Various fresh vegetables in a pot - colorful fresh clear spring soup (vegetarian bouillon or stock). Kitchen scenery from above (top view). Black chalkboard background - layout with free text space.

O texto abaixo é de autoria de uma editora do Korea Herald, Eileen Cahill, que conta sua experiência com a cena vegana sul-coreana. A escritora, vegana desde o começo da década de 90, mora na Coreia há mais de 15 anos.

“Era dia 7 de agosto, três dias antes do festival A Piece of Vegan, no Parque de Inovação de Seul, no distrito de Eunpyeong. Um dos organizadores, Kang Soyang, postou uma foto do local no Facebook. Algumas salas ainda tinham traços dos antigos ocupantes: “sala de manutenção de coelhos”, “laboratório pirogênico” e “laboratório de ratos e camundongos”.

Muro com os dizeres “Olá, Seul Inno-Park” pintados. Foto: Screenshot do vídeo oficial do evento A Piece of Vegan | Youtube

Antes de seu renascimento como um centro de negócios, um lugar onde as pessoas podem procurar por soluções inovativas e criativas para problemas sociais, o espaço era ocupado pelo Centro Coreano para Prevenção e Controle de Doenças, com uma seção que fazia testes em animais.

Quando nós ouvimos sobre (esse aspecto da história do Parque de Inovação de Seul), nós nos lembramos de quantas vidas, muitas delas, nasceram nessa sala, sem sequer ter visto a luz do dia uma única vez, e acabaram aqui, no meio de gritos e silêncio“, Kang escreveu.

Kang é um dos donos do DalYang, um café-restaurante vegano que, recentemente, se mudou para o Parque de Inovação. Quando o DalYang se mudou, Kang e a outra dona, Choi Seoyun, fizeram o compromisso de mostrar aos seus novos vizinhos o que é o veganismo e de usar o espaço do complexo para sediar eventos, como o festival A Piece of Vegan.

Restaurante DalYang. Foto: Korea Herald

Esse foi o quatro festival vegano da cidade em 2019, até onde eu sei, e o sexto no Parque de Inovação desde 2016. Comidas, doces, artigos de higiene pessoal, bolsas, carteiras e muitos outros produtos e serviços estavam expostos. Os visitantes podiam participar de aulas de yoga ou comprar artesanato – até mesmo colares elizabetanos de tecido para animais domésticos se recuperando de cirurgia.

Eu conheci empreendedores como Carmen Wilson, da Wasteupso, e Park Sunghyun, da Urban Originals Korea. E conversei novamente com Kim Soyung, uma empresária que conheço há anos e que, recentemente, mudou o foco de sua loja online, que abriu em 2009, e agora vende comida vegana para animais domésticos.

Diferente dos outros festivais que aconteceram no Parque de Inovação, esse foi feito no interior do edifício e havia, até mesmo, uma estação para lavagem de louças que todos podiam usar. Não haviam copos, pratos ou talheres descartáveis, e mesmo os que foram despreparados podiam emprestar esses itens reutilizáveis.

Quando eu estava prestes a ir embora, Choi Seoyun, do DalYang, me ofereceu um sorvete de casquinha vegano.

Por ser uma das organizadoras, Choi estava muito ocupada naquele dia. Quando nós conversamos mais tarde, ela me disse que o festival estava indo bem. O comparecimento não foi o que ela esperava, mas ela me disse que, no final, 1500 pessoas foram: “até que foi bom“.

Eu perguntei como o DalYang estava indo desde a mudança. Ela me disse que ela e Kang fizeram algumas mudanças para servir melhor os clientes, que consiste, na sua maioria, em outras pessoas que trabalham no prédio.

Hamburger vegano do DalYang. Foto: Happy Cow

Se tivessem mantido o restaurante como era antes, ela disse, os clientes teriam que comer a mesma coisa todos os dias. Agora, eles alternam o cardápio, assim todos podem experimentar novos pratos veganos. “Ele amam“, diz Choi, que completou dizendo que estava muito feliz pelo Parque de Inovação de Seul ter escolhido o DalYang.

Seus colegas e vizinhos são “as pessoas mais mente aberta da Coreia“, diz Choi. Mas eles não são veganos ainda, então Choi e Kang querem mostrar a eles como o movimento vegano está crescendo e melhorando. Essa é sua principal missão. Ela quer mostrar o movimento vegano para que as pessoas do Parque de Inovação de Seul aceitem melhor o veganismo e passem a considerar o estilo de vida vegano.

Nós também conversamos sobre a estação para lavagem de louça e a falta de itens descartáveis. “Foi uma experiência muito boa“, disse Choi, que também disse não imaginar que seria possível acontecer isso em outro lugar.

Festivais parecidos, em menor escala, estão programados para acontecer quatro vezes no ano, no Parque de Inovação de Seul. Choi disse que está ansiosa para organizar exibição de filmes e mostras no Parque. Um diretor que tem um estúdio no prédio, e também é vegano, está fazendo um filme sobre lixo. Ele “pensa séria e profundamente sobre o desperdício“, diz Choi.

Antes de nos despedirmos, eu comentei sobre o post de Kang no Facebook e Choi reiterou a última parte da mensagem: organizar festivais veganos com cuidado e dedicação é uma forma de pedir desculpa aos animais que morreram nos laboratórios.

Olhando para traz, eu me lembro do tempo que não havia nenhum site como o Happy Cow para guiar os viajantes a estabelecimentos veganos. Naquela época, a Coreia do Sul era vista como um país não muito amigável para veganos. Mas, mesmo naquela época, eu consegui encontrar um grupo determinado de “pioneiros” e fui convidada a um festival em Myeong-dong, onde haviam frases de protesto como “carne é assassinato”, em inglês (tenho certeza que, em coreano, elas era mais sutis).

Logo do site HappyCow. Foto: HappyCow

Agora, os ativistas veganos tomam conta das ruas de Myeong-dong e de Hongdae, quase todos os fins de semana, com notebooks, para mostrar imagens de abatimento e confinamento de animais. Se as pessoas param para assistir, os ativistas conversam com eles sobre o que estão vendo, e se a violência os incomoda, o que geralmente acontece, os ativistas pedem para que pensem no porquê esse tipo de coisa continua acontecendo.”


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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