Os coreanos já têm vidas diárias difíceis de lidar e enfrentar as demandas sociais é simplesmente sufocante“, disse Chang.


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