Yongwon Kim teve uma visão. Aparentemente, durante suas viagens ao Japão, em 1876, ele ficou apaixonado por câmeras.

Isso o levou a fundar o primeiro estúdio de fotografia coreano em Seul no final de 1883. Ele foi auxiliado por dois fotógrafos japoneses: Shunosuke Honda e possivelmente Teijiro Kameya.

Pouco se sabe sobre esse estúdio de fotografia, mas aparentemente os negócios iam bem; outros dois coreanos abriram seus próprios estúdios – Unyoung Chi, que estudou fotografia no Japão, e Chol Hwang, que talvez tenha adquirido sua experiência e equipamentos da China.

Naquela época, a Coreia era um paradoxo de obsessão e ao mesmo tempo medo da modernização e das maravilhas ocidentais. Os principais clientes dos primeiros estúdios de fotografia eram os membros mais jovens e progressistas da alta sociedade de Joseon – a vaidade era provavelmente a principal razão pela qual eles pagaram por esse serviço caro.

Famosa foto do rei Gojong,1883-84. Fonte: The Korea Times

O rei Gojong também tirou uma foto. Em 16 de março de 1884, Unyoung Chi recebeu o privilégio de tirar o retrato de seu monarca – o que aconteceu com as fotografias depois é desconhecido. Mas será que Chi foi mesmo o primeiro?

Sabemos que Percival Lowell tirou várias fotos do monarca, do príncipe herdeiro e de outros membros da corte coreana durante sua permanência em Seul, no inverno da passagem dos anos 1883-84. Algumas de suas fotos foram publicadas depois em seu livro e muitas delas ainda inéditas podem ser encontradas em vários outros arquivos.

Os membros mais conservadores da corte coreana, bem como muitas pessoas comuns supersticiosas, viam essa tecnologia moderna com suspeita. Logo circulavam nas ruas rumores sobre as atividades nefastas não apenas dos fotógrafos japoneses, mas também dos coreanos.

Chol Hwang gostava de tirar fotos de marcos e paisagens, mas essa prática chegou ao fim quando começaram a circular rumores de que as árvores logo murcharam e morreram depois que ele as fotografou. Quando as fotos de grupo eram tiradas, alegava-se que a pessoa no centro seria a primeira a morrer – talvez sua essência viva tenha sido sugada pelo poder da câmera.

Arredores do antigo palácio 1883-83. Fonte: The Korea Times.

O estúdio de Hwang foi logo vandalizado e ele, preso, acusado de revelar segredos nacionais a japoneses e outros estrangeiros. Aparentemente, ele passou algum tempo na prisão antes de finalmente ser libertado. Ele teve sorte.

Logo após sua libertação, Seul entrou em violenta agitação por causa do golpe de Gapsin. Os estúdios de fotografia, assim com outras modernizações, foram destruídos por multidões de conservadores coreanos furiosos e até mesmo por alguns cidadãos chineses. Os três fotógrafos coreanos conseguiram escapar da cidade, mas os japoneses não tiveram a mesma sorte.

O jornal de língua inglesa North China Herald descreveu o destino de um fotógrafo sem nome (possivelmente Shunosuke Honda):

O fotógrafo japonês tinha se ausentado de casa para tratar de negócios no dia 6 e nunca mais foi visto. Ele provavelmente foi morto ao tentar chegar em casa. À noite, alguns chineses (não soldados) invadiram sua casa e sua esposa foi estuprada. Eles estavam a ponto de matar as crianças se outro chinês não os tivesse parado e levado as crianças para sua casa. Eles foram levados, na manhã seguinte, para a Legação dos EUA sob uma escolta militar chinesa. Eles estão no Japão agora.”

Funcionários de uma legação estrangeira. Foto: The Korea Times

Em uma semana, a paz foi restaurada na capital, mas por vários anos a arte da fotografia morreu na Coreia, menos nas mãos de estrangeiros.


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