Países do Ocidente, incluindo a França, ficaram surpresos que a série original da Netflix “Round 6”, que conquistou imenso sucesso global, tenha sido feita na Coreia. No entanto, a Coreia começou a reforçar a base do sucesso cultural décadas atrás, antes de bater recordes mundiais há alguns anos.

Em 2019, o BTS se tornou uma sensação internacional no cenário mundial. No ano seguinte, “Parasita”, do diretor Bong Joon-ho, ganhou quatro Oscars, incluindo o de Melhor Filme, na 92ª edição do Oscar nos EUA. Então, qual é o segredo por trás do conteúdo coreano que cativou as pessoas ao redor do mundo?

Quatro segredos por trás da trajetória-recorde da Onda Hallyu
Elenco do filme “Parasita” na cerimônia do Oscar de 2020. Foto: Pure People

K-conteúdo: Décadas de Popularidade

Desde a década de 1990, os dramas coreanos provaram ser imensamente populares em países asiáticos, incluindo China, Japão, Malásia, Indonésia e Vietnã. Nos anos 2000, começou a exportação de novelas coreanas para nações da África, Oriente Médio e América do Sul. Uma delas, a série histórica “Jewel in the Palace” (2003), teve uma audiência fenomenal de mais de 90% no Irã para cada episódio em 2007.

O boom internacional da “Hallyu” (Onda Coreana) alimentou o desenvolvimento da indústria de conteúdo da Coreia. As emissoras obtiveram mais lucro por meio do investimento em projetos relacionados ao conteúdo e da venda dos direitos de distribuição para o exterior. Isso levou à produção rápida de minisséries de 16 a 20 episódios e atualizações na qualidade visual dos K-dramas, que haviam sido aclamados anteriormente como tendo qualidade superior à dos países vizinhos.

Quatro segredos por trás da trajetória-recorde da Onda Hallyu
Cena de “Round 6”. Foto: BBC

Perfeição Estética Exclusiva da Coreia

Outro segredo por trás do sucesso da Hallyu é a busca pela perfeição, característica facilmente encontrada em muitos setores da sociedade coreana. Vídeos de música de K-pop feitos com detalhes em nanoescala mostram claramente o grau de perfeição em todos os aspectos da produção, incluindo o estilo e a dança impecável dos grupos, a exibição de palco, a iluminação, os movimentos de câmera e as imagens que se combinam para expressar ritmos poderosos. Cada um desses fatores cria uma harmonia de calma e excitação, estática e dinâmica, escuridão e luz. Essas qualidades também são encontradas no marketing de produtos coreanos, como os de moda e beleza.

Personagens Cheios de Personalidade

Os personagens da Hallyu são únicos. Desde o início dos anos 2000, muitas indústrias culturais na Coreia criaram vários ícones. No K-pop, cada grupo define seu próprio conceito que se reflete em sua música, dança e performance de palco para expressar a personalidade de cada integrante, atraindo fãs e criando uma sensação global. Personagens de desenhos animados populares como Pororo ou Pucca se tornaram internacionais aparecendo nos designs de muitos produtos. E os K-dramas também ganharam enorme popularidade daqueles que buscam alternativas às narrativas no estilo de Hollywood, mostrando novos personagens que evitam clichês.

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Personagem Pucca. Foto: Netflix

Fandom Global sem Precedentes

Os fãs não apenas consomem conteúdo, mas também fazem sua parte para espalhar ativamente a Hallyu pelo mundo. Eles formaram comunidades online para cada conteúdo coreano e celebridade que amam, algo que os fãs da série “Marble” ou “Harry Potter” não fizeram. Como visto pelos fãs do BTS que arrecadaram US$ 1 milhão para a campanha “Black Lives Matter” dos EUA, o K-pop mostrou a influência da Hallyu em outras áreas além da cultura.

O charme do coreano: Conduzindo a Hallyu

A língua coreana pode receber menos atenção do que a Hallyu, mas é sem dúvida um dos principais impulsionadores da onda coreana. Aprender uma língua exige muito tempo e esforço, mas reduz as diferenças culturais e promove uma melhor compreensão de outra cultura. O alfabeto coreano (hangeul) é fácil de aprender e permite inúmeras expressões dependendo da maneira de escrever. Graças a esses pontos fortes, muitos experimentaram os encantos da cultura coreana através da caligrafia do hangeul.

Na França, por exemplo, o número de alunos de estudos coreanos em universidades como Paris 7, La Rochelle e Inaldo saltou de 500 em 2007 para 1.300 em 2011, e o de alunos matriculados no Instituto King Sejong em Paris quase dobrou para 1.624 em 2020 contra os 867 de 2018. Após o sucesso global de “Round 6”, o número de pessoas que estudam coreano por meio do aplicativo de aprendizado de idiomas Duolingo aumentou 50%.

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BTS na cerimônia do Grammy 2022. Foto: Revista Rolling Stone

Em outubro de 2021, a música colaborativa do BTS com o Coldplay, “My Universe” liderou a parada principal de singles Hot 100 da Billboard. Outra série original da Netflix, “Hellbound – Profecia do Inferno”, do diretor Yeon Sang-ho, ganhou popularidade global após “Round 6”. Assim, a Hallyu deve quebrar mais recordes em breve, dada a mania global contínua por conteúdo coreano.

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A jornalista Ophelie Surcouf. Foto: Korea Net

Texto escrito pela jornalista Ophelie Surcouf. Especializada em literatura moderna na Universidade France 4 e com mestrado em publicação e conteúdo visual, ela contribuiu com artigos relacionados à Coreia para a mídia francesa. Em 2019, ela lançou a K-Society, uma revista online em francês sobre a cultura coreana moderna e, em outubro de 2021, lançou seu livro “Pourquoi la Coree?” (Por que a Coreia?), no qual explica o sucesso global do conteúdo cultural coreano. Traduzido para o inglês pelo redator da equipe do Korea.net, Yoon Sojung.

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