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3 pessoas, 3 personalidades – A Educação dos Filhos – Abnormal Summit

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Muito prazer em conhecê-los! Como essa é uma revista sobre a educação infantil, vou fazer a primeira pergunta sobre esse tema. Vocês possuem muitos amigos casados que tenham filhos?

Przemyslaw: Na Polônia as pessoas que já são casadas possuem filhos logo no começo, com 20 e poucos anos de idade. Eu tenho 30 anos e na Polônia já falam pra mim que fiquei para titio. Na Coreia, normalmente as pessoas pensam em se estabilizar e juntar dinheiro antes de casar, mas na Polônia é diferente. Casam sem questionar muito porque acreditam que podem conquistar juntos. Todos (meus amigos) casaram, menos eu.

Carlos: Tenho muitos amigos que já se casaram, mas poucos têm filhos. No Brasil, com o passar dos tempos, as pessoas estão se casando cada vez mais tarde. E mesmo casados, demoram a ter filhos. Antigamente, as pessoas se casavam bem cedo como na Polônia, mas com o aumento das despesas fica mais difícil, e ainda com a expansão das mulheres no meio social, acabam demorando a ter filhos. Em alguns aspectos, eu acho que é parecido com a Coreia.

Nikolai: No meu meio não tem tantas pessoas casadas. A população da Noruega casa tarde se comparada com outros países. Geralmente resolvem casar depois de realizar os seus objetivos e possuir uma carreira estável. E não têm muitos filhos, normalmente 1 ou 2, se tiverem 3, acham exagero.

E vocês? Alguma vez já pensaram em quando querem casar e ter filhos?

P: Na verdade eu tenho ciúmes dos meus amigos casados. Quando eu vejo uma família construída, uma vida estável, eu fico com inveja. Na verdade, aos 20 anos quando eu estava na Polônia, pretendia me casar com a pessoa que namorava. Mas, ela me disse que ainda não estava preparada para casar, e depois disso eu vim para a Coreia e estou solteiro até hoje. Às vezes, eu tenho muita vontade de casar mas nem por isso pretendo me apressar. Quero trabalhar para comprar um apartamento primeiro, antes de casar. Ao estilo coreano.

C: Hahaha. Eu não sinto inveja como o Przemyslaw. Tenho amigos no meu país que são casados, têm filhos e vivem felizes. Mas foi a escolha deles, a minha escolha foi vir para Coreia e fazer a minha carreira, não foi? Não me arrependo da minha escolha e não tenho inveja dos meus amigos. Quero obter mais experiência e estabilidade para depois me casar.

P: Não é sempre que eu sinto inveja! A sociedade da Polônia está centralizada na família e desde criança eu vivi com minha família, mas na Coreia vivo sozinho e me sinto solitário, só isso. Por esse motivo, eu sinto inveja das pessoas que possuem uma família presente. Agora eu cuido somente de plantas porque não tenho outra opção.

C: Podemos sentir saudades da família, mas hoje em dia podemos nos ver, nos comunicando através de vídeos. Eu tenho 5 sobrinhos e eu me comunico com eles todos os dias por vídeo. Eu amo muito os meus sobrinhos, por isso às vezes eu acho que não preciso de filhos.

N: Às vezes eu também sinto inveja quando vejo pessoas casadas, mas isso não quer dizer que quero me casar imediatamente. Pretendo trabalhar na área que gosto e viver livremente. Vou me casar quando chegar a hora. E o mais importante, preciso arrumar uma namorada. O que me adianta dizer que vou me casar daqui a 2 anos se não tenho mulher!? Então são planos para o futuro.

P: Ao invés de arrumar uma namorada, eu compro um vaso de plantas para você.

N: Não precisa.

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Acredito que na Noruega, no Brasil e na Polônia, a educação infantil seja diferente da Coreia. Qual parte da educação coreana os deixaram mais chocados?

N: É óbvio que foi a educação precoce. Na Noruega, as crianças não aprendem a escrever antes de entrar no primário. Se a criança aprender tudo antes, quando ela vai para o primário, fica muito monótono! Mas é evidente que se ela tem interesse de aprender algo específico, ela é incentivada. Por exemplo, se ela quiser aprender a esquiar, os pais compram todo o material e procuram um curso. Mas só se a criança quiser. Mas me assustei quando soube que os pais coreanos mandam os filhos em cursos antes de entrar no primário, sem ao menos saber o que as crianças querem.

C: Eu me surpreendi por dois motivos. Uma é ter filhos logo depois do casamento, e a segunda é a total dedicação dos pais para com os filhos. Principalmente quando eu ouvi dizer que, quando se tem um estudante em casa, os pais livram-se da televisão que fica na sala. Toda rotina da família está centralizada no estudante. No Brasil, o centro da família é o casal. Mesmo tendo filhos, sempre reservam um momento a dois, e não existe isso na Coreia. Sinto que, aqui na Coreia, o romantismo do casal desaparece por causa da educação dos filhos.

