Com a recente confirmação do impeachment da Presidente da Coreia, Park Geun-hye, muitos procuraram relembrar um pouco de sua jornada política que começou em um contato direto, aos 11 anos, no início do governo de seu pai Park Chung-hee.

Geun-hye ao centro, na infância, com seus pais e irmãos.
Geun-hye ao centro, na infância, com seus pais e irmãos.

A agora ex-presidente, nascida em 2 de Fevereiro de 1952 em Daegu, Coreia do Sul, teve seu primeiro contato com política através de seu pai Park Chung-hee, militar e presidente, que governou o país com punho de ferro por cerca de 18 anos. Até hoje, seu governo incita opiniões polêmicas – alguns o intitulam como uma ditadura, que ignorou direitos humanos e atrasou a democratização da Coreia do Sul. Outros o glorificam por construir as bases econômicas do país e permitir o milagre econômico nomeado de “Milagre do Rio Han”.

Independente dos ponto-de-vista existentes, o fato é que os abalos da vida política de Park Chung-hee não afetaram apenas a ele mesmo, mas toda sua família, como por exemplo, no assassinato de sua esposa Yuk Young-soo em uma tentativa de ataque ao marido quando Park Geun-hye tinha 22 anos. Como resultado dessa tragédia, a então graduanda de Engenharia pela Universidade Songang, passou a atuar como primeira-dama no lugar de sua mãe, carregando o peso dos olhares e expectativas tanto de seu pai quanto de um país inteiro.

Park Geun-hye e seu pai, Park Chung-hee.
Park Geun-hye e seu pai, Park Chung-hee.

Cinco anos mais tarde, Park Geun-hye sofreu com a perda de mais um membro da família, dessa vez seu pai foi assassinado pelo chefe de Inteligência, Kim Jae-kyu em 26 de Outubro de 1979. A vida de Geun-hye, desde então se focou em sua carreira política, tanto que muitos a consideram uma pessoa muito tímida e extremamente reservada.

Geun-hye no dia do funeral de seu pai.
Geun-hye no dia do funeral de seu pai.

Por volta dos anos de 1970, iniciou-se a relação com a família de Choi Tae-min, pai de Choi Soon-sil, amiga e confidente de Geun-hye que viria a ser a responsável por seu impeachment.

PRESDIENTE 2
O então presidente Park Chung-hee, sua filha e o homem que ficou conhecido como sendo o conselheiro da futura presidente, Choi Tae-min, também pai da pivô do Impeachment Choi Soon-sil.

Em 1998, Park Geun-hye se tornou vice-presidente do Grand National Party e iniciou seu mandato como membro da Assembleia Nacional. Durante os próximos anos, sua ascensão no meio político a renderam o apelido de “Rainha das Eleições” e em 2012, ela foi eleita presidente pelo Partido Saenuri (Grand National Party Reformado) em uma disputa acirrada contra o liberal e advogado dos direitos humanos, Moon Jae-in.

No dia de sua eleição, Geun-hye foi manchete nos principais jornais de seu país - a primeira mulher coreana a se eleger Presidente.
No dia de sua eleição, Geun-hye foi manchete nos principais jornais de seu país – a primeira mulher coreana a se eleger Presidente.

Seu mandato começou com uma alta popularidade, mas alguns afirmam que sua eleição tenha sido resultado da força ativa do nome de seu pai. Como qualquer outro presidente, sua vida pessoal se tornou alvo de críticas incluindo seu status matrimonial como solteira, às quais ela respondia que havia “se casado” com a nação coreana, de modo a reafirmar seu compromisso com o desenvolvimento e unificação do país.

Apesar de ser a primeira presidente mulher da Coreia do Sul, sua nomeação não é considerada um grande marco para as mulheres e para movimentos feministas dentro do país. Isso devido ao fato de Park Geun-hye pertencer a um clássico grupo conservador e não demonstrar muito diálogo com grupos civis que lutam pela igualdade de gênero ao longo de sua caminhada política. A Coreia do Sul ainda se encontra nas piores posições entre os países da OECD no que diz respeito à igualdade de gênero.

Park Geun-hye e ex-presidente Barack Obama
Park Geun-hye e ex-presidente Barack Obama

Sua popularidade inicial foi rapidamente afetada devido à falta de diálogo com a oposição, o que rendeu uma virada dentro da Assembleia Nacional fazendo com que o Partido Saenuri perdesse a maioria das cadeiras, isolando a presidente no plenário. Outros fatores também afetaram seu governo como economia enfraquecida, criticas sobre sua relação e atitudes com a Coreia do Norte e Japão, projeto educacional de revisão dos textos didáticos de história e liberação de livros autorizados pelo governo, o acidente com a Balsa Sewol e, finalmente, o escândalo envolvendo Choi Soon-sil.

No que diz respeito ao acidente da Balsa Sewol, que resultou na morte de mais de 300 pessoas, a presidente é questionada sobre sua lentidão em se comunicar com o público, esforços falhos em lidar com a equipe de resgate e crise entre os setores público e privado. Sua dificuldade em lidar com a situação resultou em uma investigação pela promotoria devido ao seu “Sumiço de Sete Horas”.

A influência de Choi Soon-sil nos assuntos de Estado, incluindo documentos oficiais e sigilosos, e em questões pessoais da própria presidente levou a uma investigação policial sobre seu enriquecimento ilícito e favorecimento de suas empresas em negócios com o governo. O aporte do escândalo foi tamanho que afetou várias grandes empresas da Coreia do Sul, incluindo a grande Samsung e seu herdeiro, que renunciou a presidência da empresa e foi preso em 2017.

Manifestantes ridicularizam Park Geun-hye e Choi Soon-sil.
Manifestantes se vestem de Park Geun-hye e Choi Soon-sil em protesto.

A presidente pediu desculpas ao povo publicamente diversas vezes, mas nunca confirmou seu envolvimento como cúmplice de Choi Soon-sil, apenas pediu desculpas por confiar nas pessoas erradas e por envergonhar o povo.

O final de seu governo foi marcado pela maior série de manifestações da história da Coreia do Sul. Foram seis finais de semanas seguidos com multidões enchendo as ruas de Seul demandando o impeachment da presidente e punição dos envolvidos. Agora, na última sexta-feira, dia 10 de Março de 2017, o impeachment foi confirmado e encerrou seu mandato.


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