Na Coreia, os jovens estão adiando ou desistindo do casamento, cada vez mais.

O país está passando por mudanças demográficas rápidas e as estatísticas continuam a produzir novos registros de tempos em tempos. Dentre eles está a idade em que as pessoas estão se casando na atualidade.

Os números mais recentes mostram que em 2015, o número total de casamentos no país foi 302.800, o mais baixo desde 2003. A relação do numero de casamentos para cada 1.000 pessoas caiu para 5.1, pela primeira vez abaixo de 6.

E a quebra de recordes continua: a idade média dos homens coreanos, que se casaram pela primeira vez atingiu o recorde de 32,6 anos. A média das mulheres também atingiu pela primeira vez a marca de 30 anos.

As autoridades do governo culpam, por essa queda na idade para se casar, a prolongada crise econômica e a mudança na mentalidade das pessoas.

Na medida em que a Coreia fracassa em lidar coletivamente com esses problemas, a taxa de natalidade do país permanece no nível mais baixo do mundo, achatando a sua vitalidade econômica e acelerando o ritmo de envelhecimento.

O maior problema é que o ritmo das mudanças irá acelerar nos próximos anos. Os Índices Sociais divulgados pelo governo mostraram que apenas 56.8 % dos coreanos veem o casamento como uma “necessidade” em sua vida, comparado com 68% em 2008. Esta é também a primeira vez que esta taxa caiu abaixo da marca de 60%.

Existe uma combinação de razões do porque os coreanos em seus 20/30 anos adiam ou desistem de se casar. A taxa de desemprego que tem atingido os jovens com mais força, e as despesas com o casamento, moradia e educação que são inacessíveis para muitos, são apontadas como as causas principais.

O problema necessitaria de um esforço conjunto do governo, da sociedade e das empresas privadas. Infelizmente, nenhum destas instituições está fazendo seu trabalho corretamente. Em vez disso, alguns ainda estão presos em práticas do passado, como o caso da Kumbokjo, uma empresa destiladora de soju localizada em Daegu que pressionou uma mulher para demitir-se, porque ela estava se casando.

Haverá com certeza mais empregadores que ousarão não ter escrúpulos com relação à discriminação contra mulheres casadas no trabalho. O caso levanta a urgência de uma ação do governo no sentido de fiscalizar os locais de trabalho, para que isso seja evitado.

Desafios demográficos como este necessitam ações rápidas. Faz-se necessário elaborar um pacote abrangente de planos a curto, médio e longo prazo. Acabar com a discriminação contra as mulheres casadas no trabalho deve ser um dos primeiros passos. Mas isso exige uma mudança de cultura que está sendo dificil implementar na sociedade coreana.

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