A Conferência de Moscou, em 1945 estabeleceu a Comissão Conjunta, que se encontrou diversas vezes durante o ano de 1946 para discutir como estabelecer um governo provisório unificado na península coreana. Entretanto, a crescente antipatia entre os dois lados levou a um impasse prolongado. Uma vez que Syngman Rhee removeu todos os elementos moderados e assumiu o Conselho Representativo Democrático na primavera de 1947, com isso, o caminho para um governo separado ao sul foi estabelecido.

O governo dos Estados Unidos pediu para que a – recém formada – Organização das Nações Unidas (ONU) formasse a “United Nations Temporary Commission on Korea” (UNTCOK) – Comissão Temporária das Nações Unidas sobre a Coreia – com o objetivo de supervisionar as eleições da Assembleia Constitucional Coreana (Korean Constitutional Assembly) em 18 de maio de 1948 e o processo que levaria ao estabelecimento da República da Coreia em 15 de agosto de 1948. A Assembleia Constitucional elegeu Syngman Rhee, que caminhou sem oposição e se tornou o primeiro presidente da República da Coreia. Os soviéticos não aceitaram participar dessa eleição porque eles controlavam uma área da Coreia que possuía uma população menor do que a área controlada pelos americanos. Por isso, no dia 25 de agosto de 1948, as soviéticos realizaram as suas próprias eleições e com isso surgiu a República Popular Democrática da Coreia, popularmente conhecida como Coreia do Norte.

Syngman Rhee. Fonte: wikipédia
Syngman Rhee.
Fonte: wikipédia

Bem, vocês podem estar se perguntando o porquê de Syngman Rhee ter surgido como líder da Coreia do Sul e o que aconteceu com seus rivais. Após a libertação da península coreana do governo japonês, houve uma política de assassinato e, em resumo, os rivais de Rhee foram mortos. A primeira vítima foi o comunista Hyon Chun-Hok, morto em setembro de 1945. Apesar de ser comunista, ele não cooperava com o norte e sua morte ainda é um mistério. Porém, existem algumas especulações acerca do acontecido e um deles coloca que o norte esteja envolvido na sua morte, pois Chun-Hok não cooperava (ao máximo) com eles.

Song Chin-U era editor do jornal Tonga Ilbo durante o período colonial e uma das poucas figuras conservadoras que não colaborou com o Japão, também foi assassinato em 1945, após sugerir que os coreanos devessem considerar o plano de tutela da Conferencia de Moscou em dezembro de 1945. Especula-se que Kim Gu estivesse por trás desse assassinato, mas nada foi confirmado.

Yo Un-Hyong sobreviveu a várias tentativas de assassinato, mas em 19 de julho de 1947 ele foi assassinado. Muitos o consideravam como o mais “moderado” entre os líderes coreanos e sua morte acabou com a possibilidade dos coreanos se unirem sob a liderança de uma figura centralista, disposta a trabalhar com todos os lados do espectro ideológico.

Yo Un-Hyong Fonte. Wikipedia
Yo Un-Hyong
Fonte. Wikipedia

O assassinato de Kim Gu é provavelmente o mais famoso dos citados. Em abril de 1948, Kim II Sung convidou Gu para Pyongyang, com o objetivo de discutir meios de prevenir a divisão da Coreia através de uma coalisão entre os líderes coreanos. Enquanto boa parte dos líderes conservadores apoiavam eleições separadas no sul, Kim Gu aceitou o convite de ir a conferencia no norte e se recusou a reconhecer a legitimidade das eleições de maio de 1948, sugerindo que não gostaria de fazer parte da recém-formada Assembleia Constitucional que elegeu o presidente Syngman Rhee. Kim Gu foi assassinado em novembro de 1948 e multidões se reuniram para o seu funeral, mostrando seu respeito a uma das poucas vozes que – naquele momento – se opuseram à divisão da Coreia.

Kim Gu. Fonte: Wikipedia
Kim Gu.
Fonte: Wikipedia

Apesar das negociações referentes a unificação da Coreia terem continuado entre os anos de 1945 e 1947, o movimento para a separação dos Estados começou cedo durante o período de libertação, e a violência crescente dificultou ainda mais. Syngman Rhee surgiu no sul e Kim II Sung no norte, em parte, porque muitos dos seus rivais foram – sistematicamente – eliminados durante esse período de violência. Entretanto, foi também durante esse período que uma geração de lideranças coreanas surgiram com o objetivo de estabelecer – de novo – a nação coreana.

Até a próxima!


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