Nos últimos seis anos, Lee Sun-hwa lutou pelo reconhecimento internacional das mergulhadoras da Ilha de Jeju, ou Haenyeo, como um Patrimônio Cultural da Coreia que pode inspirar pessoas ao redor do mundo.

Seus anos de esforço foram recompensados. O legado das Haenyeo foi aprovado pela UNESCO para ser adicionado à lista de Patrimônio Cultural Imaterial durante a sessão intergovernamental em Addis Abada na Etiópia, em dezembro.

O legado se tornou o 19o patrimônio cultural da Coreia do Sul a entrar na lista. “Finalmente conseguimos,” disse Lee Sun-hwa, membro do Conselho da Província Autônoma Especial de Jeju. “Mas o reconhecimento da UNESCO não significa que minha missão acabou. Existem outros processos futuros a nossa espera para que possa se tornar um patrimônio cultural mundial.”

Sun-hwa considera as Haenyeo como pioneiras da liderança feminina. Em uma sociedade dominada por homens, elas eram as provedoras que alimentavam suas famílias e providenciavam oportunidades educacionais para seus filhos.

As mergulhadoras de Jeju, no passado. Foto: Shuterstock
As mergulhadoras de Jeju, no passado. Foto: Shuterstock

Sua autoridade organizadora era fundamental para viabilizar o progresso da comunidade durante tempos difíceis. Se reuniam para oferecer ajuda aos vizinhos que necessitavam, em especial órfãos e idosos. Além disso, também eram guerreiras independentes, que durante a ocupação japonesa, lutaram contra os japoneses para proteger os direitos dos moradores da ilha.

A história da Ilha de Jeju é a história das Haenyeo” disse a jornalista e política. “São parte essencial dessa ilha porque são peças-chaves por de trás do que Jeju significa hoje“.

Lee Sun-hwa, membro do Conselho da Província Autônoma Especial de Jeju. Foto: Lee Sun-hwa/The Korea Times
Lee Sun-hwa, membro do Conselho da Província Autônoma Especial de Jeju. Foto: Lee Sun-hwa/The Korea Times

Sun-hwa é uma descendente das Haenyeo de Jeju. Ela nasceu, foi criada e casou-se em uma família de Haenyeo. Sua mãe e avó eram mergulhadoras assim como sua sogra. Sua familiaridade com as Haenyeo se transformou em sua missão após ela ser eleita como membro do conselho em 2010.

Por volta da mesma época, a Prefeitura de Mie no Japão trabalhava para inserir as Ama, a versão japonesa das Haenyeo, na lista de UNESCO.

Isso levou Lee Sun-hwa a embarcar em uma campanha global pelo reconhecimento das Haenyeo como Cultura Endêmica da Coreia, que nasceu e se desenvolveu na ilha.

Ela promoveu vários eventos para aumentar a consciência pública do projeto da UNESCO e para apresentar as Haenyeo como pioneiras em liderança feminina em assembleias e seminários assistidos por deputados. Ela também organizou exibições com fotos e documentários sobre as Haenyeo para alavancar o apoio para o projeto da UNESCO.

Inicialmente, as pessoas de Jeju não compreendiam o porque da necessidade do projeto da UNESCO,” ela disse. “Mesmo as próprias Haenyeos eram tímidas sobre suas contribuições às suas famílias e economia local. Elas se consideravam trabalhadores do mar e disseram que seu legado não era algo que merecia reconhecimento mundial”.

Para muitas Haenyeos mais velhas, mergulhar não era uma carreira que escolheram. Elas não tinham outras opções de trabalho, apenas o mergulho. Na década de 1960, quando a nação era muito pobre, muitas jovens da ilha não tinham acesso à educação. Eram encorajadas a se sacrificar para que seus irmãos tivessem melhores oportunidades educacionais.

Estátua em homenagem à Haneyo na Ilha de Jeju. Foto: Shutterstock.
Estátua em homenagem à Haenyeo na Ilha de Jeju. Foto: Shutterstock.

Sem educação, essas jovens eram encorajadas a ir para o mar como meio de vida. Sun-hwa expõe como foi difícil para essas mergulhadoras mudarem sua perspectiva sobre seu papel na comunidade.

Ela conheceu os membros da Assembleia Nacional e representantes do Ministério da Cultura, Esporte e Turismo para atrair apoio ao projeto. O Ministério da Cultura inicialmente estava se preparando para inscrever as Haenyeos coreanas na lista da UNESCO. O ministério mudou seu foco para as Haenyeo de Jeju, não como Haenyeos Coreanas, depois de uma reunião com Lee Sun-hwa.

Haenyeo são originalmente da Ilha de Jeju e algumas se mudaram para a província de Gangwon-do ou para cidades litorâneas do sudeste como Busan ou Geoje a procura de emprego na década de 1930” disse ela. “Por isso eu convenci a equipe do Ministério da Cultura a mudar curso de ação para focar nas Haenyeo de Jeju, e não nas Haenyeo em geral.”


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