Foto: Vulture.

Tanto no cinema, quanto na televisão brasileira e em países como os Estados Unidos e Canada, a diversidade racial e étnica é ainda pouco contemplada, apesar de mudanças bastante significativas terem ocorridos nos últimos anos. Tais transformações apenas foram possíveis com movimentos que exigiam mais espaço para grupos que não estão representados nas telas e pela perseverança de profissionais como Sandra Miju Oh, nascida em 20 de julho de 1971, no Canadá.

Oh é principalmente conhecida pelo papel de Cristina Yang no drama médico da ABC, “Grey’s Anatomy”, ambientado nos Estados Unidos, que ela interpretou de 2005 a 2014. Em razão deste trabalho promissor, a atriz ganhou um Globo de Ouro, dois Screen Actors Guild Awards e cinco indicações para o Primetime Emmy Award de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática.

Em 2018, Oh começou a estrelar como Eve Polastri na série da BBC América, Killing Eve. Por esta atuação, ela se tornou a primeira atriz de ascendência asiática a ser indicada ao prêmio Primetime Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática.

Ela ainda, em 2013, recebeu a chave da cidade de Ottawa, Ontário, do prefeito Jim Watson. Conheça um pouco mais da trajetória desta atriz que relatamos aqui com a ajuda de fontes variadas da internet.

Em 2006, ela ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em Grey's Anatomy, Foto: Golden Globe.
Em 2006, ela ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em Grey’s Anatomy. Foto: Golden Globe.
Em 2006, ela recebeu um Screen Actors Guild Awards. Foto: Zimbio.
Em 2006, ela recebeu um Screen Actors Guild Awards. Foto: Zimbio.
Em Grey´s Anatomy , o papel da médica Cristina Yang rendeu-lhe variados prêmios e impulsionou sua carreira. Foto: Hollywood Reporter.
Em Grey´s Anatomy , o papel da médica Cristina Yang rendeu-lhe variados prêmios e impulsionou sua carreira. Foto: Hollywood Reporter.

Oh nasceu no subúrbio de Ottawa, em Nepean, em uma família de imigrantes coreanos de classe média. Seus pais Oh Junsu (John) e Jeon Young-nam mudaram-se para o Canadá no início dos anos 60. Seu pai é empresário e sua mãe é bioquímica. Sendo uma das poucas famílias de ascendentes asiáticos ela e os irmãos Ray e Grace cresceram em Camwood Crescent, onde ela iniciou sua carreira.

Com 10 anos, ela interpretou The Wizard of Woe em um musical de classe, The Canada Goose. Durante o ensino médio, Oh teve uma vida escolar na adolescência bastante engajada, fundando o clube ambiental BASE (Borden Active Students for the Environment), que liderava uma campanha contra o uso de copos de isopor.

Sandra Oh quando criança. Foto: loadtve.biz
Sandra Oh quando criança. Foto: loadtve.biz

Enquanto cursava o ensino médio, ela foi eleita presidente do conselho estudantil. Durante este período ainda tocou flauta e teve aulas de balé, atividades que ela posteriormente nãp seguiria para focar seus esforços na carreira como atriz. Assim, ela entrou para um grupo de teatro, participando de peças da escola, integrando o Canadian Improv Games e o Skit Row High, um grupo de comédia. Sabe-se ainda que Oh rejeitou uma bolsa de jornalismo de quatro anos para a Carleton University para estudar teatro na Escola Nacional de Teatro do Canadá em Montreal.

Formou-se em 1993, e começou a ter proeminência no Canadá graças ao papel de Jade Li, no filme canadense “Double Happiness” (1994), dirigido por Mina Shum. Jade é uma mulher de vinte e poucos anos que se vê em uma conflito pessoal em que deve escolher entre satisfazer os desejos dos pais, chineses tradicionais, e seus próprios anseios de vida. O filme foi aclamado pela crítica, com jornalistas elogiando o desempenho de Oh. Janet Maslin do The New York Times chegou a escrever: “a performance de Oh faz de Jade uma heroína inteligente e espetacular”. Oh ganhou o Genie Award de Melhor Atriz pelo papel.

