Um sentimento de anti-feminismo está crescendo entre os homens sul-coreanos, particularmente online, onde um número crescente de postagens expressando desaprovação em relação ao movimento e direcionando feministas estão sendo compartilhadas.

Relatos de que Irene teria lido o romance provocaram uma série de reações inesperadamente hostis, incluindo comentários de homens que ameaçavam desistir de apoiar a banda e expressando o desejo de não ver a cantora na TV novamente. (Imagem: Yonhap)
Relatos de que Irene teria lido o romance provocaram uma série de reações inesperadamente hostis, incluindo comentários de homens que ameaçavam desistir de apoiar a banda e expressando o desejo de não ver a cantora na TV novamente. (Imagem: Yonhap)

Recentemente, um furioso fã de K-pop compartilhou sua frustração na internet depois que sua ídolo favorita, Irene, integrante da banda Red Velvet, disse que leu “Kim Ji Young, Nascida em 1982“, um romance popular que gira em torno do tratamento das mulheres na Coreia do Sul.

Você acha que seus fãs homens são idiotas quando gastamos muito dinheiro com você“, escreveu o fã em um post online.

O livro, que já vendeu mais de 100.000 cópias desde o seu lançamento em 2016, tem sido saudado como o “guia do feminismo” por muitas mulheres, num país que ainda experimenta uma discriminação sexual profundamente enraizada na sociedade.

Mas relatos de que Irene leu o romance provocaram uma série de reações inesperadamente hostis, incluindo comentários de homens que ameaçavam desistir de apoiar o grupo, e expressaram seu desejo de não ver a cantora na TV novamente.

Son Na-eun, integrante do popular grupo de K-pop Apink, também foi alvo de críticas semelhantes de alguns fãs depois de ser vista usando uma capa de celular que dizia “Girls can do anything” em letras maiúsculas.

Son Na-eun, cantora de K-pop da banda Apink, também foi alvo de criticismo semelhante de fãs após ser vista com uma capa de celular com a frase ‘Girls can do anything’ em letras maiúsculas. (Imagem: Instagram)
Son Na-eun, cantora de K-pop da banda Apink, também foi alvo de críticas semelhantes de fãs após ser vista com uma capa de celular com a frase ‘Girls can do anything’ em letras maiúsculas. (Imagem: Instagram)

Especialistas dizem que o comportamento de retaliação contra ídolos mulheres que defendem ou estão associadas ao feminismo é causado pelas atitudes ambivalentes em relação às mulheres que alguns homens têm.

As pessoas que deixam comentários maliciosos provavelmente têm uma visão dicotômica das mulheres. Eles dividem as mulheres em dois grupos, aquelas que consideram ideais, que são gentis e submissas, e outras que são desafiadoras e que veem como uma ameaça. As feministas geralmente se enquadram no segundo ”, diz o pesquisador Ahn Sang-soo, do Instituto de Desenvolvimento de Mulheres da Coreia.

Eles imaginam suas ídolos favoritas como seu tipo ideal de mulher. Quando o objeto de suas fantasias mostra comportamentos que vão contra a imaginação, como a leitura de um livro associado ao feminismo, isso provoca uma forte reação ”, acrescentou Ahn.

Somando-se à animosidade está a natureza anônima da internet, atrás da qual as pessoas podem se esconder e expressar níveis extremos de raiva e aversão.

Um vídeo com legendas de uma entrevista com Jordan Peterson, um famoso crítico do feminismo no Ocidente, atraiu mais de 300.000 visualizações até agora.

Similar à seção de comentários do vídeo original, que foi apresentada no canal do YouTube do Channel 4, muitos comentários recorreram a xingamentos, deslegitimando o movimento feminista como um todo.

O sentimento anti-feminismo não é exclusivamente online. A Associação Anti-Feminismo, um grupo polêmico com aproximadamente 2.800 membros online, foi à Prefeitura em Seul em dezembro passado, pedindo que o Ministério da Igualdade de Gênero e Família fosse desmantelado.

As feministas estão ensinando as mulheres a odiar os homens e a alimentar uma versão distorcida do feminismo“, disse o grupo durante o protesto.

Membros do grupo causaram polêmica no passado por protestar em público com piquetes que comparavam o feminismo ao nazismo.

A ascensão do anti-feminismo vem no auge do movimento #MeToo, que está varrendo todo o país.

O crescimento do anti-feminismo ocorre on auge do movimento #MeToo, que tem atingindo todo o país. (Imagem: Yonhap)
O crescimento do anti-feminismo ocorre on auge do movimento #MeToo, que tem atingindo todo o país. (Imagem: Yonhap)

No início deste mês, o Presidente Moon Jae-in reiterou seu apoio ao Movimento #MeToo.

O movimento está levando a Coreia para uma sociedade na qual a igualdade sexual e os direitos das mulheres são concretizados e a dignidade de todas as pessoas é respeitada. Estamos agora refletindo o quão profundamente a estrutura da discriminação sexual está enraizada em nossa sociedade e estamos enfrentando a realidade de que isso é por natureza sobre a discriminação de rotina e a opressão contra pessoas vulneráveis“, disse Moon.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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