Uma estudante de sobrenome Song recebeu 30 horas de trabalho voluntário de um parente no serviço público, tudo isso sem fazer qualquer trabalho voluntário real.

Estudantes do ensino médio realizaram uma pequena apresentação como parte de seu trabalho voluntário obrigatório a Pyeonghwa Municipal Nursing Home em Eunpyeong District, no norte de Seul, para as pessoas com deficiência. (Fonte: Cho Won-BIN)
Estudantes do ensino médio realizam uma pequena apresentação como parte de seu trabalho voluntário obrigatório num asilo em Pyeonghwa no distrito de  Eunpyeong, ao norte de Seul, para as pessoas com deficiência. (Fonte: Cho Won-BIN)

“Meu parente me disse que estudantes do ensino médio como eu devem se concentrar em estudar. Tenho sorte, porque eu satisfiz facilmente os requisitos obrigatórios de serviços voluntários que a escola requeria de mim”, disse ela.

Em contraste, outra estudante do ensino médio de sobrenome Nam, tinha um desejo genuíno de contribuir com seu talento de violinista para a comunidade. Ela entrou em contato com um hospital e se ofereceu para se apresentar para os pacientes.

O gerente do hospital relutantemente permitiu que ela fosse e tocasse, mas se recusou a dar-lhe a comprovação de suas horas de trabalho voluntário. Mesmo que o desempenho da violinista tenha animado os pacientes, o hospital negou dar-lhe as horas do trabalho voluntário porque na opinião do hospital, a violinista  não ajudou realmente no trabalho da instituição, mas fez algo inclusive gerou trabalho desnecessário ao funcionários.

Embora estivessem em férias de verão os estudantes do ensino médio e das escolas de ensino fundamental coreanas passaram boa parte de seu tempo ocupadas com as horas dos trabalhos voluntários obrigatórios, que são parte do currículo definido pelo governo. Servindo a comunidade, os alunos são capazes de receber pontos e uma nota que é acrescida em suas médias finais.

Em uma pesquisa realizada pela ONG National Prudential sobre o serviço voluntário obrigatório, cerca de 38,2 % dos estudantes disseram que o motivo para realizar o voluntariado era receber os pontos de créditos ou uma nota. 19,9% dos estudantes disseram que queriam ajudar aqueles que viviam em condições mais difíceis do que eles e 9,9% disseram que faziam isso porque simplesmente gostavam de fazer trabalho voluntário. 8,4% disseram que fizeram isso para ganhar novos conhecimentos, experiência e realização pessoal. Contudo, a pesquisa reforçou que a maioria dos alunos que realizam suas horas de trabalho voluntário, não as fazem porque realmente querem, mas sim pela motivação do ganho pessoal de suas notas.

Os alunos coreanos são obrigados a completar 60 horas de trabalho voluntários para a comunidade e na escola. Devido a isso, Kim Se-Hwa, a Gerente do Trabalho Voluntário na cidade de Seongnam, expressou sua preocupação de que “a maioria dos jovens podem não ser capazes de servir a suas comunidades locais de forma eficiente“.

Uma das razões que Se-Hwa expressa é que a maioria dos estudantes não tem tempo livre por causa dos estudos e a preparação para a faculdade. Ela explicou: “Muitos estudantes podem tentar completar suas horas apenas com a finalidade de se formar. Mesmo algumas das organizações que aceitam os voluntários podem sentir a pressão, enquanto que em outras circunstâncias, algumas organizações podem realmente permitir que os alunos façam o serviço”.

O atual sistema de “trabalho voluntário” obrigatório contém vários problemas. Porque as universidades avaliam os estudantes baseados em sua carga horária de trabalho voluntário, muitos estudantes ironicamente são forçados a ser “voluntários”, o que os faz trabalhar sem entusiasmo. Alguns estudantes conseguem obter sua “carga horária” sem exercer um esforço real, enquanto outros estão se recusando a ter uma oportunidade de se voluntariar, porque algumas instituições podem permitir que o estudante fique fora do programa.

“Muitos estudantes são levados por seus pais para fazer o trabalho voluntário e ganhar a obrigatória “carga horária”, em vez de por conta própria”, diz o gerente do voluntariado Kim Jae-hong do Asan Medical Center. “Quando os alunos não se envolvem no trabalho dado, eles muitas vezes estão propensos a erros, e sua falta de vontade de trabalhar está claramente impressa em seu rosto.”

Existem regras oficiais sobre a frequência do voluntariado no sistema para bloquear os estudantes que faltam em vir a oferecer-se novamente. No entanto, estas regras raramente são aplicadas, porque os alunos do ensino médio estão tão ocupados, que pode se tornar cansativo para a equipe manter o controle de todas as frequências dos voluntariados.

Como gerente do trabalho voluntário da cidade, Se-Hwa de Seongnam incentiva os alunos a repensar suas razões genuínas para o voluntariado, e diz que os estudantes devem cultivar intencionalmente uma maior consciência da importância do desenvolvimento de motivação compassiva e altruísta para o seu trabalho. “Para um programa voluntário funcionar corretamente, uma compreensão clara das suas normas são essenciais”, disse Se-Hwa.

O sistema de governo de fazer o trabalho voluntário obrigatório por vezes tem produzido voluntários indispostos, ineficientes e passivos. Mas, como Jae-Hong do Asan Medical Center observou, avaliar o trabalho voluntário tem um efeito positivo, porque é uma avaliação básica da experiência de um aluno e de seu caráter.

Jae-Hong acrescentou que, “forçada ou não, a experiência de contribuir para a comunidade é uma experiência preciosa para os estudantes que se preparam para entrar na sociedade.” A fim de melhorar os atuais problemas, Jae-Hong sugeriu que em vez de se limitar a classificação do “trabalho voluntário” de estudantes, um sistema para avaliar as reais experiências e as lições que os estudantes adquiriram com várias atividades voluntárias pode incentivar os alunos a considerar ativamente a escolher o próprio trabalho voluntário que ajude substancialmente a comunidade.


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