Em 1997, ela ainda iria estar em outros filmes de sucesso no Canada, em especial “Last Night” (1998), do diretor Don McKellar, pelo qual novamente ganhou o prêmio Genie. Em 2002, Oh apareceu na comédia familiar “Big Fat Liar” (2002), de Shawn Levy, seguido por um papel menor em “Full Frontal”(2002) de Steven Soderbergh, aclamado diretor dos EUA.

Em um dos seus primeiros trabalhos reconhecidos Sandra oh interpreta um jovem de família chinesa que se confronta com seguir os anseios da família, ou seus próprios desejos. Foto: Reel Canada.
Em um dos seus primeiros trabalhos reconhecidos Sandra oh interpreta um jovem de família chinesa que se confronta com seguir os anseios da família, ou seus próprios desejos. Foto: Reel Canada.

Ao viver Rita Wu, assistente do presidente de uma grande agência de esportes, na série Arliss, recebeu um NAACP Image Award de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia e um Cable Ace de Melhor Atriz em uma comédia por seu trabalho. Em 2003, ela foi escalada para um papel coadjuvante, atuando ao lado de Diane Lane, em “Sob o Céu de Toscana” (2004), de Audrey Wells, seguido por outro papel coadjuvante no drama “Sideways” (2004), de Alexander Payne, com quem a atriz foi casada por três anos.

Finalmente em 2005, ela estrelou como Cristina Yang na primeira temporada do que se tornou a série médica da ABC, Grey’s Anatomy, mas também teve participação em filmes como o thriller “The Night Listener” (2006), de Patrick Stettner, que atuou ao lado de Robin Williams e Toni Collette; na comédia de super-heróis “Defendor” (2009), de Peter Stebbings; “Ramona e Beezus” (2010), de Lisa Allen; e no drama aclamado pela crítica “Rabbit Hole” (2010), de John Cameron Mitchell, ao lado de Nicole Kidman e Aaron Eckhart.

Entre diversas outras atuações, a atriz interpretou Brigid O’Shaughnessy, em um audiolivro do clássico de 1930 The Maltese Falcon, escrito por Dashiell Hammett, o que lhe rendeu indicação ao Grammy, que também contou com Michael Madsen e Edward Herrmann. Ela também fez alguns papéis de voz em animação, incluindo algumas aparições em “American Dragon: Jake Long”, a voz da Princesa Ting-Ting em “Mulan II” (2005), dirigido por Darrell Rooney e Lynne Southerland, e a voz de Doofah em “Em Busca do vale Encantado XIII: A Sabedoria dos Amigos”, dirigido por Jamie Mitchell e Charles Grosvenor.

Em 2011, Oh recebe uma estrela na Calçada da Fama do Canadá. Atualmente, ela ganhou o papel de protagonista da série de espionagem da BBC América “Killing Eva”(2018),  retratando uma agente de inteligência britânica Eve Polastri. Parece que inicialmente a atriz não percebeu que estava sendo considerada como protagonista, dizendo que tinha sofrido “lavagem cerebral” por anos sendo escolhida como as melhores amigas dos personagens principais.

Em 2011, Oh ganha sua estrela na calçada da fama. Foto: Canada's Walk of Fame.
Em 2011, Oh ganha sua estrela na calçada da fama do Canada. Foto: Canada’s Walk of Fame.
O papel na série "Killing Eve" rendeu a atriz a indicação ao Emmy. Foto: Grey's Anatomy.
O papel na série “Killing Eve” rendeu a atriz a indicação ao Emmy. Foto: Grey’s Anatomy.
Sandra Oh com os pais na premição do Emmy 2018. Foto: NextShark.
Sandra Oh com os pais na premição do Emmy 2018. Foto: NextShark.

Em uma entrevista para a jornalista Aimée Lutkin, do site The Muse, Oh declarou que o racismo na indústria audiovisual não apenas é difícil, mas também algo extremamente injusto. “O racismo existe. Vamos começar por aí, e eu o senti profundamente. Mas a mentalidade das pessoas está mudando com relação a este problema. Contudo, você precisa ser bastante tenaz e ter certeza daquilo que quer. Se quer ser um grande artista, você deve colocar em mente que pode encontrar sim o seu caminho, mesmo dentro desse paradigma gigante que muitas vezes não inclui pessoas que se parecem conosco”.


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