Não há espaço para andar no estúdio na casa de Will Kim em South Pasadena, Califórnia, por causa de um mosaico de pinturas em aquarela que estão no chão para secar. O animador coreano-americano escaneia digitalmente e individualmente cada pintura e passa por volta de 10 horas organizando centenas de jpegs em um programa de edição de vídeo toda semana. Depois de completar um projeto, ele joga fora suas pinturas preciosas, para o desgosto de sua família. Will contou ao site KoreAm que não pode se apegar aos seus trabalhos antigos porque sua garagem já tem mais pilhas de papeis do que brinquedos de seus filhos.

Nascido em Los Angeles, mas criado em Seul na primeira metade de sua vida, Will pertence a um grupo seleto de animadores que desenha meticulosamente cada quadro de um filme e não trabalha para um estúdio de animação. Para um filme animado de dois minutos, ele pinta mais de mil retratos de aquarela.

Eu já investi milhares e milhares de dólares em materiais de arte. E nem são os pincéis – são muitos papeis de aquarela”, ele disse em uma entrevista por telefone. “Mas nessa era de animação altamente digital, eu ainda pinto quadro por quadro no papel porque tem coisas que um computador não consegue imitar”.

Pinturas Que Serão Digitalizadas E Transformadas Em Animação. Foto: Instagram @Will1005
Pinturas que serão digitalizadas e transformadas em animação. Foto: instagram @will1005

Vários festivais de cinema – como o LA Film Festival, o Tribeca e o Cannes Lions International Festival of Creativity (Festival de Publicidade de Cannes) – deram atenção ao estilo único e às pinceladas coloridas animadas de Will. No mês passado, o filme curto “Waiting” (Esperando) ganhou o prêmio de melhor animação no Asians on Film Festival antes de ser aceito no San Diego Film Festival desse ano, que será nos dias 5 a 14 de novembro.

Descrito pelo criador como um “poema visual”, Waiting é uma homenagem ao seu amigo Simon, que morreu após uma longa batalha com um tipo raro de câncer no sangue. O curta é baseado em uma série de sonhos nos quais Will recebe a visita do espírito de seu amigo e captura, de uma maneira bela, a falta e a saudade que uma pessoa sente quando perde alguém amado.

No filme, há um momento que estou em um lugar surreal tentando abraçar o espírito – no final, é um abraço vazio. Foi difícil deixá-lo ir, mas ao mesmo tempo nós sabemos que o espírito dele ainda está por aqui”, afirma.

Nos vídeos abaixo, você pode conferir um pouco do maravilhoso trabalho de Will Kim.

Pai de uma criança e um bebê, Will alterna entre suas tarefas de artista, professor e cuidador em seu estúdio em casa. Ele admite que a natureza da animação é o trabalho intenso; alguns projetos levam até um ano para serem terminados, desde o primeiro rascunho até o produto final.

Eu passo várias semanas fazendo rascunhos e trabalhando na ideia. As vezes eu tenho que segurar o bebê enquanto escrevo coisas no meu telefone. É difícil”, conta. “Você não pode ser um pai perfeito e um artista ao mesmo tempo”.

Como animador freelancer, Will usa sua arte para ajudar a conscientizar as pessoas em questões ambientais. Para o documentário de 2012 “Amazon Gold” (Ouro Amazônico), ele colocou animações em aquarela que ilustravam a Floresta Amazônica morrendo por causa da mineração destrutiva e destacou a importância da preservação da floresta. As Nações Unidas exibiram o documentário durante a Convenção sobre a Mudança do Clima do ano passado.

Ver a minha animação fazendo parte de uma convenção da ONU foi um momento muito importante pra mim“, disse Will. Ele acrescenta que essa experiência fez os olhos dele se abrirem para os vários caminhos que um animador pode seguir para ter seus trabalhos distribuídos.

“Ser contratado pela Disney não é a única opção”, afirma, esperançoso de que jovens asiáticos estudantes de animação possam ter a mente aberta e considerar outras plataformas para divulgar sua arte.

Depois de concluir seu bacharelado em artes plásticas no Instituto de Artes da Califórnia em 2007, Will decidiu que não queria ser apenas um animador, queria também ser professor. No ano seguinte, ele entrou na Universidade da Califórnia como um estudante de graduação do programa de filme e televisão e se tornou mestre em animação. Com 24 anos, ele conseguiu uma vaga de professor na Universidade de Riverside, e percebeu que ele não era muito mais velho que seus alunos, que vinham de diversas famílias e culturas.

Como o único professor coreano-americano no departamento de artes plásticas da faculdade, ele espera inspirar outros que sejam diferentes a buscar a animação, que é historicamente um campo dominado por homens brancos. Seus estudantes com deficiência e de outros países têm medo de não serem bem sucedidos, mas Will diz que entende como é ser um estranho, e acredita que eles possam superar essas barreiras assim como ele.

Eu vim para os EUA em 2000 pela primeira vez, mal sabia falar inglês. Eu tinha que anotar todas as palavras para me comunicar no ensino médio”, conta. “Eu tento inspirar meus alunos e dizer a eles que não importa de onde você vem, qualquer um pode fazer isso. Eu me sinto especial por poder trazer uma mensagem positiva e influenciar meus alunos e meus dois filhos.

Para ver mais dos trabalhos de Kim, acesse o site oficial willkim.net ou a página no Instagram @will1005


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