Um estudo recente mostrou que empregados permanentes com altos salários tem maiores chances de casar na sociedade coreana, indicando que o mercado de trabalho instável do país com altas taxas de empregos temporários – 22,4 por cento em 2013 – contribui para o baixo índice de casamentos e redução da taxa de natalidade.

De acordo com o relatório intitulado Nascimentos e Empregos para Jovens do Instituto de Trabalho e Sociedade da Coreia (KLSI), a taxa de casamento para homens entre 20 e 30 anos de idade com faixa salarial situada nos 10 por cento inferiores, foi de cerca de 6,9% até março de 2016, enquanto que os faixas salariais 10% superiores mostravam um aumento doze vezes maior, em torno de 82,5%.

Uma tendência similar foi observada com funcionárias, apesar de menos dramáticas, com taxas de 42,1% para aquelas com salários na faixa inferior de 10% e 76,7% para aquelas cujos salários se situam na faixa superior de 10%.

Entre os homens, o índice de casamentos entre funcionários permanentes foi de 53,1%, mas apenas 28,9% por cento para aqueles em funções temporárias. O índice caiu ainda mais, para 11,6% entre os desempregados, e 4,7% para os economicamente inativos.

Esses padrões não foram observados entre as mulheres, no entanto, aquelas com posições permanentes com cerca de 37,3% e em posições temporárias com cerca de 39,8%, demonstrando que o tipo de emprego não se mostra um fator importante para mulheres no que diz respeito ao casamento.

A educação foi outro fator importante para o alto índice de casamentos. Funcionários homens entre 20 e 30 anos e com diplomas de doutorado obtiveram 100% no índice de casamento, o que diminuiu para 66,6% para os com diplomas de mestrado, 47,9% para aqueles com diplomas de graduação e 35,4% para os formados no ensino fundamental ou com menos formação escolar.

Mais uma vez, as mulheres seguiram uma tendência diferente, com o índice sendo maior para aquelas com diploma do ensino fundamental ou menor, cerca de 77,6%, seguidas daquelas com mestrado com cerca de 76,1%.

O instituto sugere que esses resultados são indicativos da forte percepção de casamento ainda existente na Coreia – “homens como ganhadores-de-pão e mulheres como donas-de-casa”.

A ideia de que homens precisam adquirir maiores níveis de status social e econômico – incluindo escolaridade, emprego estável e salário decente – é ainda muito disseminada como regra social, o que dificulta que homens se casem sem antes terem todos os pré-requisitos, de acordo com o relatório.

As políticas do governo voltadas para o baixo índice de natalidade foram focadas nos nascimentos por mulheres casadas e nos cuidados com as crianças” disse o pesquisador sênior, Yu-Seon Kim da KLSL. “Mas será difícil essas políticas serem efetivas, a não ser que empregos estáveis com salários razoáveis sejam oferecidos aos jovens, para que possam ter a chance de casar e formar famílias.


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