Como observamos nas postagens anteriores, a península coreana passou por uma ocupação japonesa entre os anos de 1910 e 1945, quando o Japão foi vencido no fronte asiático da Segunda Guerra Mundial e com isso os países ocupados por este foram libertos, inclusive a península coreana. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, entramos na chamada Guerra Fria e devido a sua posição geográfica, a península coreana era de interesse dos dois principais países que estavam nesse conflito: Estados Unidos (EUA) e União Soviética (URSS). Com isso, o território coreano foi inicialmente dividido entre estes países, com o norte “pertencendo” a URSS e o sul aos EUA.

Também pudemos observar as eleições de 1948 e o surgimento da República Popular da Coreia – ao sul – e da República Democrática Popular da Coreia – ao norte – com seus respectivos lideres Syngman Rhee e Kim Il Sung – avô do atual líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un. Além disso, vimos que apesar de existir uma forte vontade de erguer de novo a população coreana como uma só nação, ideologicamente falando o país se encontrava dividido.

Antes da Guerra

Em julho de 1949, as tropas dos EUA deixaram o território coreano, mas mantiveram um grupo chamado Consultivo Militar da Coreia, que auxiliaria a Coreia do Sul na criação do seu próprio exército, enquanto o Norte fazia o mesmo com o auxílio da URSS. Durante os anos de 1949 e 1950, ocorreram confrontos na fronteira de ambos os países, muitos iniciados pelo sul.

Apesar desses conflitos e do desejo do governo norte – coreano, Stalin não teria aceito o ataque do Norte ao Sul por acreditar que aquele não era o momento correto. Devido a mudanças internacionais (como as forças de Mao vencendo a Guerra Civil Chinesa e com este concordando em enviar forças caso necessário) Stalin deu seu apoio a ofensiva do exército de Kim II Sung, mas sem enviar forças soviéticas de força aberta ao combate, de modo a evitar uma possível guerra direta com os EUA.

Apesar de existirem suspeitas dos oficiais da inteligência sul-coreana e americana de que uma invasão pudesse ocorrer, previsões semelhantes foram feitas em anos anteriores e nunca foram concretizadas. A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) observou que o exército norte-coreano estava se movimentando para o sul, mas entendeu isso como uma medida defensiva devido aos recentes conflitos que existiram perto da fronteira. No dia 23 de junho, observadores da ONU inspecionaram a fronteira dos países e não detectaram sinais de uma guerra iminente.

O Início da Guerra

Ironicamente, a Guerra da Coreia começou dois dias depois, na madrugada do dia 25 de junho de 1950, com o ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul. A batalha começou na península de Ongjin, no oeste. O governo norte-coreano justificou essa agressão alegando que o exército do sul teria atacado primeiro e que o norte além de se defender, pretendia prender e executar Syngman Rhee, líder da Coreia do Sul e considerado um traidor para o norte. Inicialmente, existiram informações sul-coreanas de que eles capturaram a cidade de Haeju, o que levou alguns estudiosos a argumentarem que os sul-coreanos realmente atiraram primeiro.

Nessa Imagem Vemos O Paralelo 38 Como Previsto Inicialmente. Em Destaque Estão Ongjin (Branco) E Haeju (Azul). Fonte: Google
Nessa imagem vemos o paralelo 38 como previsto inicialmente. Em destaque estão ongjin (branco) e haeju (azul).
fonte: google

Bem, o ataque tendo sido do norte ou do sul, o ponto é que dentro de uma hora as forças norte-coreanas atacaram ao longo do paralelo 38, pegando tanto o exército sul coreano como os conselheiros estadunidenses de surpresa e conquistando Seul em três dias.

Essa Foto Não Datada Pelos Serviços Norte-Coreanos De Comunicação, Mostra Soldados Da Coreia Do Norte Em Ação Durante A Guerra. Fonte: The Korea Times

Essa foto não datada pelos serviços norte-coreanos de comunicação, mostra soldados da Coreia do Norte em ação durante a guerra. Fonte: The New York Times

O exército norte-coreano estava melhor preparado e equipado para o ataque. Enquanto estes utilizavam de forças de arma combinadas, com tanques apoiados com artilharias pesadas, os sul-coreanos não tinham tanques, armas antitanque ou artilharia pesada que pudesse impedir um ataque dessa magnitude.

Página Do Jornal Brasileiro &Quot;O Estado De São Paulo&Quot; Do Dia 27/06/1950. Na Manchete Podemos Ver Escrito &Quot;A União Soviética Endossa A Agressão Contra A Coreia Do Sul&Quot; E Mais Duas Frases: &Quot;Entram As Forças Comunistas Na Capital Da Coreia Do Sul&Quot; E &Quot;O Conselho De Segurança Ordena A Cessação Das Hostilidades&Quot;.
Página do jornal brasileiro “o estado de s. Paulo” do dia 27/06/1950. Na manchete podemos ver escrito “a união soviética endossa a agressão contra a coreia do sul” e mais duas frases: “entram as forças comunistas na capital da coreia do sul” e “o conselho de segurança ordena a cessação das hostilidades”. Fonte: acervo estadão – o estado de s. Paulo.

