28Um dos artigos de vestuário mais importantes para os coreanos, no final do século XIX, era o chapéu.

Um homem idoso, com seu majestoso chapéu de crina de cavalo preto, muitas vezes visto em fotos, é a representação mais icônica da sociedade masculina coreana durante a era Joseon (1392 – 1897).

Imagem: Korea Times

De acordo com Percival Lowell, um americano que morou em Seul no inverno de 1883-1884, “nenhum coreano pode, decentemente, aparecer sem ele [chapéu], exceto apenas para abrir espaço para outro chapéu“.

Era um sinal de masculinidade, “o mais essencial dos atributos” e um distintivo da posição de alguém na sociedade.

Lowell estava encantado com a diferença entre a cultura coreana e americana. Enquanto que nos EUA era considerado falta de educação usar chapéu em ambientes fechados e raramente as pessoas tiravam seus sapatos, exatamente o oposto acontecia na Coreia.

“Um homem se desfazia de qualquer uma ou de todas as suas roupas antes de tirar o chapéu. Ao entrar em uma casa, ele deixa os sapatos do lado de fora para aguardar seu retorno, mas ele e seu chapéu entram juntos”.

“Quando ele se senta para comer, ele se despoja de suas vestes externas para poder comer com maior liberdade, mas seu chapéu permanece; e assim fica com ele ao longo da vida – uma auréola preta permanente.”

Mais que chapéus

Imagem: traje de luto (Korea Times)

Naquela época haviam muitos tipos de chapéus.

Dentre eles, o icônico gat, que era feito com a crina do cavalo e bambu, possuía uma tonalidade escura e uma certa transparência.

Segundo a tradição popular, suas bordas largas eram uma maneira de evitar ser incomodado por outras pessoas e manter os conspiradores da época bem afastados, uma vez que esses não conseguiam sussurrar os seus segredos.

Havia também um chapéu para o luto, feito de bambu. Ele foi projetado para esconder o rosto pois era “uma grave violação de etiqueta olhar para o rosto do enlutado“.

Os primeiros missionários franceses usavam esse chapéu para se disfarçarem enquanto viajavam pela península antes da década de 1880.

Eles foram capazes de se mover em relativo sigilo, pois ninguém tentava se comunicar com um enlutado.

Já os chapéus dos funcionários da corte tinham abas dobradas para frente, muito semelhante às orelhas.

Dizia-se que elas simbolizavam a atenção e a disposição do usuário em “pegar cada palavra de comando que o rei pudesse pronunciar”.

Imagem:Funcionário da Corte (Korea Times)

No começo do século XX, a Coreia passou por muitas reformas no vestuário – algumas pessoas as aceitaram prontamente enquanto que outras, especialmente aqueles que lidavam com penteados e chapéus, foram veementemente contra.

“Um homem está muito mais ligado ao seu chapéu do que à sua esposa. Ele pode ficar sem a mulher, mas sem o chapéu a vida se torna um escárnio, pois é o chapéu que faz o homem. Sem ele, permanecem meninos para sempre”.

Funcionários do Governo, na Era Joseon. Foto: Koreatimes

Os chapéus permaneceram como parte da cultura masculina durante a primeira metade do século XX, mas desde então desapareceram.

As únicas exceções são aqueles usadas por homens idosos na área de Jongno ou os bonés coloridos e brilhantes que jovens e adultos usam quando estão com seus amigos.

O icônico halo preto não existe mais.


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