O pastor japonês Nomura Motoyuki, 89 anos, é um embaixador cívico auto designado, que dedicou toda a sua vida a ajudar coreanos e japoneses a se reconciliarem devido a seu passado trágico.

O Rev. Nomura, também fotógrafo e autor de três livros de fotografias está em turnê pela Coreia e declara que o Japão deve um sincero pedido de desculpas ao seu vizinho.

Como cidadão do país que ocupou a Coreia, acho que o Japão precisa oferecer um pedido de desculpas aos coreanos“, disse ele no prefácio de seu último livro, intitulado “Gangchon na Coreia“, publicado pela Noonbit Publishing.

Ele reiterou seu desejo de que o Japão tome medidas para consertar os laços com a Coreia.

Imagem: Província de Gangwon 1968 (Nomura Motoyuki) – The Korea Times

Nomura visitou as periferias de Seul na década de 1970 para alimentar os mais pobres, já que seu governo ignorou seus repetidos telefonemas e pedidos de ajuda.

O pastor conseguiu levantar dinheiro para ajudá-los a viver uma vida melhor. Ele vendeu seus bens e usou o dinheiro para salvar uma pequena igreja com dificuldades financeiras perto de Cheonggye Stream, no centro de Seul e também organizou grupos de caridade dos EUA para ajudar com bens e serviços nas décadas de 1960 e 1970.

 

Desde sua primeira visita ao país, em 1968, ele viajou entre a Coreia e o Japão dezenas de vezes para cumprir seu compromisso de ajudar esses dois vizinhos a encerrar sua animosidade histórica e seguir em frente.

Seu novo livro “Gangchon na Coreia” é outro gesto para transmitir sua mensagem de agradecimento aos coreanos pela receptividade – O livro contém 136 fotos, em preto e branco, de nativos que viviam na cidade rural perto do rio Bukhan, na província oriental de Gangwon. As fotos foram tiradas em 1968.

No prefácio, ele disse ter tido sentimentos confusos quando o avião pousou no Aeroporto Internacional de Gimpo – “Eu ansiava por visitar a Coreia desde a década de 1950 e finalmente entrei em seu território no verão de 1968“, disse ele. “Não pude esquecer o nervosismo que senti quando meu avião chegou ao aeroporto de Gimpo, que costumava ser um campo de aviação da força aérea japonesa durante o período colonial“.

Naquela época, o pastor japonês lembrou que as pessoas dos dois países tinham uma profunda desconfiança mútua. Os coreanos suspeitavam de seus motivos ali, enquanto que os japoneses eram sarcásticos em relação à sua missão no país, disse ele.

Os japoneses que estavam cientes da minha viagem à Coreia me perguntavam descaradamente por que eu queria ir para lá. Quando eu disse que gostaria de desempenhar um papel na construção da paz entre os dois países, a maioria deles era cética“, disse.

(Nos anos 60) a economia japonesa não era boa. Lembro que a situação na Coreia do Sul era ainda pior porque o país estava enfrentando dificuldades econômicas e instabilidade política“.

Imagem: 1968 (Nomura Motoyuki) – The Korea Herald

Sua missão na Coreia estava cheia de obstáculos e ele enfrentou críticas nas duas frentes. Ele sofreu escárnio de colegas japoneses. Enquanto que os coreanos, que ainda estavam se recuperando da Guerra da Coreia, suspeitaram de seus motivos e revelaram uma profunda desconfiança em relação a japoneses como ele.

Mas ele encontrou um vislumbre de esperança em meio à frustração. Os coreanos que ele conheceu em Gangchon eram calorosos e tentaram ajudá-lo.

O Rev. Nomura mencionou um diretor de uma escola secundária em Gangchon que estava disposto a fornecer um lugar para ele ficar e o ajudou a se sentir em casa durante sua visita.

Gangchon na Coreia” apresenta o calor e a hospitalidade dos coreanos em relação ao raro visitante japonês. O cenário rural e pacífico da Coreia – agricultores em roupas brancas e os icônicos sapatos de borracha preta e crianças com sorrisos felizes foram eternizados por Nomura Motoyuki.

Morando em Kobuchizawa, na província de Yamanachi, aninhado no alto das montanhas, Nomura lamenta o agravamento das relações Coreia-Japão nos últimos anos.

Ele próprio gostava de ser chamado de ‘avô’ em coreano, em vez de reverendo ou pastor Nomura porque ele considera esses títulos um símbolo de autoritarismo“, disse Lee Kyu-sang, fundador e editor da Noonbit Publishing.

Ele está preocupado com os laços entre a Coreia e o Japão, pois eles estão indo de mal a pior e a pandemia de coronavírus tornou as coisas ainda piores, uma vez que diminuiu os voos entre eles“.

Gangchon na Coreia” foi lançado poucos meses após o seu segundo livro “Memories of Yushin” ter sido publicado pela Noonbit Publishing.

Seu primeiro livro de fotografias “Nomura Report” (2013) mostra os moradores do bairro de Cheonggye, no centro de Seul, nas décadas de 1960 e 1970.


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