Um Gayageum (Um Tipo De Harpa De 12 Cordas) é tocada enquanto as pessoas desfrutam de pratos e chás da realeza, durante o "Convite para a cozinha do palácio Gyeongbok" deste ano: O programa "Suragan Sisikgonggam" organizado pela Administração Do Patrimônio Cultural e pela Fundação Do Patrimônio Cultural Da Coreia, teve início em 8 De Junho e vai até 20 De Junho na Sojubang do Palácio Gyeongbok, ou cozinha Real. [ADMINISTRAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL]. Foto: Korea JoongAng Daily

Uma das primeiras séries de k-drama histórico coreano que desencadeou a onda de cultura coreana conhecida como hallyu, foi “Dae Jang Geum” da MBC (2003-4), que conta a história de uma cozinheira órfã Jang-geum (interpretada pelo atriz Lee Young-ae) que futuramente se torna a primeira médica do rei.

A série foi uma sensação tanto na Coreia quanto no exterior. Tinha uma média de 45,8% de audiência na Coreia, tornando-a a 10ª série dramática coreana mais bem avaliada de todos os tempos sendo exibida em 91 países.

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Dae Jang Geum (ou Jóia do Palácio, português). Foto: Film Affinity

Especialistas da indústria do entretenimento, dizem que o drama foi “realmente o principal fator de atração do interesse global pelo vestuário tradicional coreano conhecido como hanbok, os palácios reais e os edifícios conhecidos como hanok, as cozinhas tradicionais coreanas chamadas hansik e para a confeitaria coreana chamada hangwa”.

A cozinha onde Jang-geum trabalhava como uma jovem aprendiz de cozinheira dentro do Palácio Gyeongbok, era chamada Sojubang. Estava localizada ao leste de Daejeon, ou quarto da cama do rei.

A Sojubang, foi destruída durante a Guerra de Imjin (1592-98) entre a Coreia e o Japão, foi reconstruído pelo rei Gojong em 1865, mas novamente demolido pelos japoneses durante sua colonização em 1915. Em 2004, a Administração do Patrimônio Cultural descobriu o local onde Sojubang costumava estar localizada e começou a restaurá-la com base em informações históricas. Foi concluída em 2015 e aberta ao público em maio do mesmo ano.

A Sojubang é composta por três construções – a cozinha externa chamada Oesojubang, a cozinha interna chamada Naesojubang e Saengmulbang, uma cozinha onde eram feitos pratos de confeitaria.

Oesojubang é onde a comida era preparada e cozida para grandes banquetes e festividades sazonais como o Dia de Ano Novo, Dano (o quinto dia do quinto mês do calendário lunar) Chuseok (o tradicional feriado de colheita da Coreia), e Dongji (solstício de inverno, a noite mais longa do ano), bem como para ocasiões reais especiais como os aniversários de reis, rainhas e outros membros reais do palácio.

Naesojubang é onde a comida era preparada e cozida para as principais refeições – café da manhã, almoço e jantar – que eram servidas aos reis e rainhas da Dinastia Joseon (1392-1910). As refeições reais eram preparadas por cozinheiros de alto nível com apenas os melhores ingredientes, que incluíam produtos locais especiais e raros vindos de todas as partes do país para a capital.

Cada um dos cinco palácios da Coreia tinha cozinhas. Mas agora, as únicas cozinhas restantes estão nos palácios Gyeongbok e Changdeok. No entanto, como a do Palácio Changdeok foi mudada para um estilo ocidental, a única cozinha tradicional coreana só pode ser vista no Palácio Gyeongbok.

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Oficiais no Palácio Gyeongbok vestidos de cortesãos do palácio, esperam para cumprimentar os participantes da Sojubang, a cozinha Real do Palácio Gyeongbok no evento “Convite para a Cozinha do Palácio Gyeongbok”: Suragan Sisikgonggam″ programa organizado pela Administração do Patrimônio Cultural e pela Fundação do Patrimônio Cultural da Coreia. Foto: YONHAP

A Administração do Patrimônio Cultural e a Fundação do Patrimônio Cultural da Coreia deram início ao “Convite para a Cozinha do Palácio Gyeongbok”: Suragan Sisikgonggam”, um programa no início da noite de verão que permite aos visitantes degustar a cozinha real ou confeitarias reais e chás tradicionais no Sojubang do Palácio Gyeongbok em 8 de junho. O programa vai até 20 de junho.

Os visitantes só podem experimentar a comida e os petiscos reais de Sojubang sempre que forem organizados programas especiais. Portanto, o concurso para “Convite para a Cozinha do Palácio Gyeongbok”: Suragan Sisikgonggam” foi algo feroz. Os ingressos, que foram vendidos via Ticket Interpark por 25.000 won (cerca de 20 dólares), foram comprados em minutos. A Administração do Patrimônio Cultural disse que fará uma reserva baseada em um esquema de sorteio para mais bilhetes nos dias 15 a 17 de junho, e também acrescentou que há cancelamentos frequentes, pois as pessoas se esquecem de fazer os pagamentos até o prazo final, portanto “fiquem de olhos abertos para as vagas de última hora”.

Os participantes têm que escolher um dos dois programas – Sikdorak ou Saenggwabang. O programa é executado duas vezes à noite, uma às 18h10 e outra às 19h30, quando o palácio fecha seu funcionamento diário. Para aqueles que querem desfrutar da comida, chá, música e do palácio real após o pôr-do-sol, é melhor selecionar a segunda opção, pois o sol ainda está muito forte por volta das 18 horas.

