Cada vez mais solteiros aproveitam a vida de forma livre e independente.

A funcionária de escritório Kim, de 34 anos, suspirou aliviada após ouvir uma amiga dizer que – mais uma vez – procurou um advogado para realizar seu divórcio após uma briga acalorada durante o Chuseok.

Toda vez que ouço minhas amigas quase se divorciando ou reclamando sobre como elas queriam nunca ter se casado eu vejo que tomei a decisão certa ao morar sozinha”, disse Kim, que mora em um mini-apartamento em Chungeongno, Seodaemun, na cidade de Seul.

Para a maioria das minhas amigas, os feriados nacionais estão entre os muitos períodos inevitáveis e temidos em que precisam se exaurir para provar como estão vivendo as expectativas de seus sogros – que, para mim, soam como inimigos exigentes.”

Kim é uma das muitas coreanas que optou por não se casar para viver uma vida mais livre e feliz, e se sente satisfeita assim.

De acordo com um estudo divulgado pelo instituto KB Financial Group no final de setembro (2018), sete em cada dez pessoas que vivem sozinhas disseram estar contentes com suas vidas atuais.

 

Fonte: Korea Times
Fonte: Korea Times

 

Em uma pesquisa realizada com 2.100 solteiros entre 25 e 59 anos, residentes em Seul, na província de Gyeonggi e na região metropolitana em maio deste ano, 69,5% delas disseram estar satisfeitas com sua atual situação.

Os entrevistados disseram que valorizaram sua liberdade e a autonomia em tomar decisões (39,5%), seguido do fato de terem mais tempo livre (33,2%) e de não terem responsabilidades familiares a serem cumpridas (7,3%).

Um total de 82,7% das mulheres na faixa dos 20 anos disseram estar satisfeitas, seguidas por 78,5% na faixa dos 40 e 78,3% na faixa dos 30 anos.

Já entre os homens, a taxa de satisfação cai à medida que eles envelhecem. 71,2% dos homens na faixa dos 20 anos disseram que estavam satisfeitos vivendo sozinhos, enquanto na faixa dos 30 anos apenas 66,6% responderam positivamente. A taxa caiu ainda para 51,4% entre os homens na faixa dos 50 anos.

Kim, que terminou com o namorado há um pouco mais de um ano, disse que o casamento não era algo para pessoas como ela: que se recusam a perder tempo, dinheiro e energia em algo que exige devoção vitalícia ao ponto dos envolvidos terem de se sacrificar.

Eu não estou dizendo que as pessoas não devem se casar. Eu respeito quem quer se casar. Eu só estou dizendo que isso não é pra mim, e eu não gostaria de ser forçada a fazer algo do qual tenho tanto medo. Ninguém gostaria.

Ter controle absoluto sobre o tempo livre e as escolhas pessoais – mais importante, o direito de não ser perturbado – são “privilégios” dos quais ela não deseja abrir mão.

Eu gasto meu dinheiro naquilo que quero, viajo para onde e quando quero, o que seria impossível se eu tivesse que conciliar com as responsabilidades de um casamento – que envolvem o aumento das tarefas domésticas, ter que cuidar dos filhos e lidar com os sogros e parentes – eu não consigo enxergar sequer um único ponto positivo nessas coisas. Já me estresso muito no trabalho. Não quero ter ainda mais estresse depois do trabalho também. Eu quero chegar em casa e descansar, e não ter que entrar no meu “segundo trabalho” como dizem as minhas amigas que são casadas.”

Uma vida focada na liberdade é o que um homem realmente quer, mas não pode dizer em voz alta, disse um funcionário de escritório que está separado de sua esposa. O homem de 40 anos preferiu manter a identidade anônima.

Eu não tenho filhos, então me estresso menos do que meus amigos que têm até dois filhos que já estudam no ensino médio ou são universitários, e que por isso precisam de mais dinheiro. Eu escuto que os filhos deles não são bons alunos ou se metem em confusão na escola. Não consigo nem imaginar como eu lidaria se tivesse filhos e eles fossem assim.”

Ele disse que joga golfe aos finais de semana, vai para a academia e passa horas dormindo sem ser incomodado. “Eu preciso descansar para aguentar o stress do meu trabalho. Gosto do jeito que estou vivendo agora.

Os dois estão entre muitas pessoas que expressaram satisfação em morar sozinhas.

Quem casa quer casa? Os solteiros também!

Solteiros coreanos têm em média 123,62 milhões de wons (U$ 110.000,00 dólares) em ativos líquidos e 18,84 milhões de wons em débito, de acordo com o estudo do Korean Bank.

Mais de 40% desses ativos líquidos estão investidos em propriedades – como a casa em que moram – e eles têm em média 25,88 milhões de wons em suas contas bancárias.

As pesquisas mostram que a renda dos solteiros era a mais alta para aqueles na faixa dos 30 anos. Enquanto a quantidade foi um pouco menor para aqueles em seus 40 anos e significativamente menor para aqueles com 50 anos ou mais.

Isto está em contraste com um aumento constante e gradual da renda das famílias com mais de duas pessoas.

No entanto, de acordo com Kim Yei-goo, pesquisador sênior do instituto KB, que participou de um estudo semelhante em 2017, isso não significa que as rendas dos solteiros deve diminuir em geral ao longo do tempo.

Famílias formadas por mais de duas pessoas – com chefes de família na faixa dos 40 e 50 anos – normalmente acumularam patrimônio nas últimas décadas. Mas é necessário mais tempo para fazer uma análise comparativa com aqueles que moram sozinhos, já que esses só aumentaram numericamente nos últimos anos. ”

O número de solteiros cresce

É esperado que o número de pessoas que moram sozinhas continue a aumentar.
De acordo com os resultados divulgados pela Statistics Korea dia 28 de setembro, das 19,67 milhões de residências sul coreanas, 5,62 milhões são de solteiros, somando 28,6% do total.

O aumento de pessoas morando sozinha mais do que dobrou nas últimas duas décadas, que contava com apenas 2,22 milhões em 2000.

Antigamente, pessoas morando sozinhas eram comumente associadas com pobreza e incompetência, eram pessoas excluídas de alguma forma, párias da sociedade, diferentemente do cenário atual em que eles são em sua maioria financeiramente capazes, com carreiras estáveis, que pagam bem, e que decidiram viver sua vida sem o fardo do que consideram normas de uma sociedade tradicional e arcaica”, disse Kim do instituto KB.

Muitos entrevistados têm um alto grau de independência, autoeficácia e desejam alcançar a felicidade através da sua autonomia. Eles não têm problemas com inseguranças, pelo contrário, apresentam alta capacidade de determinar o que é e será bom para eles.”

Ele completa dizendo que o crescimento da tendência que faz com que muitos optem pela vida de solteiro tem mais relação com os prós e contras do casamento do que com a situação financeira em que eles se encontram.

No caso das mulheres, elas não querem ser alvo das críticas dos sogros, terem que ser responsáveis pela criação dos filhos e serem sobrecarregadas pelas tarefas domésticas. Quanto aos homens, eles provavelmente sentem o peso da responsabilidade de serem os “chefes de família”, responsabilidade que se torna ainda mais esmagadora com o nascimento dos filhos.”


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