A palavra folclore tem sua origem no inglês – ela corresponde à junção de folk (povo; tribo; nação) e lore (erudição; saber), por isso ela é utilizada para designar o conjunto de tradições e manifestações populares de uma nação.

O folclore se manifesta de diversas formas: na dança, na música, em lendas e mitos que são passadas de geração em geração.

Nesse post nós vamos lhe apresentar 7 pequenas histórias do folclore tradicional coreano que parecem saídas de um filme de terror!

 

Raposa de nove caudas (Gumiho – 구미호)

Imagem: Korean drama

As raposas de nove caudas são bem populares nos contos coreanos, japoneses e chineses. De acordo com essas lendas, trata-se de uma raposa que vive por mil anos e que pode mudar de forma livremente. No entanto, sua forma preferida é a de uma bela jovem que seduz os homens e se alimenta de suas almas desafortunadas.

No conto coreano “The Fox Sister” temos um casal, com dois filhos, que realmente queria uma filha. Orando fervorosamente por esse milagre a família foi de fato abençoada com uma. No entanto, a história feliz e singela logo se transformou em pesadelo quando a família começou a notar que o gado estava morrendo misteriosamente.

Os dois irmãos então passaram a investigar toda a história e chegaram a conclusão que a responsável era a irmãzinha – acusação que os pais rejeitaram com firmeza. Os dois filhos foram expulsos e, quando decidiram voltar para casa, descobriram que a única pessoa que restava na casa da família era a irmã.

Na noite de seu retorno, o filho mais velho foi despertado de seu sono apenas para descobrir que sua irmã mais nova era na verdade um espírito de uma raposa assassina que havia devorado o resto da família para se tornar um humano de verdade.

Hoje em dia, no entanto, é mais provável que você encontre raposas de nove caudas (ou representações domesticadas delas) vagando em K-dramas como “Minha namorada é um Gumiho”, “Rancor: a revolta de Gumiho” e “Livro da família Gu” (nesse K-drama o espírito da raposa é retratado por um homem).

O folclore original empresta um toque de misticismo a esses dramas contemporâneos através de conceitos como transformações físicas e o desejo da raposa pela mortalidade.
Houve até uma menção à lenda no famoso reality show “Running Man”, onde Song Ji Hyo e as outras convidadas tiveram que coletar nove caudas para “se tornarem humanas”.

Fantasma virgem (Cheonyeo Gwishin – 청녀 귀신)

Imagem: Soompi

Longos cabelos pretos e vestidos brancos parecem familiares? Pois essa é a forma como as Cheonyeo gwishin aparecem!

A palavra gwishin pode ser traduzida como fantasma e se encaixa na categoria de lendas coreanas. Esses seres são aprisionados à terra dos vivos devido a tarefas não cumpridas e impostas a um imenso sofrimento.

De todos os fantasmas, (talvez) os mais assustadores são as meninas virgens que levaram uma vida maldita por morrer antes de poderem cumprir seus “deveres Confucianos” de servir seus futuros esposos.

Amarguradas e ressentidas, dizia-se que esses espíritos aterrorizavam suas antigas aldeias e que os habitantes tentavam acalmá-las com… estátuas fálicas. Algumas dessas estátuas ainda existem – o Haesindang Park, em Samcheok, por exemplo, hospeda uma delas.

Por mais temerosa que seja a sua reputação, as fantasmas virgens aparecem de formas mais “suaves” na televisão. O drama “Oh My Ghostess” conta a história de uma fantasma que possui o corpo de uma assistente de um chef de cozinha para que, assim, ela possa perder sua virgindade e descansar em paz.

No engraçado MV de “V” de 2013, de Lee Jung Hyun, o fantasma virgem também recebe uma recompensa digna de K-pop; o vestido branco e esfarrapado é trocado por um vestido de noiva glamouroso e o fantasma faz parte de uma gangue feminina de zumbis!

Fantasma Ovo (Dalgyal Gwishin – 달걀귀신)

Imagem: Haunted Attraction online

Você deve estar pensando: O que tem de assustador num “Fantasma Ovo”?

Pois imagine: uma aparição sem nenhuma feição e muito menos emoções. É justamente a simplicidade de seus traços que causam desconforto. Os Dalgyal gwishin são considerados indivíduos que não tiveram filhos em suas vidas passadas.

Sem descendentes para realizar ritos memoriais para eles, esses espíritos são gradualmente despojados da humanidade e da personalidade que já tiveram e são amaldiçoados a uma existência miserável.

Mesmo sem nenhum motivo, os fantasmas inevitavelmente causam morte instantânea para qualquer um que os veja, tirando a vida de suas vítimas da mesma maneira que eles a perderam.

