Pela primeira vez em uma década, os sul-coreanos se perguntam se o país finalmente estará em paz com a Coreia do Norte.

Kim Ki-hoon, um trabalhador de 35 anos de Seul, está entre os muitos que mantêm um otimismo cauteloso com o novo avanço na península, que foi forjado pelos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang e levou a acordos de reuniões do Norte com Seul e Washington.

Houve ocasiões em que as relações entre a Coreia do Sul e o Norte eram ruins e outras em que eram boas, e quase sempre pioravam com o tempo. Mas acredito que desta vez pode ser diferente, porque foi o próprio presidente Kim (Jong-un) quem disse que a Coreia do Norte vai desnuclearizar e que vai realizar uma cúpula com os Estados Unidos“, disse ele.

Uma recente pesquisa com 500 sul-coreanos adultos feita pelo Realmeter, instituto de pesquisas local, mostrou que 63% dos entrevistados receberam bem a mudança recente na atitude da Coreia do Norte, enquanto 45,7% disseram não confiar na disposição do país para desnuclearizar.

Uma possível mudança na atitude do Norte foi destacada na semana passada quando o recluso líder do Norte, Kim Jong-Un, encontrou-se com um grupo de cinco enviados especiais do presidente sul-coreano Moon Jae-in.

Nesta foto, tirada em 11 de Fevereiro de 2018, o presidente sul coreano Moon Jae-in (D) é visto ouvindo Kim Yo-jong (segunda a direita), enquanto assista as performances do grupo de arte da Coreia do Norte em Seul. Kim Yo-jong, a irmã mais nova do líder norte coreano Kim Jong-un, visitou a Coreia do Sul em como uma enviada especial de seu irmão para entregar o convite para convidar o presidente Moon Jae-in a visitar Pyongyang para uma cúpula intercoreana. (Yonhap)
Nesta foto, tirada em 11 de Fevereiro de 2018, o presidente sul coreano Moon Jae-in (D) é visto ouvindo Kim Yo-jong (segunda a direita), enquanto assiste as performances do grupo de arte da Coreia do Norte em Seul. Kim Yo-jong, a irmã mais nova do líder norte coreano Kim Jong-un, visitou a Coreia do Sul em como uma enviada especial de seu irmão para entregar o convite ao presidente Moon Jae-in para visitar Pyongyang para uma cúpula intercoreana. (Yonhap)

Na reunião sem precedentes com autoridades sul-coreanas realizada na segunda-feira passada, Kim Jong-un disse que seu país estava disposto a desnuclearizar em troca de uma garantia de segurança.

Ele também se ofereceu para realizar um encontro com Moon no final do mês que vem, no lado sul-coreano da Área de Segurança Conjunta, também conhecida como Panmunjom, ao longo da fronteira fortemente fortificada entre as coreias. A reunião, se realizada, será a terceira entre os líderes das duas Coreias, que tecnicamente permanecem em guerra. Também fará de Kim Jong-un o primeiro líder norte-coreano a pisar em solo sul-coreano desde o final da Guerra da Coreia de 1950-53.

O que surpreendeu o mundo veio alguns dias depois, quando o enviado chefe de Moon, Chung Eui-yong, entregou uma mensagem do líder norte-coreano ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propondo a primeira cúpula EUA-Coreia do Norte.

Trump concordou em se encontrar com Kim Jong-un antes do final de maio.

(Via Yonhap)
(Via Yonhap)

Eu sei que eles têm um longo caminho a percorrer, mas acho que podemos ver a desnuclearização (da Coreia do Norte) desta vez“, disse Kim Ki-hoon, que trabalha para uma empresa farmacêutica em Seul e disse também que seu trabalho raramente é afetado pelas mudanças nas relações inter-coreanas, mas que em sua vida a sensação é diferente.

Meu trabalho não tem nada a ver com a Coreia do Norte, mas afeta minha vida porque me deixa nervoso todos os dias“, disse ele. Kim diz que muitas vezes pensou em imigrar para um país diferente, mas que sua vida, trabalho e família o impediram de partir. Ele espera que a recente reaproximação entre as duas Coreias levará à sua unificação em um futuro não tão distante.

Se eles estiverem unidos, talvez meus (dois) filhos não precisem ir ao exército. Ou pelo menos eles não terão que se preocupar com uma guerra como eu“, ele disse.

Para aqueles mais velhos, a unificação com a Coreia do Norte, e muito menos qualquer paz duradoura, ainda parece exagero.

Eu costumava ter pesadelos com visitas que chegavam a minha casa à noite e matavam toda a minha família”, disse Jang Sang-ryeol, 49, citando a famosa história de Lee Seung-bok – um menino sul-coreano de nove anos de idade. que foi dito ter sido morto por comandos norte-coreanos em sua casa em 1968, depois de bravamente gritar na cara deles que odiava os comunistas.

Agora eu entendo que a história pode ter sido inventada, mas o medo e o ódio contra os comunistas ainda podem estar lá dentro da minha mente e muitos como eu na minha faixa etária“, disse Jang, um médico de Seul.

Ainda não tenho grandes esperanças para a Coreia do Norte porque nunca sabemos o que o Norte dirá, mas se de fato desistir de suas armas nucleares, isso certamente mudará a maneira como vejo o país“, acrescentou.

O Presidente Moon aparentemente concorda que não será uma tarefa fácil livrar o estado comunista de suas armas nucleares de uma vez por todas.

Agora temos uma chance muito preciosa de desnuclearizar a península coreana“, disse ele em uma reunião semanal com seus principais assessores na segunda-feira. “O que esperamos conseguir em um curto período de tempo de cerca de dois meses é uma grande transição que o mundo não conseguiu realizar até agora. E é por isso que podemos não ser otimistas sobre o resultado e devemos permanecer cuidadosos no processo“.

Muitos outros concordam que não será um objetivo fácil de alcançar, e é por isso que eles acreditam que Moon e seu aliado dos EUA, Trump, podem estar preparados para um Prêmio Nobel da Paz caso consigam desnuclearizar o Norte.

Essa foto, tirada em 11 de março de 2018, mostra os espectadores sul coreanos acenando com bandeiras que representam a Coreia unificada, enquanto torciam pelos atletas nas Paraolimpíadas de Inverno de PyeongChang de 2018, a cerca de 180 quilômetros leste de Seul. (Yonhap)
Essa foto, tirada em 11 de março de 2018, mostra os espectadores sul coreanos acenando com bandeiras que representam a Coreia unificada, enquanto torciam pelos atletas nas Paraolimpíadas de Inverno de PyeongChang de 2018, a cerca de 180 quilômetros leste de Seul. (Yonhap)

Para Moon, isso também vai acarretar para ele e sua administração liberal pelo menos mais um voto.

Eu sou conservador até os ossos, mas se o presidente Moon resolver a questão nuclear norte-coreana, tenho certeza de que poderei apoiá-lo, porque isso é algo que ninguém mais foi capaz de fazer até agora”, disse Jeon Kyung-hoon, um trabalhador de 42 anos em Seul.

Eu ainda não confio na Coreia do Norte, mas espero que as coisas corram bem desta vez. Eu apoiarei o Presidente Moon se ele conseguir afastar os perigos da guerra pelo menos para o meu filho. Espero que meu filho não tenha que ter os medos que eu tenho“, acrescentou.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.