O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, enfatizou a necessidade de descobrir a verdade sobre quem ordenou o uso da força militar contra manifestantes civis pró democracia na cidade de Gwangju em 1980.

A questão permanece sem resolução mesmo depois de quatro décadas desde o Movimento de Democratização de 18 de maio, em meio a tentativas contínuas de ocultar e distorcer fatos”, disse o presidente em uma entrevista especial.

Ainda não foi revelado quem ordenou o ataque e onde está a responsabilidade legal“, disse Moon à estação regional de Gwangju da MBC, uma importante emissora sediada em Seul.

Movimento de Democratização de 18 de maio

Imagem: Alchetron

Em maio de 1980, a junta militar da Coreia do Sul, liderada por Chun Doo-hwan, declarou lei marcial para reprimir os protestos pró democracia. A cidade de Gwangju, 270 quilômetros ao sul da capital, estava no centro do movimento.

Por 10 dias, a partir de 18 de maio, muitos cidadãos comuns se juntaram à manifestação, enfrentando milhares de paraquedistas oficiais enviados para a cidade. Os soldados realizaram espancamentos indiscriminados, tortura e agressões sexuais e até abriram fogo contra manifestantes.

Dados oficiais, compilados até agora, estimam o número de mortes de civis em cerca de 200, mas muitos dizem que pode ser muito maior.

Imagem: Alchetron

A tragédia de Gwangju ainda é um forte alvo político e ideológico na Coreia do Sul. Alguns políticos e estudiosos fizeram, repetidamente, comentários imprudentes denegrindo o movimento.

Temos que identificar todas as vítimas do massacre e descobrir como foram realizados os disparos dos helicópteros e como uma operação maciça foi realizada para ocultar e distorcer a verdade“, afirmou Moon.

Não se trata apenas de punição legal contra os responsáveis, mas de um caminho baseado na verdade em direção à “genuína reconciliação e unidade“, acrescentou.

As declarações do presidente vieram logo após o lançamento de um comitê independente de inquérito na semana passada. Ele disse que o governo tem grandes expectativas sobre as atividades do comitê e prometeu apoio ativo.

Moon também enfatizou que o valor histórico e o significado da insurreição de Gwangju devem ser inscritos em uma nova Constituição.

Se a revisão da Constituição for discutida novamente, o espírito do movimento deve se refletir no preâmbulo”, disse.

Espera-se que Moon participe da cerimônia oficial para o 40º aniversário do Movimento de 18 de maio em Gwangju nessa segunda-feira.

Imagem: The Korea Times

O presidente liberal disse que sentiu “raiva” pela ausência de seus predecessores conservadores – Lee Myung-bak e Park Geun-hye – no evento anual durante suas presidências.

Sobre a “Revolução das Velas“, que começou no final de 2016 e levou ao impeachment de Park, Moon disse que é muito cedo para colocá-lo no preâmbulo de uma Constituição, citando preocupação com uma possível controvérsia política sobre o caso.

Moon conduziu a entrevista no pavilhão Sangchunjae dentro de Cheong Wa Dae.


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