Em um colégio de uma Coreia reunificada, dois grupos de estudantes se confrontam: um vestido com blusas brancas e lenços vermelhos de estilo norte-coreano e o outro com típicos coletes de suéter colegial sul-coreanos.

Quando o sino toca para terminar o intervalo de descanso entre as aulas, um professor entra e diz aos alunos para abrirem os livros. Uma paz frágil retorna, mas somente até a aula terminar. Uma estudante sul-coreana levanta a mão e pergunta ao professor qual livro-texto deve usar. A confusão continua quando ele diz a eles para se contentar com o que eles têm até que um livro unificado seja disponibilizado. Então, um estudante do norte lê seu livro com um sotaque, fazendo com que um sulista rebata: “Isso é literatura?” A voz é cheia de desdém pela propaganda norte-coreana a qual ele lê.

O elenco dessas cenas do musical “Tomorrow’s Yeomyung” que se passa em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, estão de volta à realidade, em sua escola em Myeong-dong, no centro de Seul. Eles freqüentam uma escola especial para refugiados da Coreia do Norte.

Cena do musical “Tomorrow’s Yeomyung”.

“Queríamos mostrar como seria uma sala de aula quando as duas Coreias estiverem unidas”, disse Kim Jin, de 20 anos, que desempenhou o papel de uma garota sul-coreana que veio para uma escola secundária de Pyongyang. “Acho que haveria muitos problemas, já que temos culturas e sotaques diferentes”. Como Kim, outros estudantes que participaram do musical disseram que não estavam muito otimistas sobre as salas de aula unificadas, pois já passaram por dificuldades na Coreia do Sul por causa de diferenças culturais e educacionais.

Kim disse que não encontrou nenhum significado em sua vida quando estava morando na China depois de deixar sua casa em Hyesan, na província de Ryanggang, na Coreia do Norte, em 2013. Ela fugiu para o sul em 2016. “Depois de vir para a escola Yeomyung, eu me voluntariei para atividades voltadas aos idosos e deficientes”, disse Kim. “Eu quero trabalhar com serviço de assistência social para ajudá-los.”

Cena do musical “Tomorrow’s Yeomyung”.

O musical foi parte de uma apresentação preparada pelos alunos, que também incluiu uma demonstração de taekwondo, orquestra, recitais e corais para o 14º evento do Yeomyung Day na Igreja da Missão Global, Bundang-gu, na província de Gyeonggi. Apesar da neve excepcionalmente pesada, o comparecimento do público foi maior que o esperado, de acordo com os organizadores.

“Quando vim pela primeira vez para a Yeomyung School, não sabia nada sobre as coisas difíceis que estão acontecendo nesta sociedade”, disse Min Hyo-bin, de 20 anos. No dia da apresentação, ela organizou uma zona de fotos junto com seu colega de classe Son Hyun-ok, tirando fotos para os participantes.

Min, de Onsong County, província norte-coreana de North Hamgyong, chegou ao sul em 2013. Ela se formou em uma escola secundária e decidiu participar da Yeomyung. “A coisa boa aqui (na Yeomyung School) é que você pode aprender e experimentar a vida da comunidade”, disse ela. A Yeomyung School é uma escola na Coreia do Sul destinada a ensinar refugiados norte-coreanos e ajudá-los na adaptação a sua nova vida.

Cena do musical “Tomorrow’s Yeomyung”.

Outro estudante, Jung In-hyo, de 18 anos, também formado a três meses, disse que mudou muito graças aos professores dedicados. Jung tocou a flauta durante a performance da orquestra. Nascido na província de Jilin, na China, filho de uma mãe norte-coreana, ele veio para o sul em 2015.

“Na verdade, eu não vim para morar na Coreia do Sul no começo, mas minha mãe não conseguiu uma passagem para que eu pudesse voltar para a China, quando eu vim pra cá para uma viagem”, disse ele. “Mas eu comecei a gostar da vida aqui e mudei muito graças aos professores do Yeomyung.” Ele disse que era temperamental e muitas vezes brigava com a mãe e os professores, embora agora esteja mais calmo.

Atriz Choo Sang-mi discursa na apresentação do musical.

Os alunos dizem que aprendem a viver na sociedade sul-coreana através de várias atividades, incluindo serviços comunitários e viagens de campo. Eles agradeceram especialmente aos professores dedicados.

“Nossos professores estão fazendo muitas tarefas além de ministrar aulas, para oferecer uma melhor educação aos nossos alunos”, disse Lee Heung-hoon, diretor da Yeomyung. Todos os anos, 89 alunos frequentam a escola, embora o número de desertores tenha diminuído nos últimos anos.

“Como o nosso contrato de arrendamento com o atual edifício em Myeong-dong está terminando, temos que encontrar um novo prédio para nos mudarmos dentro de dois anos”, disse ele. “Precisamos construir novos programas educacionais, bem como encontrar um novo local.”

A atriz Choo Sang-mi apresentou um discurso de angariação de fundos, enquanto Lee Song, uma graduada do Yeomyung que estrelou um filme, falou sobre sua fuga e sua família que ficou no norte. A estréia de Choo na direção, o filme “The Children Gone to Poland”, foi recentemente exibido em todo o país. É sobre histórias de órfãos norte-coreanos enviados para o país da Europa Oriental sob as ordens de Kim Il-sung, o fundador do Norte, após a devastadora Guerra da Coreia de 1950-1953, sobre o qual o Koreapost já discorreu no post DOCUMENTÁRIO CHAMA ATENÇÃO PARA A AJUDA DA POLÔNIA AOS ÓRFÃOS COREANOS, em Novembro.


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