O serviço militar obrigatório é uma realidade em dezenas de países que o consideram um aspecto necessário para a segurança nacional. Este é o caso da Coreia do Sul, nação que, tecnicamente, permanece em guerra com a vizinha Coreia do Norte, e impõe que seus cidadãos do sexo masculino entre 18 e 35 anos sirvam nas forças armadas.


O período de serviço militar varia de acordo com alguns fatores, como o ranking do jovem (baseado em sua condição de saúde) e o ramo das forças armadas onde ele está servindo. No caso do Exército, são 21 meses; da Marinha, 23 meses; e da Força Aérea, 24 meses.

Como explica Young Hun, um jovem prestes a dar início ao seu serviço militar que foi entrevistado pelo canal Asian Boss no Youtube:

“Geralmente, quando um homem sul-coreano completa 19 ou 20 anos, ele passa por uma avaliação física e é colocado em um ranking de acordo com a sua condição de saúde. Soldados nos ranks de 1 a 3 ficam “na ativa”; no rank 4, servem no “dever público”, sendo enviados para lugares como lares de idosos, centros comunitários e metrôs, para fazer muitas vezes trabalho administrativo; e nos ranks acima de 4, os jovens fazem simplesmente um treinamento de defesa civil e são dispensados do serviço militar.”

Fonte: Lowy Institute

Espera-se que todos os homens sul-coreanos em boa condição de saúde completem o serviço militar. Isenções podem ser concedidas a jovens portadores de determinadas doenças e deficiências, e a jovens com habilidades excepcionais, como é o caso de violinistas, pianistas, medalhistas olímpicos, entre outros.

Um dos casos mais recentes e conhecidos de isenção do serviço militar é o de Son Heung Min, famoso jogador de futebol sul-coreano, atual atacante do Tottenham Hotspur, que recebeu a isenção em 2018, logo após assegurar a vitória da Coreia do Sul – contra o Japão – nos Jogos Asiáticos daquele ano.

É preciso apontar, no entanto, que a sociedade sul-coreana possui uma percepção negativa de homens que são dispensados do serviço “na ativa”. Segundo Young Hun, não é raro que eles sejam menosprezados e que enfrentem dificuldades para encontrar emprego.

A origem de tal percepção pode estar no fato de que o serviço militar obrigatório na Coreia, mesmo que criticado por muitos jovens, é interpretado como um rito de passagem – uma experiência que “transforma meninos em homens”. Alguns ainda o consideram uma experiência essencial para melhor entender e se adaptar ao ambiente de trabalho e à cultura corporativa do país, que são marcados por princípios de hierarquia e disciplina.

Artistas sul-coreanos cumprindo o serviço militar obrigatório | Fonte: Youtube

O serviço militar é também um tema que possibilita uma maior socialização dos jovens sul-coreanos, que utilizam dessa experiência comum para “quebrar o gelo” e iniciar conversas.

Muitos homens, contudo, concordam que se trata de uma obrigação um tanto injusta, por marcar uma ruptura brusca com o mundo exterior – por um prolongado período de tempo – justamente quando estão na melhor fase de suas vidas. Nesse sentido, alguns jovens, inclusive, defendem uma reforma no atual sistema e a implementação do serviço militar voluntário.

A sensação de injustiça se intensifica cada vez que vêm à tona novos casos de filhos de políticos e de outras figuras poderosas e privilegiadas sul-coreanas que buscam fraudar o sistema. Certa controvérsia com relação à possível isenção do serviço militar de idols que tiveram importante contribuição na disseminação da música e cultura coreanas pelo mundo, como é o caso dos integrantes do grupo BTS, também causou rebuliço na sociedade sul-coreana nos últimos tempos.

Outro problema enfrentado pelas Forças Armadas e pelo governo é como tratar os casos dos Objetores Conscientes. Um objetor consciente é definido como “um indivíduo que reivindica o direito de se recusar a prestar serviço militar com base na liberdade de pensamento, consciência e ou religião” pela Comissão de Direitos Humanos da ONU. Desde a assinatura da Lei de Conscrição, em 1949, que obrigada todo homem de 18 anos de idade a prestar o serviço militar, Objetores Conscientes, quando encontrados, são presos e sujeitos a punições violentas.

Depois de 1949, houve pelo menos 400.000 Objetores Conscientes e evasores registrados, e mais de 20.000 foram criminalizados e presos. Na Coreia do Sul, a maioria dos Objetores Conscientes faz parte das Testemunhas de Jeová e dos Adventistas do Sétimo Dia, cuja religião, os proíbe de pegar em armas. No entanto, no início dos anos 2000, mais homens alegaram serem Objetores Conscientes por suas ideologias políticas, em vez de afiliações religiosas.

Recentemente, foi promulgada uma lei, dita como “alternativa” aos Objetores Conscientes. De acordo com a nova lei, aqueles que recusarem o serviço militar por motivos religiosos ou outros serão obrigados a trabalhar em uma prisão ou outro estabelecimento correcional por três anos. Anteriormente, eles seriam presos por 18 meses.

Porém, muitos ainda consideram esta “alternativa” como uma punição, por isso, o assunto está longe de sair dos holofotes.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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