P: Espantei-me quando soube que toda a educação do filho é responsabilidade da mãe. E quando soube que o pai não passa muito tempo com o filho. Pelo fato dos pais ficarem muito tempo fora de casa trabalhando, não passam muito tempo com o que é mais importante, que é o seu próprio filho. Quando as mulheres têm filhos na Polônia, dão 20 semanas de férias, e depois é consentido folga para as mães e os pais. É nesse momento, que os pais investem todo o seu tempo nos filhos. Mas eu vejo que na Coreia há vários fatores que impedem isso.

C: Há pouco tempo atrás eu vi uma propaganda na televisão, sobre o pai que se aposenta e fica em uma relação muito desconfortável com a filha. Eu sinto muito pelas pessoas que não passam tempo com os seus filhos durante muitos anos. Elas acabam não tendo assunto para conversar e têm que manter essa relação superficial.

Então, como é nos países de vocês? Na Noruega, no Brasil e na Polônia, o que é mais importante na educação dos filhos?

N: Quando ainda é criança, a segurança é o mais importante. Por exemplo, os pais escolhem a cama da criança fabricados com os materiais mais seguros, os brinquedos também deverão possuir o certificado de segurança. A saúde e segurança da criança vêm em primeiro lugar, por isso, quando a criança está doente, não vão pra berçários ou escolas. Mas na Coreia, me disseram que mandam os filhos para a escola mesmo que eles estejam com gripe. Quando eu não queria ir para a escola, eu dizia que estava doente, mas acho que isso não iria adiantar se fosse na Coreia.

P: Eu também! Eu esfregava o termômetro para aumentar a temperatura e dizia que estava doente para não ir à escola, mas se fosse na Coreia, eu teria que ir de qualquer jeito.

C: No Brasil, os pais dão importância tanto à segurança, quanto ao espaço da criança. Um espaço para pensar e fazer atividades sozinhas, para o desenvolvimento da autossuficiência. Porque no Brasil, geralmente, tanto o pai quanto a mãe trabalham fora, e desde pequenas, as crianças têm que fazer tudo sozinhas. Elas têm que preparar a roupa para vestir no dia seguinte, preparar o café da manhã e até mesmo o lanche para levar na escola. Por isso, os pais brasileiros se esforçam para que seus filhos sejam independentes.

P: Na Polônia, dão muita importância à segurança, mas é um pouco diferente da Noruega. No leste da Europa, os pais protegem os filhos exageradamente. No norte da Europa, como a Noruega, eles dão importância à segurança e ao mesmo tempo a criança faz atividades livremente, mas existe um limite. Jamais é permitido brincarem na rua sozinhas. Quando chove, neva ou o clima não está bom, não podem sair de casa. Até porque os pais colocam o chapéu nelas em pleno verão, com medo que os filhos passem frio. E assim como a Coreia, os pais dão multivitaminas. Mesmo que as crianças não estejam doentes!

N: Na Noruega, não temos o costume de tomar multivitaminas, mas sempre tomamos a vitamina D. Porque não temos muito Sol. Tem um que é feito de óleo de fígado de peixe (o famoso emulsão de Scott, aqui no Brasil) que tem muita vitamina D. Mas, as crianças não gostam porque tem um sabor ruim.

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É uma pena, mas na Coreia a educação dos filhos é responsabilidade das mães. Como é no país de vocês?

C: Tradicionalmente é igual à Coreia. Pelo resultado da pesquisa, somente 30% dos pais brasileiros ajudam nas tarefas de casa e ajudam a cuidar dos filhos. Eu acho que é por isso que as mulheres pensam muito antes de terem filhos. Ultimamente caiu muito a taxa de natalidade porque elas já casam tarde e não querem ter filhos ou têm no máximo um.

P: Na Polônia, as pessoas acham que os pais e as mães têm que ajudar nas tarefas de casa e na educação dos filhos. Por casarem muito cedo, geralmente eles convivem com os pais, por isso todos se ajudam. As tarefas de casa e a educação dos filhos são deveres de todos e não somente da mulher.

N: Na Noruega é a mesma coisa. O filho não é feito só pela mulher, não é mesmo? É responsabilidade do homem e da mulher.

Sabemos que a Noruega foi o primeiro país a introduzir o regime de licença paternal. É uma pena, mas ainda não é comum a licença paternal. Poderia falar mais sobre esse assunto?

N: É muito importante, tanto a mãe quanto o pai, terem um tempo com os filhos. Na Noruega, dão 1 ano de férias [alternando] para que os pais possam se dedicar aos filhos. O pai tem direito até 10 semanas, e se não for utilizado não pode ser trocado por outros benefícios, então eles acabam utilizando as férias “pós-parto”. As empresas acham óbvio esse tipo de férias, então, todos os pais ficam em casa para aproveitar o tempo com seus filhos sem problemas. E acredito que por esse motivo, a relação entre pai e filho é muito próxima.

Hoje em dia na Coreia, com o sucesso dos programas de televisão de pais cuidando dos filhos, surgiu o termo “Cuidado Paterno”. O que vocês acham sobre isso?

