Fonte: Korea Herald

Um capacete com seis buracos de bala, um cantil perfurado 23 vezes e um rifle com munição deixado na câmara. Esses vestígios da Guerra da Coreia foram encontrados exatamente onde a guerra os havia deixado, intocado em Arrowhead Ridge, dentro da Zona Desmilitarizada (DMZ).

No local, mais de 300 jovens soldados sul-coreanos, franceses e americanos morreram combatendo as forças norte-coreanas e chinesas. Acredita-se que o outro lado tenha perdido cerca de 3.000 soldados durante a batalha.

Em uma tentativa de devolver as as tropas para suas famílias, as duas Coreias concordaram em realizar um projeto de recuperação conjunta no local no ano passado, mas somente a Coreia do Sul iniciou o trabalho na data prometida, em 1º de abril.

Itens que pertenciam a soldados mortos em combate durante a Guerra das Coreias de 1950 a 1953 foram escavados em Arrowhead Ridge, cidade fronteiriça de Cheorwon, província de Gangwon, na DMZ.

A cena está exatamente como quando a guerra terminou. Corpos e artigos estão sendo encontrados em intervalos curtos, eles estão em surpreendentes boas condições”, disse o coronel Moon Byeong-wook, chefe da força-tarefa do Projeto de Recuperação do Ministério de Agência de Defesa Nacional da Coreia do Sul para a KIA Recuperação e Identificação. KIA significa “morto em ação” e o nome da agência foi abreviado para MAKRI.

De acordo com Moon, em Arrowhead Ridge foram encontrados os restos mortais e artefatos em ótimo estado de preservação se comparado a outros lugares, onde os restos de guerra são freqüentemente fragmentados ou perdidos.

O campo de batalha foi descoberto pela primeira vez, já que a DMZ permaneceu como “terra de ninguém” desde que o acordo de armistício foi assinado em 1953.

De acordo com os testemunhos de veteranos de guerra, cerca de mil projéteis caíram na terra“, disse o sargento-mor Kang Jae-min, chefe de uma das equipes de escavação de lá.

Desde que o trabalho de recuperação começou, a MAKRI encontrou 325 partes de corpos – acredita-se ser de cerca de 50 soldados – e 23.055 artigos de guerra até 27 de maio deste ano. Os artigos incluíam uma etiqueta de identificação que pertencia a um soldado francês, cinco jaquetas americanas à prova de balas e 14 máscaras de gás usadas por soldados chineses, Moon explicou.

Fonte: Korea Herald

Quando os repórteres visitaram o lugar, a MAKRI havia concluído o trabalho de recuperação em 12.650 metros quadrados – apenas cerca de 1% da área que o projeto conjunto deve cobrir.

Se a Coreia do Norte responder e se juntar ao projeto de recuperação, a tarefa conjunta aqui pode ser concluída ainda neste ano“, acrescentou Moon. O Acordo Militar Abrangente, que visa reduzir as hostilidades entre as duas Coreias e incluindo o plano conjunto de escavação, foi assinado em 19 de setembro do ano passado, mas Pyongyang permanece sem resposta aos pedidos de Seul desde a cúpula EUA-Coreia do Norte em fevereiro.

Diversos acampamentos e pequenas cavernas de diferentes tamanhos também foram descobertos na área, onde as tropas aliadas teriam se amontoado para evitar rajadas de balas, de acordo com a MAKRI.

Atualmente, existem oito equipes, cada uma incluindo especialistas em escavação, investigação e identificação, enviadas por todo o país. Para Arrowhead Ridge, seis equipes foram implantadas, juntamente com cerca de 100 soldados de unidades próximas para o trabalho de desminagem e escavação.

No ano passado, as duas Coreias trabalharam juntas para diminuir a área do projeto. Em cinco dias de trabalho, 149 minas terrestres e 2.403 bombas não detonadas haviam sido removidas da região, segundo a MAKRI.

Repatriamento dos que se foram

A Coreia do Sul iniciou o projeto de recuperação nacional em todo o país em 2000, como parte do plano do governo para comemorar o 50º aniversário da Guerra da Coreia naquele ano. Este ano marca o 69º aniversário. Embora o projeto tenha começado como uma tarefa temporária liderada pelo Exército da Coreia do Sul, o Ministério da Defesa assumiu e estabeleceu a MAKRI em 2007 para trazer de volta cerca de 124.000 heróis da Guerra da Coreia que se acredita estarem enterrados em todo o país.

O projeto começou a trazer de volta os soldados, que ainda estariam soterrados e devolvê-los à suas famílias. É o dever da nação”, disse Ahn Sun-chan, chefe da equipe de investigação da MAKRI encarregada da área da DMZ, em entrevista ao jornal The Korea Herald.“Também é importante que as pessoas saibam que a vida foi sacrificada pela paz que desfrutamos agora.” continuou Ahn.

A MAKRI é considerada uma das duas únicas entidades no mundo que conduzem sistematicamente projetos de recuperação, sendo a outra a Agência de Defesa dos Estados Unidos da América Prisoners of War (POW)/Missing In Action (MIA) ou DPAA. Estes nomes significam nome significam “prisioneiros de guerra” e “desaparecidos em ação”.

Fonte: Korea Herald

Quando a MAKRI encontra os restos mortais de um soldado estrangeiro, ela informa ao governo interessado e repatria o corpo ou o enterra no Cemitério Memorial das Nações Unidas em Busan. Para os soldados americanos, a MAKRI realiza análises conjuntas com o DPAA dos EUA. “Outros países como o Japão e o Vietnã também manifestaram interesse em criar suas próprias equipes de recuperação“, disse Ahn.

Em pouco menos de uma semana, 11.550 partes de corpos, das quais 10.221 são consideradas soldados aliados, foram encontradas. Mas apenas 132 soldados foram devolvidos às suas famílias.

A MAKRI é responsável não só pela escavação dos restos mortais, mas também pela realização de inspeções preliminares para determinar a idade, sexo, altura e raça. Documentos militares registrados na época, depoimentos de veteranos de guerra e artigos encontrados em torno dos restos são usados ​​no trabalho de identificação.

“, disse Ahn, acrescentando que as etiquetas de identificação e os nomes inscritos em coisas como garrafas de água são achados preciosos.

A etapa final antes de um corpo poder ser devolvido à família é a análise de DNA, que é conduzida separadamente no Comando de Investigação Criminal do Ministério da Defesa.

Enquanto a MAKRI é responsável por coletar e gerenciar amostras de DNA das famílias enlutadas para enviar aos analistas, a coleta de dados é um processo lento. Até o momento, a agência coletou cerca de 43.000 amostras, não o suficiente para fazer progressos adequados. Para acelerar o processo, desde abril, a MAKRI ofereceu recompensas aos membros das família que fornecerem seu DNA.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.