Oh Hayoung, 36 anos e mãe de dois filhos, lembra como se mantinha ocupada pelos filhos, que ainda nem haviam nascido.

De tricô a desenho, ela até mesmo se aventurou a aprender como usar uma máquina de costura, o que resultou em um número de coisinhas feitas à mão durante suas duas  gravidezes, entre 2011 e 2013.

Eu aprendi nas aulas de educação pré-natal que manter minhas mãos ocupadas poderia afetar de maneira positiva o desenvolvimento do cérebro do feto“, ela diz. “Minha primeira filha falava frases inteiras com apenas 17 meses. Eu acho que o taegyo tem muito a ver com a sua habilidade em aprender a linguagem tão facilmente.”

Pode soar como mito, mas muitas mães coreanas acreditam que devem se comportar, comer e falar de certa maneira, durante os nove meses de gravidez, não apenas por sua saúde, mas também pelo desenvolvimento de seus filhos.

Muitos coreanos acreditam que o estado mental da mãe e suas atividades educacionais durante a gravidez – nisso se encaixa ouvir Mozart, apreciar obras de arte e até mesmo aprender inglês – determinarão o temperamento, a ocupação e a proficiência em uma língua estrangeira da criança.

Taegyo estrito – e algumas vezes exagerado – não é novidade entre jovens mães, mas uma prática cultural que é passada de geração em geração.

A prática está enraizada na ideia que o feto é um pessoa e de que a vida começa na concepção. A mãe começa a se preocupar com a criança no momento da concepção, o que também explica porque recém-nascidos têm 1 ano no momento do nascimento.

Ela também pode começar, até mesmo, antes da concepção – na seleção do marido, de acordo com uma pesquisa feita por Kim Hyeon-ok. A tradição diz que mulheres devem escolher um homem “saudável e inteligente para terem filhos inteligentes e gentis”.

Acredita-se que o taegyo tenha se espalhado boca a boca, junto da chegada da cultura  chinesa, durante o século 4. Ele ganhou popularidade quando a estudiosa Lee Sajudang escreveu um livro, Taegyoshingi, em 1803.

O livro diz que educação nos 10 meses no útero é mais importante do que a educação dada nos 10 anos seguintes.

Muito influenciado pelas antigas crenças confucionistas, o livro salienta que exercitar  valores éticos e ter uma mentalidade estável são importantes quando está se esperando um filho.

As grávidas devem ser um bom exemplo no modo em que veem, escutam, falam e se comportam. Lee escreveu que: “é dever da mulher grávida fazer com que seus sentidos, mente e corpo permaneçam gentis e corretos“, salientando que essa é a forma de se ter um filho inteligente.

Ela ainda sugere que as mulheres olhem para coisas bonitas e evitem coisas sujas, apodrecidas e feias.

Na sociedade dominada por homens da era Joseon, Lee também diz que os futuros pais deveriam tratar suas mulheres com respeito, afastando-se dos “falsos desejos e espíritos maléficos” durante a gravidez de sua esposa, pois eles, também, seriam responsáveis pelo destino do bebê.

Em geral, essas crenças ainda persistem. Por exemplo, recomenda-se às grávidas, muitas vezes, que não compareçam à funerais.

Com o passar dos anos, as crenças tradicionais referentes às obrigações dos pais evoluíram para abranger esportes, artes e religiões, tudo sob a influência da cultura ocidental.

É comum que futuras mães façam aulas de yôga e balé, e que “eduquem’ os fetos lendo a bíblia e apreciando as artes.

Fonte: Tabela retirada do “Um estudo etnográfico sobre a prática do Taegyo na Coreia” por Kim Hyeon-ok

Apesar da taxa de natalidade estar em queda e da feroz competição na sociedade coreana, o interesse no taegyo aumentou, escreveu Park Sangyoub, professor de sociologia da Universidade Washburn, em um relatório.

Um número menor de casais têm mais de um filho, e eles querem dar a esse filho uma vantagem, ajudando-o desde o útero“, diz o professor. “Eles querem que seu filho sobreviva ao ambiente educacional hiper-competitivo“.

De acordo com estatísticas, a taxa de natalidade da Coreia, em 2017, foi de 1.05, menor do que a registrada no Japão (1.44) e em Taiwan (1.17). Especialistas previam que a taxa ficaria abaixo de 1.0 em 2018.

O desejo de ter apenas um filho com grandes talentos criou um grande mercado.

Empresas criaram estratégias de marketing visando os futuros pais que querem gastar. Os produtos vão desde estadias em hotéis criados para famílias com grávidas, até seguros para bebês não-nascidos.

Viagens ao exterior também são um “dever”, diz Park Youngsun, mãe de uma menina de 3 meses, ao se lembrar de sua viagem ao Havaí, em abril.

Custou muito caro. Mas, eu aproveitei muito sob o sol, assistindo às ondas e aproveitando a comida. O bebê fica feliz quando a mãe está feliz“, ela diz. “Eu planejo mostrar nossas fotos no Havaí para nossa menina, para mostrar quanto nós a amamos e nos preocupamos com ela, mesmo antes dela nascer“.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.