O status social dos pais tende a influenciar as perspectivas de jovens a procura de emprego, de acordo com diversos estudos. Isso pode ter um significado ainda maior na Coreia do Sul, onde alguns pais com influencia politica e econômica pedem diretamente às companhias que contratem seus filhos.

E foi exatamente o que se acredita que o Representante da Aliança da Nova Politica pela Democracia, Yoon Hu-Duk, tenha feito por sua filha, uma advogada contratada pela LG Display em 2013 sob circunstancias questionáveis. Sua filha, recém-formada em uma escola de Direito, enviou seu currículo para a firma quando esta estava a procura de advogados com pelo menos quatro anos de experiência na área de comercio equitativo.

Yoon supostamente teria contatado o CEO da companhia, Han Sang-Beom, e informado que sua filha havia se candidatado para a posição. Logo depois, a companhia alterou seus planos e decidiu contratar dois advogados, incluindo a flha de Yoon.

Após a polêmtica atingir os jornais e a TV, o deputado admitiu que as alegações contra ele eram verdadeiras e fez um pedido de público de desculpas. Ainda assim, a Associação dos Advogados de Seul não achou que seu pedido de desculpas tenha sido suficiente e pediu que a Assembleia Nacional organize um comitê ético para punir Yoon imediatamente.

Alguns deputados do Partido Saenuri, atualmente no poder, também se juntaram ao coro. O deputado Lee No-Keun disse que um comitê ético deveria ser formado o quanto antes. “Todos têm alguém que querem ajudar. Como figura publica, no entanto, ele não deveria ter feito isso”, ele disse. ”Esse problema dever ser levado a sério”.

Tal má prática ao empregar-se alguém não é nada raro na Coreia. No início deste ano, durante a investigação de corrupção sobre o ex-secretário presidencial sênior da educação Park Bum-Hoo, os investigadores descobriram que ele supostamente pressionou as Universidades de Chung-Ang e Yong In para contratar suas duas filhas como professoras.

Isso é um assunto delicado para a maioria dos jovens à procura de emprego que sofrem com o difícil mercado de trabalho. De acordo com Statistics Korea, a taxa de desemprego entre jovens adultos é a maior em 15 anos. Entre aqueles desempregados, quase metade possui empregos precários e de baixo salários.

Apesar de tal corrupção no processo de recrutamento ser eticamente errado, a Coreia não possui leis que proíbam isso. Muitos críticos suspeitam que seja do interesse das companhias contratar filhos de políticos poderosos, a fim de criar laços com os mesmos.

Mas a verdade é que independente de serem pessoas conhecidas ou não, a maioria das companhias ainda requisitam que candidatos a cargos ofereçam informações familiares, incluindo a profissão e renda dos pais.

Já se passou mais de uma década desde que a Comissão Nacional dos Direitos Humanos aconselhou companhias a não requisitarem aos candidatos informações não relacionadas ao desempenho profissional. Contudo, a verdade, é que pouco mudou.

O pedido de tais informações para empregos é considerado ilegal e pode resultar em ação judicial em muitos países desenvolvidos, incluindo Estados Unidos e Canadá.

Neste caso, Brasil e Coreia do Sul se assemelham no que remete a influência familiar e contatos no destino profissional de cada pessoa, apesar de suas diferenças culturais. As bases familiares asiáticas são historicamente mais profundas do que as bases ocidentais de modo geral, logo, isso influencia no trato de questões desse tipo.

A principal diferença entre os dois no tratamento de tais práticas, no entando, é a existência de leis no Brasil, o que não ocorre na Coreia. Contudo, mesmo com a existência destas leis, na prática, elas são constantemente ignoradas.

No Brasil, a legislação que proíbe tais ações, chamadas de nepotismo, afetam principalmente o setor público. É proibido por lei que se contrate parentes até certo grau de parentesco para cargos de órgão público que exijam indicação ou processos de licitação no qual o parente tenha participado da concorrência. Apesar da proibição na esfera pública, cargos no setor privado ainda não possuem legislação para tal, o que não impede de tais ações serem mal vistas no setor.

Na capital, Brasília, onde as principais e melhores ofertas de emprego acabam por envolver relações com o setor público, devido ao caráter administrativo da cidade, tais práticas se mostram muito frequentes. Muitas vezes, ações não consideradas como nepotismo, a exemplo de uso de conexão de parentes como no exemplo coreano, passam desapercebidas pela lei principalmente na área de projetos e planejamento. É muito frequente o uso de tais contatos para emplacar o primeiro emprego em uma empresa fornecedora de serviços para o setor público.

Os dois países, de culturas muito diferentes, apresentam práticas semelhantes devido ao seu mercado extremamente competitivo. Jovens de ambos sofrem com a pressão familiar e social para encontrar empregos de alto nível. A influência familiar no Brasil, visualmente diferente da coreana, ainda se manifesta de forma mais discreta, ainda que em certas partes do país ainda seja considerada muito forte.

Artigo Autoral com Base em Pesquisa


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