Prateleiras de cartões-presente de audiobooks na livraria Arc.N.Book, em Seul. Fonte: Kim Hae-yeon/ The Korea Herald.

Na Coreia do Sul, a luta prolongada contra o surto de COVID-19 está mudando os padrões de vida, incluindo a forma como as pessoas leem e consomem livros. Bibliotecas públicas fecharam, ficando apenas com algumas ofertas de serviços entrega ou utilizando as “e-bookshelf” online, como uma saída alternativa para durante e após a crise.

Os esforços para criar novas experiências de leitura parecem ter obtido sucesso até agora. De acordo com o Ministério da Cultura, Esporte e Turismo, em 2019 o índice de leitores de e-books atingiu 16,5% para adultos e 37,2% para estudantes. Eles apresentaram, respectivamente, um aumento de 2,4% e 7,4%, em comparação com 2017. Aqueles na faixa dos 20 e 30 anos mostraram a maior taxa de aumento na mudança dos livros de papel para os e-books.

Por outro lado, a média anual de leitura de livros em papel para adultos caiu de oito livros em 2017 para seis livros em 2019, enquanto os adolescentes lêem uma média de 32 livros por ano. Acredita-se que a razão disso é que há uma enxurrada de conteúdos midiáticos, junto do fato de haver uma grande variedade de dispositivos digitais, que fazem os leitores escolherem materiais online mais visualmente atraentes ao invés de edições impressas.

Starfield Library, maior biblioteca aberta da Ásia, localizada em Gangnam. Fonte: Park Hyun-koo/The Korea Herald.

Dados domésticos coletados pela empresa de conteúdo de áudio Audien mostraram que, em 2018, a quantidade de membros pagos na indústria de audiolivros ultrapassou 350.000. Junto com os e-books, os audiolivros são fáceis de transportar e causam menos ou até nenhum cansaço visual mesmo tendo a mesma quantidade de informações que os impressos.

“Nossa estratégia não é pensar nos audiolivros como um meio separado, mas trabalhar junto com os livros de papel e seus ávidos leitores”, disse Yoo Jae-sun, diretor de marketing da Welaaa. “Há casos em que os livros de papel recuperam popularidade, após lançamento como uma série de audiolivros. Nossa empresa experimentou o mesmo caso em vendas do livro de MJ DeMarco, ‘Unscripted’.”

Yoo afirma que, já que os leitores de livros também carregam o valor de comprar livros como presentes para seus entes queridos, a empresa recentemente formou uma parceria com uma livraria física para exibir cartões-presente de audiolivros nas prateleiras superiores da loja, a fim de testar se eles também poderiam atender às necessidades dos consumidores.

Para acompanhar a demanda por opções mais amplas de livros legíveis e de áudio, as livrarias que estão à frente dessa área estão juntando forças não apenas com editoras de livros impressos tradicionais, mas também com empresas de mídia emergentes que estão interessadas em conteúdos literários, preparando o caminho para modelos de negócios futuros.

Foto de Lee Jong-woon, proprietário da Tongmunkwan, livraria mais antiga da Coreia do Sul. Fonte: The Korea Herald.

Ko Young-eun, 32, que trabalha em Seul, disse que ouve duas horas de audiolivros diariamente. “Eu designei lugares e horários para curtir os audiolivros – o metrô e a academia. Sou um grande fã de contos e romances desde que era jovem, e o maior mérito desta forma de consumir livros é que posso realizar várias tarefas ao mesmo tempo que consumo o conteúdo”, afirma. Atrair leitores para novos dispositivos pode significar um grande negócio na era digital, mas o conteúdo original continua sendo o fator mais significativo para influenciar o mercado.


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