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Pratos parte do programa Sikdorak. Foto: Yim Seung-Hye

O programa Sikdorak é realizado dentro de Oesojubang, a maior cozinha, no entanto, os participantes não poderão ver a cozinha propriamente dita ou o processo de preparo. É mais como uma experiência gastronômica. Uma vez tirado seus sapatos e escolhido um lugar em uma das mesas para um, chamadas soban, você será servido uma refeição cheia de pequenos pratos, bem decorados em estilo real em luxuosas louças coreanas, ou yugi.

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Um prato de aperitivos e chá servido como parte do programa Seanggwabang. Foto: Yim Seung-Hye

Há um total de seis pratos e uma xícara de chá. É aconselhável comer primeiro um mingau chamado Tarakjuk, feito de leite e arroz. Assim que você tiver uma colher cheia de juk (mingau) na boca, uma brincadeira começará no pátio. Cortesãs, ou, na verdade, funcionários que trabalham no Palácio Gyeongbok, aparecerão enquanto falam sobre cada prato e como foi “tão difícil conseguir o leite para fazer o mingau”.

O leite era reservado apenas para a família real e funcionários de alto escalão conhecidos como yangban. Sentindo-se com pena dos jovens bezerros que não podiam beber o leite de suas mães, o rei Yeongjo (1724-1776) é dito que uma vez proibiu as pessoas de consumir leite, embora fosse uma de suas bebidas favoritas.

A seguir, você pode comer o Maekjeok, ou deonjang (pasta de soja fermentada) de porco marinado, embora a ordem em que você come os pratos não tenha realmente importância a partir de agora. Este prato é originário de Goguryeo (37 a.C. a 668 d.C.) e é dito ser a criação original do prato popular, bulgogi.

Tangpyeongchae é uma salada de geleia de feijão-mungo, um prato muito saudável apreciado no final da primavera e início do verão. É temperada com um molho feito com molho de soja coreano conhecido como ganjang, vinagre, açúcar, sementes de gergelim e óleo de gergelim. Este prato apareceu pela primeira vez durante uma festa que o rei Yeongjo organizou para apaziguar a relação conflituosa entre os partidos políticos. Esta “política” de realizar festas frequentes era chamada de Tangpeyongchaek, que significa literalmente a política de “harmonia” e “meditação”.

Outros pratos incluídos neste programa são, Oiseon, ou pepino cozido a vapor com outros vegetais, Dubuseon, ou tofu cozido a vapor com outros vegetais e um prato de aparência curiosa que parece uma bola de pêlo, que na verdade é um peixe corvina seco ensopado e temperado com ganjang. O chá servido, é um omija frio, um chá coreano tradicional feito de frutas de magnólia secas.

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Tendas oferecendo aos participantes aperitivos tradicionais coreanos. Foto: Administração Cultural Do Patrimônio

O programa Saenggwabang, realizado em Saenggwabang, serve seis pratos diferentes e um chá de sua escolha. A música Gayageum (harpa de 12 cordas) é tocada ao vivo no pátio enquanto você desfruta do seu chá da noite. Se você gosta de doces, Saenggwabang deve definitivamente ser sua escolha. Você será aconselhado a começar da esquerda para a direita, pois isso “permite que você desfrute de todos os sabores”, diz uma das cortesãs ao fazer o seu pedido de chá que conta com seis opções diferentes.

Esta repórter, enquanto participava do programa, em uma cobertura de imprensa na semana passada, escolheu um chá Gamgukda, recomendado para pessoas que queiram “acalmar sua raiva”.

Os pratos, começam com Guseonwangodo. Um tteok (bolinho de arroz), descrito no livro Donguibogam como um tteok medicinal. Esta enciclopédia médica foi escrita e compilada pelo médico da era Joseon Heo Jun, e foi designada como tesouro nacional pelo estado.

Os outros aperitivos são o juak, que tem gosto de donut de arroz glutinoso, seguido pelo jeongwa de nozes e maçã (uma massa crocante e mastigável feito combinando frutas ou sementes frescas com mel, água com açúcar ou xarope de arroz), yakgwa, um tipo de biscoito feito com farinha e mel e maekjakgwa, um biscoito frito feito com farinha, mel, pinoli e gengibre.

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Um participante jogando Gyeonggu – um tradicional jogo da realeza – similar a um jogo de pólo. Foto: Yim Seung-Hye
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Uma participante, embrulhando um presente com bojagi – um tradicional pano de embrulho coreano -, durante uma prévia do “Convite para a Cozinha do Palácio Gyeongbok”: Suragan Sisikgonggam” no dia 3 de junho, no Sojubang do Palácio Gyeongbok, . Foto: Yim Seung-Hye

Os participantes também podem desfrutar dos jogos tradicionais da corte, tirar fotos e aprender a como fazer estes pratos típicos. Há também um local onde os participantes podem aprender a como fazer o embrulho de presente tradicional, usando bojagi, um pano tradicional de embrulho.

Um espaço cheio de diferentes estandes oferecendo diversas opções de comidas tradicionais, (embora não sejam refeições da realeza), também foi instalado perto de Sojubang para que os participantes possam desfrutar.

Para maiores informações, visite: chf.or.kr.

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