Algumas pessoas ainda deixam homenagens à vítima de 2016, na Estação de Gangnam.

Em 21 de outubro, uma jovem enviou um tweet avisando às mulheres que perto da estação Gangnam haviam homens com substâncias estranhas.

Um grupo de homens está se reunindo na rua atrás da CGV perto da estação Gangnam e eles estão pulverizando uma substância não identificada em mulheres jovens que estão caminhando sozinhas. Por favor, tome cuidado e retuite isto.”

A mensagem foi retuitada mais de 1.000 vezes, com respostas como “Certamente é difícil ser mulher“.

Segundo a polícia que investigou o caso, o grupo de homens era formado por vendedores envolvidos em um evento de marketing na rua e a jovem interpretou mal a situação.

Embora não tenha sido nada nefasto, o incidente revelou o medo constante das mulheres de serem atacadas em meio à misoginia predominante na sociedade coreana.

Existem muitos exemplos de crimes de ódio contra mulheres na Coreia.

Um dos exemplos mais lembrados aconteceu perto da estação Gangnam em 2016.

Em 17 de maio de 2016, uma mulher de 23 anos foi assassinada no banheiro perto da estação por um homem de 34 anos. Em declarações à polícia, o homem disse não conhecer a vítima, mas foi motivado pelo seu ódio às mulheres.

O incidente tornou público os crimes de ódio contra as mulheres, provocando debates e questionamentos.

Em agosto deste ano, em outro incidente, a polícia investigou um estudante universitário por ter cuspido intencionalmente em mulheres na rua.

Em junho, também, a polícia investigou um homem de 32 anos que quebrou o malar (maçã do rosto) de uma mulher que encontrou aleatoriamente na Estação de Seul. O que choca nesta história é que a investigação policial não conseguiu provar o ódio contra a mulher como sua motivação, atraindo enorme indignação na comunidade feminina.

Esses crimes de ódio também polarizaram a sociedade coreana, que não vê homens e mulheres como iguais.

Acredito que posso ser um alvo só porque sou mulher“, disse uma jovem de 25 anos em Seul sobre esses incidentes. “Sou super cuidadosa quando volto da estação de metrô para casa à noite. É muito triste, mas essa é a realidade.”

Estatisticamente, os crimes contra as mulheres estão aumentando.

De acordo com a polícia, os casos de agressão contra mulheres passaram de 45.306 em 2015 para 52.876 em 2019. Mas a polícia não tem estatísticas sobre crimes de ódio contra mulheres, o que grupos de mulheres lamentam como falta de conscientização e sensibilidade sobre o assunto.

Especialistas disseram que crimes de ódio contra mulheres são claramente cada vez mais frequentes e que ações são necessárias para tornar a sociedade coreana mais integrada.

Chang Mi-hye, do Instituto de Desenvolvimento da Mulher na Coreia, disse: “Alguns homens que se sentem perdedores na sociedade tendem a cometer crimes contra mulheres consideradas mais fracas do que eles. Esses crimes são a forma como expressam sua raiva“.

Bae Sang-hoon, um ex-policial que agora é professor da Universidade Digital de Seul, disse que algo deve ser feito: “No passado, assassinatos notórios começaram com pulverização de líquidos e homens jogando sopa em mulheres aleatórias e eles gostavam que as vítimas ficassem apavoradas. Precisamos agir para desencorajar os homens de cometer esses crimes de ódio. Se nada for feito, a escala de seus crimes pode crescer“.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.