Embora seus índices de aprovação tenham permanecido relativamente altos este ano, reforçados em grande parte pela aprovação pública de sua política inter-coreana voltada para o engajamento pacífico com a Coreia do Norte, a política doméstica do presidente sul-coreano Moon Jae-in, particularmente seu fracasso em lidar com questões econômicas, causou um impacto negativo em sua popularidade.

Os índices de aprovação de Moon atingiram 47,1% em meados de dezembro, o menor índice desde que ele assumiu o cargo em maio de 2017.

Embora Moon deva continuar impulsionando sua política externa, particularmente porque as negociações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte parecem terem chegado a um impasse, o presidente precisará focar-se mais na política doméstica em 2019 para manter sua base de apoio político. Abaixo seguem as prioridade que o governo sul-coreano precisará dar atenção especial este ano.

 

Questões econômicas

Moeda em circulação na Coreia do Sul. Imagem: Bloomberg.

Preocupações sobre o estado da economia estão no topo da lista de prioridades para muitos sul-coreanos, especialmente os jovens que procuram emprego. Apesar das tentativas do governo de Moon de revigorar o mercado de trabalho, inclusive elevando o salário mínimo e limitando o número de horas que os funcionários podem trabalhar a cada semana, o desemprego e o subemprego dos jovens continuam altos.

Nas últimas semanas, vários especialistas coreanos divulgaram previsões econômicas para 2019 e a perspectiva parece sombria. De acordo com o Instituto de Pesquisa da Hyundai, a economia do país crescerá apenas 2,5% este ano e está caminhando para uma queda no segundo semestre de 2019 ou no início de 2020.

Embora políticas econômicas possam levar algum tempo para apresentar resultados, Moon precisará encontrar maneiras mais rápidas e mais eficazes de impulsionar o crescimento econômico se quiser recuperar o apoio político dos jovens coreanos desempregados.

Envelhecimento da população

Idosos enfrentam dificuldades após a aposentadoria. Imagem: Lee Jae-Won/FT.

Embora o envelhecimento da população da Coreia do Sul seja uma preocupação há muitos anos, o país pode estar próximo de atingir um ponto de ruptura. A taxa de fecundidade geral do país tem caído consistentemente por anos, atingindo a maior baixa de todos os tempos de apenas 0,95 bebês por mulher no final de 2018. Essa taxa é menos da metade dos 2,1 bebês por mulher necessários para manter a população de um país.

O governo de Moon anunciou novas medidas de emergência em dezembro, visando tornar mais fácil para os casais consigam sustentar mais filhos, incluindo subsídios consideráveis para cuidados médicos e creches, bem como um aumento no período da licença de paternidade paga.

A administração também reconheceu a necessidade de abordar a discriminação no local de trabalho, um grande obstáculo para as mulheres que temem perder o emprego se engravidarem. Mas resolver essa questão exigirá muito mais dedicação e foco se a Coreia do Sul realmente quiser encontrar uma solução sustentável para a baixa taxa de natalidade.

No outro extremo do espectro, a crescente população idosa da Coreia do Sul também enfrenta grandes dificuldades. A taxa de pobreza dos idosos no país é de 63,3%, a mais alta entre os países da OCDE, e 31% das pessoas com 65 anos têm que aceitar trabalhos de baixa remuneração após a aposentadoria para tentar sobreviver. As taxas de suicídio entre os idosos também são particularmente altas.

Direitos das mulheres

Imagens de protesto do movimento feminista #MeToo. Imagem: Jung Yeon-je/Getty Images

De uma animada aceitação do movimento #MeToo à protestos em massa contra câmeras de espionagem e pornografia de vingança, a Coreia do Sul lutou a favor dos direitos das mulheres ao longo deste ano. Na verdade, na lista de assuntos mais comentados no Twitter na Coreia do Sul este ano, os três principais termos estavam explicitamente relacionados às questões das mulheres: “School Me Too”, “Feminismo” e “Spy Cam”.

No entanto, o movimento feminista sofreu alguns contratempos no final do ano, desde a absolvição do governador Ahn Hee Jung de acusações de estupro até os discursos do rapper San E contra as feministas da Coreia.

2019 vai mostrar se os ativistas e defensores dos direitos das mulheres conseguem sustentar o movimento, apesar do retrocesso recente. E o governo de Moon terá que decidir o papel que quer desempenhar nesta questão – embora Moon tenha claramente apoiado o movimento #MeToo no começo do ano, o governo coreano tem se mantido longe dessas questões até agora.

Segurança

Ministério da Segurança Pública. Imagem: Lee Jin-man/AP.

Quando Moon concorreu para a presidência na primavera de 2017, uma de suas promessas foi construir uma Coreia mais segura, livre de acidentes desnecessários. Infelizmente, 2018 assistiu a uma série de incidentes, como incêndios grandes, acidentes de helicóptero e descarrilhamento de trens.

Enquanto muitos desses incidentes individuais resultaram em protestos públicos significativos em relação a cortes e inspeções mal realizadas, tem havido surpreendentemente poucas reclamações sobre questões gerais de segurança. No entanto, se esta tendência continuar em 2019, mais pessoas podem se envolver. Moon deve se concentrar em revisar os regulamentos de segurança – não apenas para proteger sua vida política, mas também a vida de seus cidadãos.

Meio ambiente

Poluição do ar em Seul. Imagem: The Korea Herald.

Na Coreia, tem sido recorrente nos últimos anos, o alto nível de poluição do ar que cobre o país, mas a questão realmente cresceu em proporção em 2018. A partir do início do ano, níveis extremamente altos de material particulado no ar desencadearam medidas de emergência. Infelizmente, a Administração Meteorológica da Coreia previu que este inverno será particularmente severo quanto a poluição por poeira fina.

Enquanto alguns ainda discutem se a poluição é causada por fatores domésticos ou se a poeira que vem da China é a culpada, o fato é que o governo sul-coreano terá que tomar medidas drásticas, de cunho regulatório e diplomático, para reduzir a quantidade de poluentes perigosos no ar do país.


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