Fonte: National Endowment for the Arts

Jeon Hee-ja, uma das 141 dançarias licenciadas de Salpuri – ritmo de dança histórico da Coreia do Sul – não recebeu renda nenhuma nos últimos seis meses.

“É difícil porque não dá para culpar nada além da pandemia”, ela disse, sentada em seu estúdio de dança em Seul. “Eu danço desde meus 11 anos e nunca estive tão desesperada antes. Nós todos estamos sem trabalho, e a pior parte é que não sabemos quando isso vai acabar”.

Muitos artistas freelancers, assim como Hee-ja, também estão sem possibilidade de realizar apresentações desde o aparecimento do Covid-19 na Coreia do Sul, no início do ano. Os casos no país começaram a aumentar radicalmente no fim de fevereiro. Em 18 de fevereiro haviam 31 casos e, 10 dias depois, mais de 2 mil.

O governo coreano aumentou o nível de alerta ao máximo dia 23 de fevereiro. No dia seguinte, teatros públicos como o Seoul Arts Center e o Sejong Center for the Performing Arts começaram a adiar e cancelar apresentações. No começo, o que era apenas uma semana de adiamento acabou sendo estendido até o fim de abril, após o governo intensificar as medidas de isolamento e recomentar que as pessoas ficassem em casa.

Artistas Freelancers Coreanos Sofrem Com Ausência De Renda Durante A Pandemia
Apresentação de salpuri. Fonte: hyunju lee dance company

Isso foi um problema sério para o mundo artístico. De acordo com o Sistema de Informações de Bilheterias de Apresentações Coreanas (KOPIS, segundo a sigla em inglês), os lucros da indústria, em abril, diminuíram de 4 bilhões de won para 3.6 bilhões de won. O número de apresentações diminuiu de 716, em janeiro, para 185, em abril.

Os artistas freelancers foram os que mais sofreram. “Todas as peças que eu estava preparando para 2020 foram canceladas”, disse Lee Bora, atriz freelancer de 30 anos. “Eu acho que foi duplamente ruim para nós, artistas freelancers, porque nós nunca realmente tivemos empregos permanentes de qualquer jeito, então estávamos sempre pulando de um projeto para outro. No meio tempo entre esses projetos, arranjávamos trabalhos temporários, em conferências, por exemplo. Mas agora nem esses trabalhos extras estão disponíveis por causa da pandemia.”

Song Mhin-suk, dançarina freelancer de artes tradicionais, também conta sobre o problema. “Estamos chegando ao final das nossas economias”, comentou. “Muitos dos artistas freelancers que eu conheço estão começando a pegar empréstimos em bancos, porque as economias estão acabando.” Song é um dançarina licenciada de música Jongmyo Jeryeak, um estilo de propriedade cultural da Coreia do Sul e também considerada uma das ‘Obras-Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade’ da UNESCO. “O governo precisa interferir para nos proteger”, continuou Song. “Do contrário, em alguns anos, não sobrará nenhum de nós para repassar patrimônios culturais da Coreia”.

Artistas Freelancers Coreanos Sofrem Com Ausência De Renda Durante A Pandemia
Song mhin-suk e jeon hee-ja, artistas freelancers sul-coreanas. Fonte: korea joongang daily

No dia 20 de fevereiro, o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo anunciou um conjunto de fundos emergenciais para artistas, incluindo 3 milhões de won para qualquer um que tenha passado por perdas de lucro relacionado ao coronavírus, além de reduzir taxas de juros para empréstimos em bancos para artistas. O fundo foi aberto para 7,725 artistas.

Para alguns artistas, essas medidas são melhores que nada, mas não o bastante para garantir sobrevivência. “Alguns teatros públicos estão abertos agora enquanto aderem às recomendações de distanciamento social do governo, mas apenas grandes empresas ou aquelas com financiamento do governo vão conseguir seguir as recomendações”, esclarece Kim Yeon-jae, que foi atriz freelancer nos últimos 30 anos. “Teatros pequenos não conseguem dinheiro o bastante das apresentações para compensar os custos de produção nem quando os ingressos esgotam”, finaliza.


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