As pessoas podem estar vivendo mais nos dias de hoje, mas são obrigadas a se aposentar mais cedo, o que significa que, como a expectativa de vida aumenta, muitos são confrontados com a perspectiva de viver metade de suas vidas após a aposentadoria. Um novo termo para descrever essas pessoas, “50+“, refere-se àqueles entre as faixas etárias de 50 anos e início dos 60, que viveram durante cinco décadas e agora tem mais cinco para viver.

A “Escola de Vida dos 50+“, operada pelo Governo Metropolitano de Seul, oferece formação para as pessoas com 50 anos ou mais, para que eles possam abrir novas empresas ou se envolver em diversas atividades sociais. Simplificando, é um programa que ajuda esses indivíduos a mapearem a segunda metade de suas vidas. Seul planeja expandir o número dessas escolas, de uma para seis em 2018.

A Seobuk 50plus, localizada no distrito de Eunpyeong, no norte de Seul, que abriu em Abril, é a primeira iniciativa. Jung Gwang-Pil, reitor da “Escola de Vida dos 50+“, também faz parte da geração 50+.

Quando o jornal JoongAng o entrevistou, em 31 de Agosto, ele começou questionando a discordância dessa geração em fazer planos para a vida idosa, a saúde ou vários temas relacionados.

Se queremos falar sobre a geração 50+, precisamos observar sua própria natureza em primeiro lugar. Aqueles com 50 anos agora, foram os pilares principais do rápido crescimento da economia coreana. Eles têm muitos recursos humanos substanciais e sabem como usá-los, e alguns até reformularam o cenário político na Coreia. Eles também são surpreendentemente mais saudáveis do que qualquer um de sua idade poderia ter sido no passado. Expulsar essa força de trabalho, simplesmente tratando-os como “pessoas de idade“, é uma grande perda para o país. Enquanto estive envolvido com a primeira turma de alunos da “Escola de Vida dos 50+” durante a primeira metade do ano, senti uma energia enorme também. Eles têm essas qualidades valiosas, tais como habilidades na resolução de problemas, velocidade de execução e experiência, que acho que devem ser utilizados na sociedade“.

Jung Gwang-Pil, reitor da “Escola de Vida dos 50+”, fala sobre a segunda metade da vida. Foto: Kang JungHyun / Korea JoongAng Daily.

Jung Gwang-Pil acredita que a sociedade deve fazer uso de sua energia esmagadora dos 50+ em benefício das gerações mais jovens, que estão percorrendo um caminho tortuoso. Ele recomenda que os aqueles nos 50+ se soltem e se esforcem para fazer um trabalho mais significativo.

Eles vão escalar montanhas com aquelas roupas típicas ou irão jogar golfe. Talvez até se atenham em ficar na frente da televisão. A vida após a aposentadoria sem preparação geralmente se parece com isso. Em seguida, eles começam a sentir um grande vazio, porque eles não conseguem encontrar sentido em suas vidas, e depois eles enfrentam a depressão. Eles precisam encontrar algo que possam fazer e será ainda melhor se eles puderem ser de ajuda para alguém. Vários grupos foram formados na nossa primeira turma de formandos e há um encontro que serve para apoiar jovens que produzem peças ou filmes independentes. Eles não fazem este trabalho simplesmente para financiá-los. Eles primeiro perguntam aos jovens o que eles precisam. Problemas durante a produção de filmes, trabalhos administrativos… sempre existem. E é aí que eles agem. Eles discutem os problemas que as pessoas mais jovens não têm conhecimento ou não têm poder suficiente para resolver e dão aconselhamento adequado. Eu estou dizendo que deveríamos prestar atenção não só no dinheiro que os cinquentões podem fazer, mas em suas habilidades. Em vez de agir como pobres idosos, adultos mais velhos precisam primeiramente segurar as mãos dos jovens. O conflito de gerações parece ser um problema muito difícil de ser resolvido, mas esses pequenos passos podem levar a atalhos inesperados“.

Para tornar isso uma realidade, porém, os adultos precisam começar a aprender.