Em 27 de junho, o líder sul-coreano evacuou Seul e no dia 28 de junho o exército sul-coreano explodiu a ponte Hangang, na tentativa de deter o exército norte-coreano de chegar a capital sul-coreana. Infelizmente essa ponte foi detonada enquanto cerca de 4.000 refugiados a atravessavam e centenas foram mortos. A destruição dessa ponte também ocasionou no aprisionamento de diversas unidades militares da Coreia do Sul ao norte do rio Han. Apesar dessas medidas, o exército norte-coreano invadiu Seul nesse mesmo dia. Com o norte controlando a capital da Coreia do Sul, 48 dos políticos que ali permaneciam prometeram fidelidade ao Norte. Neste mesmo dia, Rhee ordenou o massacre dos supostos opositores políticos que estivessem em território sul-coreano.

Imagem Com Parte Ponte Destruída Em 1950, Com O Rio Han Passando Por Baixo. Fonte: The Korea Times.
Imagem com parte ponte destruída em 1950, com o rio han passando por baixo.
fonte: the korea times.

O ataque inicial do norte foi impactante e em cinco dias a partir do início da guerra, as forças sul-coreanas foram de 95 mil homens para 22 mil homens. No início de julho, com a chegada das forças dos EUA, os soldados sul-coreanos que sobreviveram passaram a responder ao comando da ONU liderado pelos EUA.

A Entrada dos Estados Unidos e a Resposta da Organização das Nações Unidas (ONU)

No dia 25 de junho de 1950, os EUA acionaram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e recomendaram que os membros da Organização providenciassem algum tipo de ajuda ao governo da Coreia do Sul. Com a URSS boicotando as reuniões do Conselho de Segurança como protesto pela presença de Taiwan, então representante da China, a recomendação dos Estados Unidos foi aceita e o órgão (através da Resolução 82) criou uma força multinacional, liderada pelos Estados Unidos, para ajudar o Sul.

Com o continuo avanço das tropas norte-coreanas em direção a capital sul coreana, a ONU entrou com duas novas resoluções: a resolução 83 e 84. Em 27 de junho de 1950, a Resolução 83 reconheceu o ataque do Norte como uma violação da paz, capacitando a ONU a apoiar uma intervenção militar. No mesmo dia, o presidente estadunidense Harry S. Truman ordenou que as forças aéreas e marítimas dos Estados Unidos ajudassem o exército sul-coreano. Esse movimento fez com que em 4 de julho de 1950, o vice-ministro das Relações Exteriores da União Soviética acusasse os Estados Unidos de intervirem militarmente a favor da Coreia do Sul, em um conflito visto por eles como uma guerra civil.

Fuzileiros Navais Dos Estados Unidos Em Incheon, Na Coreia Do Sul, Em 1950. Fonte: The New York Times
Fuzileiros navais dos estados unidos em incheon, na coreia do sul, em 1950.
fonte: the new york times

Se antes existia uma conversa sobre a reunificação do país, ela se transformou em um combate às forças norte-coreanas, que continuou avançando no seu ataque e rapidamente “empurraram” os militares sul-coreanos para o chamado “Perímetro de Busan”, que era uma área de cinquenta por cinquenta quilômetros ao sudeste da Coreia do Sul. Com isso, em 07 de julho de 1950, entrou em vigor a resolução 84 que reconheceu o suporte dado pelos EUA por meio das resoluções 82 e 83.

Por hoje é só pessoal. A Guerra da Coreia é cheia de detalhes e eu quero trazer para vocês tanto uma visão interna como uma visão externa desse conflito. Além disso, por se tratar de uma região geográfica que pode ser desconhecida para muitos, eu pretendo sempre trazer fotos e mapas para vocês.

Então, para saber como continua esta história, acompanhe a próxima postagem da coluna de HISTÓRIA, no mês que vem.

E aproveitando a conversa, como vocês preferem as postagens? Vocês querem que eu faça postagens mais longas? Com mais fotos ou mais texto escrito? Os comentários de vocês são muito importante para mim <3

Até a próxima!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

4 COMENTÁRIOS

  1. Olá Carol, meu nome é Anemarg, sou acadêmica de História – Bacharelado na UFSM, estou tentando dar inicio a um projeto de pesquisa sobre a Coreia, se puderes me passar algumas de tuas fontes (livros, sites..) ficaria agradecida, pois estou encontrando dificuldades quanto a isso, e gostaria muito de abordar este tema(Coreia) em meu projeto. Desde já agradeço!

    • Olá Anemarg!

      Que felicidade saber que mais um grupo de estudantes vão pesquisar sobre a Coreia! Então, você colocou um e-mail ao comentar aqui, tudo bem se semana que vem eu enviar para você – através desse e-mail – alguns links que utilizo?

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