Fantasmas da Água (Mul Gwishin – 물귀신)

Imagem: Soompi

Nascido de vítimas de afogamentos acidentais, os fantasmas da água são seres que ficaram presos no mundo dos vivos e devido ao trauma sofrido e buscam constantemente a ajuda ou a companhia de outros nadadores.

Da próxima vez que você estiver em um lago ou no mar e sentir algo puxando você, pode ser um fantasma da água tentando te atrair!

No filme de horror coreano “Caro Amigo”, fantasmas da água vão atrás de um grupo de estudantes depois que as meninas usaram um tabuleiro coreano de oujia (chamado de “bunshinsaba”) para conduzir uma sessão e visitam uma nascente em uma floresta.

Deusa do Banheiro (Cheuksin – 측신)

Imagem: History

Presente nos antigos e tradicionais banheiros coreanos (que ficavam do lado de fora das residências), essas divindades se apresentam na forma de mulheres de cabelos compridos e são brutais e muito hostis.

Diz-se que qualquer um que se aproxima do banheiro externo precisa tossir três vezes para alertar a deusa de sua presença e dar-lhe tempo para fugir. No entanto, se alguém deixar de fazê-lo, ela se lançará em uma fúria maligna envolverá seu cabelo no pescoço da vítima até estrangulá-la.

Mesmo que os infelizes escapem da morte, eles ainda serão infligidos com uma mistura de doenças incuráveis pela ciência moderna.

Se você acha que isso é coisa do passado, agora que essas dependências não estão em uso, você está, infelizmente, enganado!

Em “Let’s Fight Ghost“, um exorcista chamado Bong Pal (Taecyeon, do 2PM) esbarra em uma dessas entidades enquanto está escovando os dentes. Envolvida em névoa escura, a mulher de cabelo comprido o teria ignorado, porém, percebe que o exorcista pode vê-la.

Gif: My Refugee Blogspot

O Ceifador (Jeoseung Saja – 저승 사자)

Imagem: Seoul Searching

De La Calavera Catrina, no México, ao clássico Grim Reaper adotado em todo o Ocidente, personificações da morte atravessam as culturas.

Na Coreia, os ceifadores são como deuses da morte que colhem as almas dos mortos. Sob a responsabilidade do Grande Rei Yŏmna, os ceifadores escoltam as almas da terra dos vivos para o submundo após a sua morte.

Embora esses deuses da morte façam aparições múltiplas em todo o folclore tradicional coreano, eles são frequentemente superados por seus oponentes, que trapaceiam a morte com sucesso.

Um dos raros contos em que um ceifador é capaz de realizar sua tarefa é no “Mito do General Sineui“. Nesse folclore, o forte e talentoso General Sineui tenta afastar o profeta mortal, sem sucesso, chegando a perfurar sua cabeça com uma agulha de prata e lutando contra legiões de fantasmas no submundo.

A cada vez, o inabalável deus da morte encontra uma maneira de frustrar o grande general, aludindo à futilidade de enganar a morte.

No entanto, nem todos os ceifadores têm que passar por obstáculos tão árduos para transportar suas cargas para o reino inferior.

O da série “Goblin” cumpre suas funções sem problemas e sem falhas, usando seus poderes sobrenaturais para checar sua lista de mortes potenciais (e algumas vezes, até mesmo causando-as). Amarrando o passado e o presente para mostrar como os destinos dos personagens estão interligados, o drama também revelou os primórdios de como surge um ceifador .

Goblin (Dokkaebi – 도께비)

Imagem: The Trebouchet

Os goblins coreanos são criados pela posse espiritual de objetos que contém uma mancha de sangue humano. Com um arsenal de poderes e habilidades extraordinárias, esses goblins não devem ser negligenciados.

Os goblins são seres semelhantes aos duendes e possuem uma personalidade bem contrária – ou estão ajudando os humanos ou os fazendo de bobos.

Em um conto folclórico tradicional, um velho mantinha amizade com um goblin – bebiam e conversavam normalmente até que teve um choque ao descobrir que estava se transformando na própria criatura!

Sentindo-se traído, o velho cobriu sua casa com sangue de vaca, disse ser o terror da criatura e conseguiu escapar com sucesso do astuto goblin.

A série “Goblin” também permanece fiel à natureza poderosa e viciosa da criatura ao criar a conexão histórica com a espada manchada de sangue de um general. Brilhando em vermelho à luz do dia com o sangue dos soldados que ele havia massacrado, a espada se torna um item místico ligado ao tempo de vida do astuto goblin depois disso.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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