Kim Ha-jin, uma profissional de 30 anos em Seul diz amar comprar chocolates após o trabalho. “Não compro caixas de chocolates, costumo comprar um ou dois pedaços em chocolaterias finas, como Godiva ou Laderach. Custa cerca de 5 mil (won). Me dou esse presente depois de longas e horas no escritório”.

Antes dos chocolates, Kim estava mais interessada em “luxuosos mas pequenos” produtos de beleza. “Eu compraria o mais barato, como um batom rosa ou creme para as mãos das lojas de alto nível”. “Eles não custam muito comparados aos outros produtos, como cremes anti-idade ou perfumes, mas ainda animam o meu dia. Acho que compro os chocolates pelos mesmo motivo”.

Embora atualmente não haja estatísticas sobre quantos jovens coreanos fazem algo semelhante ao que Kim faz depois do trabalho, seu amor por sobremesas reflete uma tendência de consumo que está se espalhando pelo país: “Sohwakhaeng”, que significa “pequena mas certa felicidade”. O termo se refere aos momentos simples, mas cheios de alegria e contentamento.

(Imagem: Godiva Korea)
(Imagem: Godiva Korea)

Exemplos incluem tomar uma taça de um bom vinho após o banho quente ou acariciar o animal de estimação antes de dormir. Agora, os doces estão se tornando parte desta tendência, que escolhe paz de espírito e as pequenas alegrias ao invés da competição incessante contra os outros.

Mas por que doces? Recentemente, a Coreia do Sul tem visto o surgimento de cafeterias ecléticas servindo sobremesas e guloseimas além de sorvete e cheesecake. Alguns cafés apresentam uma piscina, enquanto outros são temáticos, como um café que se parece uma casa de banho pública. Alguns estão localizados em casas tradicionais coreanas ou apresentam obras de arte, livros. De picolés e sorvetes decorados com flores coloridas e comestíveis, a cidade oferece indiscutivelmente muitas opções para quem tem ou não uma queda por doces.

“Acho que , o que há de tão satisfatório em frequentar estas cafeterias, é que, claro porque eles oferecem algo doce, mas também fazem com que você se sinta bem tratado”, diz Kang Joo-na de 28 anos, amante das cafeterias do distrito de garosu-gil (sul de Seul) e do distrito de Hongdae (norte de Seul).

coffee-shop

(Imagem: Instagram @Zapangi_official)
(Imagens: Instagram @Zapangi_official)

“Os cafés são tão bem decorados e oferecem algo tão moderno, uma vibração até artística, mas ainda custam significativamente menos do que os restaurantes de alto nível da cidade. Então, acredito que muitos vêm para estes lugares, mesmo que não gostem de doces, para se presentearem. É querer passar tempo em um lugar que é tão inspirador quanto visualmente encantador, longe daquele escritório cinza. Isso nos proporciona outro senso de realidade”.

Esta tendência se espalhou no mundo online. A autora Jeon Ye-ryang, com mais de 106 mil seguidores no Instagram, escreveu um livro sobre como fazer o seu próprio café em casa. Ela teve a ideia após visitar muitas cafeterias durante sua folga, enquanto trabalhava como funcionária de escritório em tempo integral.

Doce

Ela fez suas próprias bebidas criativas, misturando matcha e achocolatado congelado por exemplo, cozinhava em casa e fotografava, para então postar em sua conta do Instagram. Seus posts receberam muita atenção, incentivando-a a escrever um livro sobre sua experiência e receitas únicas.

“Acho que gosto dos posts dela porque me fazem entender que há muitas coisas divertidas que podemos fazer em cada”, diz uma seguidora de Jeon. “Não há nada de errado em ficar em casa e fazer o que nos faz feliz. Acredito que ainda exista essa ideia compartilhada de que, caso você não tenha planos para o final de semana, você deve ser desajeitado socialmente ou preguiçoso”.

Ainda assim, alguns estão preocupados com a disseminação da tendência “sohwakheang”. “Acho que isso pode ser visto como uma forma de escapismo”, disse uma moradora de Seul. “Muitos estão se concentrando em coisas que são bonitas e doces para evitar pensar nos problemas que têm. É bom sentir pequenas alegrias, mas a longo prazo, apenas se concentrar em “sohwakhaeng” pode não resolver os problemas estruturais existentes, como a falta de moradia adequada e a segurança no trabalho entre os jovens”.


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