Recentemente, o termo mais usado na educação foi alterado de “entrar na universidade” para “educar-se ao longo da vida””, disse Jung Gwang-Pil. Isso se refere à mudança na percepção que a educação é para todas as gerações e não apenas para determinados grupos etários.

Os aposentados são, em sua maioria, expulsos das empresas. Mas eles estão apenas na metade de suas vidas e não devem hesitar em aprender. Várias organizações governamentais oferecem programas de reciclagem. A nossa “Escola da Vida dos 50+” é um deles. Há aulas para os aposentados e para aqueles que ainda trabalham e que só tem tempo nos fins de semana. Há muitas oportunidades. Estar um passo à frente, ou seja, saber certas coisas com antecedência tira um grande fardo dos ombros após a aposentadoria. As aulas também ajudam a construir novos relacionamentos. As mudanças pelas quais as pessoas vão passar durante os próximos 20 anos serão mais destrutivas e rápidas do que qualquer outra coisa que foram submetidas nos últimos 20 anos. Basta pensar em inteligência artificial. Não só as crianças, mas a geração 50+ também precisa ter o anseio de aprender e estar preparado para o futuro.

Na “Escola da Vida dos 50+“, a maioria das aulas são feitas em estilo de workshops. Durante as 10 semanas de cada semestre, apenas duas aulas são palestras e todas as outras envolvem os alunos tendo que trabalhar ativamente em problemas reais. Depois de algum tempo, eles formam grupos independentes de contribuição para a sociedade. Um deles é o Value Bank Community, que ajuda pessoas pobres de várias formas. Há também o Brain Exercise Community.

Existem boas palestras em toda parte e muitos delas dizem às pessoas para fazer isso ou aquilo. Certamente é útil ouvir um discurso de pessoas bem-sucedidas, mas é difícil pegar seus ensinamentos e aplicá-las às nossas vidas. Nossa escola é apenas um curso básico de entrada. Eu acho que as pessoas devem ganhar a coragem de começar uma nova vida através desse programa. Para fazer isso, é bom encontrar bons colegas de trabalho para passar a segunda metade do jogo da vida juntos, e passar mais tempo traçando planos para o futuro“.

Jung Gwang-Pil realmente se sente mais à vontade ao ser chamado de diretor, em vez de reitor. Sua dedicação à educação começou quando ele estava na casa dos 40 anos, com problemas relacionados aos exames de admissão da escola e educação privada, em meados de 1990. “Eu não podia simplesmente virar as costas para as crianças que estavam gritando que eles não conseguiam encontrar esperança na escola, então eu queria provar-lhes que a escola é um lugar significativo“, disse Gwang-Pil. Foi aí que ele construiu em 2003, a EWOO School, uma escola alternativa localizada em Bundang, Gyeonggi.

Jung Gwang-Pil foi o primeiro e o segundo diretor da escola. Então, o que o fez se voltar à geração 50+? “Meus pensamentos mudaram ao participar no documentário da SBS, “Wind of School” transmitido no início desse ano. Nós estávamos discutindo sobre o que falar com as crianças e eu descobri que os produtores do programa, na faixa dos 40 e 50 anos, estavam mais interessados, por exemplo, em discutir temas como “Quem sou eu?” ou “Como faço para enfrentar a verdade imutável?“. Pensando nisso, percebi que essa geração nunca foi ensinada sobre esses temas na escola e não tem a chance de voltar para a escola mais tarde, também. Eles foram forçados a pensar sobre seus papéis na família, no trabalho e em diversas organizações. A partir daí, eu encontrei inspiração para abrir esta escola de vida“.

A “Escola de Vida dos 50+” de Seul está em destaque dentre as diversas organizações governamentais locais atualmente. “Não é obrigação somente de Seul descobrir formas de apoiar a “reciclagem” dos adultos. Muitas organizações privadas têm vindo pedir palestras recentemente. Eu acho que tudo se resume a que “modelo” vamos seguir. Espero que a energia positiva da “Escola de Vida dos 50+” possa finalmente ser espalhada por todo o país.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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