Yoon Hwan estava nas nuvens ano passado quando sua namorada disse “sim”, após ele a propor em casamento. Ele imaginou um futuro feliz cheio de momentos preciosos com sua esposa e filhos.

Mas essa euforia rapidamente deu lugar a um coração pesado, quando seu sonho foi esvaziado pela falta de dinheiro e um futuro financeiro incerto. Sua confiança foi corroída ao pensar que após o casamento, os homens tem a obrigação de adquirir um lar para o casal e as mulheres compram móveis e eletrodomésticos para encher a casa.

Hwan, com 30 anos atualmente tem cerca de 10 milhões de won (U$ 8.800 dólares) na poupança, quantia longe da necessária para realizar um depósito de aluguel, mesmo de um apartamento pequeno em Seul.

Corretora de imóveis exibe cartazes para locações e vendas de casas. Uma placa lista o preço de um apartamento com 109 metros quadrados próximo a Songpa, uma das alas mais ricas de Seul, a venda por 1,53 bilhão de won (US $ 1,3 milhão de dólares). Foto: Yonhap

“Eu teria me casado se tivesse dinheiro”, disse Yoon, ao se preparar atualmente para fazer o teste de engenharia eletrônica. Yoon é uma das centenas de milhares de jovens sul-coreanos que não ganham o suficiente para comprar uma casa e estão atrasando o casamento por causa da falta de perspectivas.

Com a economia presa em uma desaceleração, muitos jovens não conseguem encontrar bons empregos. A taxa de desemprego para jovens adultos de 15 e 29 anos ficou em 10,8% em março, muito acima da taxa geral de desemprego de 4,3%, de acordo com dados do governo.

A falta de emprego estável afeta outras áreas da vida. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Coreano para a Saúde e Assuntos Sociais (KIHSA) em março mostrou que 9,7 por cento dos 846 homens e 1,5 por cento das 904 mulheres não estavam namorando por razões financeiras.

Yoon disse que tem poucas esperanças de economizar dinheiro suficiente para comprar uma casa e, eventualmente, alcançar seus objetivos de se casar e ter um bebê. Suas preocupações não são absurdas, dado o alto custo da educação privada infantil e o aumento vertiginoso do preço dos imóveis.

Milhares de jovens concorrem a vagas de serviço público, avaliados por uma prova escrita, em uma escola de Seul. Foto: Yonhap

O preço médio dos apartamentos em Seul atingiu um recorde de 829 milhões de won em setembro do ano passado, acima dos 480 milhões em dezembro de 2008, quando esses dados começaram a ser compilados, de acordo com o KB Kookmin, um dos maiores bancos da Coreia do Sul.

Era a primeira vez que o preço médio ultrapassou a marca de 800 milhões de won, em um país onde a renda média anual dos lares estava em 41,28 milhões de won em 2017, o último ano em que as tais estatísticas estão disponíveis.

A alta dos preços significa que se o adquiridor médio economizasse sua renda anual inteira disponível, levaria quase duas décadas para conseguir comprar um apartamento no valor de 800 milhões de won.

As preocupações generalizadas entre os jovens parecem ser o fator por trás da baixa taxa recorde de casamentos na Coreia do Sul. Em 2018, foram realizados 257.622 casamentos, menor número desde 1972, de acordo com a Statistics Korea.

“Tenho uma namorada e quero me casar, mas o casamento continua sendo um sonho distante por causa do dinheiro”, disse Kim Myoung-soo, de 30 anos, que trabalha com vendas de lubrificante industrial.

Ele está preocupado com as possibilidades de adquirir um apartamento em Seul com sua renda anual, que está na faixa de 30 milhões de won. Se Kim se casar, ele diz que não tem planos de ter um filho devido ao alto custo da educação.

Muitos estudantes sul-coreanos frequentam escolas privadas à noite, conhecidas aqui como “hagwon”, geralmente para estudar inglês e matemática, duas das matérias mais importantes do vestibular altamente competitivo do país.

Sala neonatal em um hospital de Seul. Foto: Yonhap

O governo sul-coreano lançou recentemente uma força-tarefa para lidar melhor com as ramificações de uma iminente transição demográfica, desencadeada pela baixa taxa de natalidade que atormenta o país há mais de uma década.O número de recém-nascidos na Coreia do Sul chegou a 326.900 em 2018, um declínio acentuado em relação à alta de 1 milhão em 1970.

Em 2018, a taxa de fecundidade total da Coreia do Sul (número médio de filhos que uma mulher tem em sua vida) bateu um recorde de 0,98, muito abaixo do nível de substituição de 2,1 que manterá a população da Coreia do Sul estável em 51 milhões.

A agência de estatísticas do país previu em março de 2019 que a população do país poderá aumentar em 51.94 milhões até 2028, antes de declinar para 39.29 milhões em 2067.

Permanecer solteiro virou tendência na Coreia nos últimos anos e com isso, mais um fator é adicionado à lista dos problemas relacionados às mudanças demográficas do país.

Lee, um comerciante de 45 anos, não tem intenção alguma de se casar, pois está confortável vivendo sozinho.

A pesquisa divulgada pelo Instituto Coreano de Saúde e Assuntos Sociais mostrou que 12,2% dos homens e 20,6% das mulheres afirmaram não estar namorando por não querer perder sua liberdade e conveniência de viver sozinhos.

Havia 5,62 milhões de lares compostos de apenas 1 pessoa em 2017, o último ano para o qual existem estatísticas disponíveis, representando 28,6% de todas as moradias na Coreia do Sul.

Kim ainda espera melhoras em sua situação, pois adiou seu plano de casamento por cerca de três anos. “Meu desejo é que as coisas mudem em três anos”, disse Kim.


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