C: Assistindo esse programa, na verdade eu não compreendia. O pai passar o tempo com os filhos é um fato óbvio, mas não sei por que é mostrado como se fosse algo exclusivo. Os brasileiros, mesmo que não ajudem nas tarefas de casa, passam bastante tempo com seus filhos. Eu também, passo um tempo com meu pai, jogando futebol, 3 à 4 dias por semana (Logicamente, quando ele vem ao Brasil).

P: Na Polônia existe um programa com participação das vovós. É um programa chamado <Emprestando a vovó>. Uma velhinha desconhecida, brinca, faz comida, conta historinhas para as crianças. Na Polônia é importante a relação com as vovós, tanto quanto o relacionamento com os pais. O programa foi projetado para repassar às pessoas a importância de aprender a tradição e a história.

As mães coreanas compram produtos para o desenvolvimento e carrinhos muito caros. Como são as mães de outros países? Elas também investem muito nos produtos de desenvolvimento dos filhos?

P , C: Não, jamais acontece isso.

N: Como na Coreia, a Noruega tem somente 1 a 2 filhos. Mas o motivo de possuir poucos filhos é diferente da Coreia. Pensam que se tiverem muitos filhos, os pais vão se cansar e perder a liberdade para ficar à dois. Por isso, eles não têm muitos filhos, e também não investem em produtos caros.

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Há pouco tempo, assisti ao programa <Abnormal Summit>, e vi que durante a criação de um filho existe um tipo de regra a cumprir. Existe uma regra específica na Noruega?

N: Além de poder comer chocolate somente no sábado e ter que dormir às 19 horas, existe mais uma. Pode parecer estranho, mas os filhos são obrigados a fazerem caminhada com a família todos os domingos. No inverno têm que andar de esqui. Mesmo que a criança chore e faça birra, não adianta. Vai chorando mesmo. Por a Noruega ser um país muito frio, os pais acham importante fazerem atividades fora de casa. Mesmo que o domingo esteja muito frio, eles passam vaselina nos rostos e vão fazer exercícios!

No programa <Abnormal Summit> o Nikolai disse que se tivesse um filho, iria optar por educar na Noruega. Qual é o motivo?

N: O primeiro de tudo, por que acho que a Coreia ainda não está tão aberta para famílias multiculturais. Fico preocupado sobre o que uma criança mestiça possa sofrer. Segundo, não fico à vontade com o ambiente educacional restrito. Por acreditar que o ambiente educacional livre é muito importante, acho melhor que ele seja criado na Noruega.

No Brasil, existem muitas famílias multiculturais. Pelos encontros de culturas diferentes acredito que poderá haver conflitos na educação dos filhos. Estou curiosa para saber como é solucionada essa questão.

C: O Brasil, por ser um país que convive com várias culturas há muito tempo, sabe respeitar a diversidade. Poderia dizer que as diferenças são reconhecidas. E acontece o mesmo na educação dos filhos. Aceitamos e tentamos fazer de acordo com a decisão da outra pessoa. No meu caso, se eu for casar com uma estrangeira, irei conversar o máximo possível para poder entender sobre sua cultura e a forma de educação dos filhos.

Última pergunta! Se você tiver um filho, o que acha que vai dar mais importância na criação dele?

P: Eu pretendo passar o máximo de tempo com o meu filho. Quando eu era criança, meus pais se separaram e não passar muito tempo com meu pai me fez muita falta. Sentia inveja dos amigos que iam pescar com seus pais aos domingos. Por isso, se eu tiver um filho, não vou economizar tempo para passar com ele. E quando eu me tornar professor, gostaria de levá-lo no trabalho. Quero que ele saiba em que o pai trabalha e como passa o dia. E como o convidado do programa <Abnormal Summit> Hoon Lee disse: “a criança precisa passar por várias experiências para saber o que ela realmente quer fazer no futuro”. Esporte, estudo, desenho, música, não importa a categoria. Não será mais importante apoiar o que a criança gosta de fazer?

C: Eu também acho muito importante passar um tempo com os filhos. Como meu pai fez comigo. Minha meta é ser um pai que nem o meu. Meu pai sempre me trata carinhosamente como um amigo e me consola quando estou com problemas. Eu nunca briguei com meu pai. Quero me tornar um pai que sempre dá forças ao filho.

N: Eu tenho uma preocupação. Acho que vou ser um pai superprotetor. Por isso, a minha meta é fazer o possível para que isso não aconteça. A segurança da criança é importante, mas criá-la como uma pessoa independente também é importante. Se ela quiser subir em uma árvore, vou ficar preocupado, mas vou permitir pelo menos uma vez. Eu realmente vou ficar muito preocupado, mas a superproteção vai fazer com que a criança perca oportunidades de aprender algo sozinha. Quero ser um pai que confia no seu filho.


Adaptação: Rebeca Conte
Tradução: Carol Lee
Revisão: Fabíola Falconery e Rebeca Conte

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Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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