Quando Beth McKillop, uma pesquisadora do Museu Victoria & Albert (em Londres), foi convidada a ir para a Coreia para o Fórum de Comunicação Cultural (CCF) de 2016, ela entrevistou seus familiares para saber que impressões eles tinham do país.

Ela foi confrontada com uma grande diversidade de respostas, segundo o curador da Galeria Coreana do Museu, que iam desde “por que coreanos gostam tanto de cirurgias plásticas” e “por que tem tantas mulheres coreanas são boas no golfe” até “eu amo Gangnam Style” e “a propaganda coreana está uns 20 anos à frente da nossa”.

Beth, que estudou sobre a língua e a cultura coreanas, descreveu o país como sendo “ambicioso” e “peculiar” citando seu desenvolvimento econômico e a indústria cultural diferenciada que hoje faz parte do ambiente global, com o k-pop e os k-dramas, por exemplo.

Mas o que ela percebeu foi que a mentalidade tradicional “ppalli-ppalli” – termo coreano utilizado para descrever a impaciência de uma pessoa – agora parece estar “se misturando com reflexão e planejamento”, contou durante o Fórum de Comunicação Cultural ou CCF, organizado pelo Instituto Coreano de Comunicação Visual, em Seul.

20 autoridades em cultura de destaque de vários lugares do mundo se encontraram no Fórum para compartilhar seus pensamentos sobre a cultura da Coreia, como ela mudou e como ela pode ser transmitida para o resto do globo.

Figuras Culturais De Todo O Mundo Se Reúnem Para Discutir Questões Sobre A Cultura Coreana. Foto: Rumy Doo/The Korea Herald
Autoridades culturais de todo o mundo se reúnem para discutir questões sobre a cultura coreana. Foto: rumy doo/the korea herald

“Ainda existem a paixão, o ‘ppalli-ppalli’ e a natureza idealizadora na sociedade coreana”, disse Ana Serrano, do Centro de Filmes Canadenses. “Mas o mais importante para absorvermos é a noção de emergência. Existem coisas que você não planeja, elas apenas acontecem”.

Kang Sue-Jin, CEO e diretora artística do Ballet Nacional da Coreia, afirma que os coreanos precisam evitar o “palli-palli”, principalmente quando o assunto é arte. Para Sue-Jin, que aprendeu dança tradicional coreana antes do ballet, a arte, é uma maneira eficiente de comunicação global. “Não é preciso falar, você não precisa de palavras para se expressar em uma dança”.

O marquês Charles-Antoine de Vibraye, cujo castelo de Cheverny inspirou os cenários dos quadrinhos “As Aventuras de Tintin”, apontou que os desafios no turismo são parecidos para a Coreia e a França. “O melhor a se fazer é conectar a cultura ao turismo e aos negócios.”

O escritor espanhol, Javier Moro, conhecido pelo romance “Paixão Índia”, destacou a vibração coreana. “É possível senti-la em todos os lugares, nas ruas e no comportamento das pessoas.”

Moro também comparou a Coreia com seu país, dizendo “a Espanha também aumentou drasticamente seus padrões de vida nos últimos 50 anos.” E continua, “quando sociedades tradicionais entram na indústria mundial, pensamos que elas podem perder as tradições que as tornam especiais”. De acordo com ele, a cultura coreana é rica e deve ser preservada, assim como sua imagem moderna, e o progresso, representado pelo conglomerado Samsung. “As pessoas não deveriam se preocupar que a Coreia tenha ficado famosa por causa do Gangnam Style, apesar de tudo.”

“Às vezes os espanhóis ficam aborrecidos por serem conhecidos mais pelo futebol do que por outros fatores culturais”, mas isso tudo indica o fluxo livre de cultura no mundo, e ele deve ser encorajado”, completa.

A dançarina turca Beyhan Murphy alertou contra “subestimar o poder de persuasão de uma cultura”, enquanto Katrina Sedgwick, diretora do Centro Australiano de Imagem, disse estar mais impressionada pelo “design, moda, arquitetura e comida” coreanos.

Outros participantes do Fórum incluíram Irina Prokhorova, dona da editora russa “New Literary Observer”, o jornalista indiano Vir Sanghi e o cantor americano de jazz e blues, Tim Strong.


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