No momento em que a Coreia se vê meio à uma crise com a atual Presidente Park Geun-Hye, o jornal Korea Herald traz à luz, alguns outros problemas que o país enfrentou com presidentes anteriores.

A Coreia do Sul já elegeu 11 presidentes – dos quais seis foram eleitos de modo direto – mas quase todos tiveram finais de mandatos sombrios. Três foram forçados a abrirem mão do mandato, um foi assassinado e outro abraçou a morte num suicídio depois de aposentado. Muitos tiveram seus legados manchados por escândalos e dois foram presos.

A presidente Geun-Hye park, a única líder mulher e solteira dos 11, parece não ter conseguido sair ilesa.
A presidente Geun-Hye park, a única líder mulher e solteira dos 11, parece não ter conseguido sair ilesa.

Com apenas 16 meses para o fim do seu mandato de cinco anos, Geun-Hye enfrenta uma crise humilhante que também coloca em risco seu trabalho, já que sua amiga e confidente, a civil Choi Soon-Sil, é acusada de cometer diversos crimes ao se aproveitar de seu relacionamento de 40 anos com a presidente.

O índice de aprovação de Geun-Hye sofreu uma queda que nenhum de seus antecessores jamais viu – 5% de acordo com a pesquisa lançada pelo Gallup Korea semana passada. Em outra pesquisa, 65% disseram que desejam que ela seja removida do cargo.

Rhee Syng-Man
Rhee Syng-Man

A classe de presidentes sul coreanos se inicia na era de Rhee Syng-Man, o primeiro chefe de estado do país. Idolatrado por conservadores por sua contribuição para as fundações da nação e odiado por liberais devido a ditadura, Syng-Man fraudou as eleições presidenciais para garantir que seu aliado Lee Ki-Poong se tornasse vice-presidente em 1960.

Confrontado por uma revolta popular imensa, que culminou no Movimento de 19 de Abril, Syng-Man abriu mão do cargo em 29 de abril de 1960, após 12 anos de mandato. Ele fugiu para o Havaí e morreu exilado 5 anos depois.

Park Chung-Hee, o pai da atual Presidente
Park Chung-Hee, o pai da atual Presidente

Um dos fins mais dramáticos foi o de Park Chung-Hee, que foi assassinado com um tiro em 26 de outubro de 1979, em um evento que muitos comparam como o equivalente coreano para o assassinato de César por Brutus. Ele foi morto por Kim Jae-Gyu, então diretor da Agência de Inteligência Coreana e companheiro próximo de Chun-Hee, que alegou agir em prol do país.

Isso encerrou os 16 anos de mandato à punho de ferro do General das Forças Armadas Chung-Hee, que tomou o poder por meio de um golpe de estado. Isso também deixou a jovem Park Geun-Hye, futura presidente, órfã e o país nas mãos do primeiro-ministro Kyu-Hah Choi.

Dois presidentes que chegaram a ocupar a Cheong Wa Dae (Casa Azul) após o líder interino Kyu-Hah – Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo, concluíram seus mandatos, mas enfrentaram muitos problemas depois. Ambos enfrentaram retaliação por suprir os movimentos democráticos de 1990. Em 1994, 22 ex-oficiais militares processaram Doo-Hwan, Tae-Woo e outros 32 oficiais envolvidos no golpe de 1980 que levou Doo-Hwan ao poder. Também foram acusados de coletar quantidades maciças de fundos secretos ilegais.

Chun Doo-Hwan
Chun Doo-Hwan

Doo-Hwan foi sentenciado à morte por seu envolvimento no golpe, mas a sentença foi reduzida depois a uma prisão perpétua, enquanto Tae-Woo recebeu uma sentença de 17 anos de prisão. Ambos foram presos, mas perdoados em 1997.

Roh Tae Woo
Roh Tae Woo

A era do Presidente Kim Young-Sam, o primeiro presidente civil a ser eleito, se iniciou em 1993 com muitas esperanças. Seus índices de aprovação chegaram a 83% em seu primeiro ano de mandato. No último ano, porém, o índice havia caído para 6%, já que a economia da Coreia do Sul estava próxima da falência devido ao impacto da crise financeira asiática de 1997. Esse foi o menor índice de aprovação na história da Coreia, até a Presidente Park Geun-Hye estabelecer um novo recorde com 5%.

Kim Young-Sam
Kim Young-Sam

Enquanto esteve no cargo, Young-Sam também presenciou a prisão de seu filho sob acusações de suborno e abuso de poder por ser filho do presidente.

Kim Dae-Jung
Kim Dae-Jung

O próximo presidente, Kim Dae-Jung, recebeu o prêmio Nobel da Paz em seu terceiro ano de mandato, mas também viu seus dois filhos serem presos por suborno.

Roh Moo-Hyun
Roh Moo-Hyun

A era do Presidente Roh Moo-Hyun também foi cheia de drama. Ele foi eleito com uma vitória por virada histórica. O político liberal e ex-advogado de direito humanos se tornou o primeiro presidente a passar por um processo de impeachment em 2004. Apenas sobreviveu ao processo por imenso apoio popular, mas sua popularidade despencou durante o seu último ano de mandato.

Após sua aposentadoria, membros de sua família foram envolvidos em escândalos de suborno. A intensa investigação da promotoria, que suspeitou que havia influência política, resultou no suicídio de Moo-Hyun em 23 de maio de 2009. A promotoria encerrou as investigações após sua morte.

Lee Myung-Bak
Lee Myung-Bak

O Presidente Lee Myung-Bak, antecessor de Park Geun Hye enfrentou um escândalo antes mesmo de assumir o cargo. Foi acusado de participar de um esquema de aparelhamento de preço de ações em 2008, quando os sul coreanos fizeram vigílias imensas à luz de velas para protestar contra sua decisão em um acordo de comércio para importação de carne dos Estados Unidos.

Como podemos perceber, não é de hoje que a política sul-coreana tem seus altos e baixos, como qualquer outro lugar do mundo.


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