Fonte: The Korea Herald

Os estudantes que retornam se sentem mais seguros em casa, mas estão cientes da hostilidade contra eles.

Como muitos campus nos EUA fecharam e entraram na Internet em resposta à pandemia do COVID-19, os estudantes coreanos que estudam nos EUA começaram a voltar para casa em grande número, com medo do novo coronavírus acompanhá-los a cada passo do caminho até chegarem em casa.

As jornadas dos estudantes para casa estavam repletas de obstáculos, incluindo encontrar assentos em voos para a Coreia e chegar ao aeroporto.

Como minha escola é em St. Louis, o vôo direto mais próximo para a Coreia é em Chicago. Originalmente, eu planejava ir para lá em um vôo doméstico com meu colega de quarto, mas decidi apenas alugar um carro e dirigir para Chicago no dia anterior, pois muitos voos domésticos estavam sendo cancelados para impedir a propagação do coronavírus”, disse Kim, uma estudante da universidade de Washington, que pediu para ser identificada somente pelo sobrenome, que voltou para a Coreia dia 28 de março.

Alguns estudantes relataram que esperaram mais de 30 minutos no telefone para se conectar com os representantes da Korean Air e as passagens esgotavam, assim que ficavam disponíveis, apesar dos preços terem disparado.

Além disso, chegar ao aeroporto mostrou-se difícil, pois muitas formas de transporte público estavam indisponíveis ou consideradas inseguras.

O aeroporto de Chicago não teve nenhuma triagem para o coronavírus, o que me surpreendeu“, disse Kim. “Coreanos e chineses que estavam no voo de volta comigo tomaram muitas medidas de precaução. Havia pessoas em trajes de proteção e usando óculos. A maioria das pessoas usava máscaras, e eu senti que as pessoas iam ao banheiro menos do que o normal durante o voo ”, acrescentou Kim.

Na chegada, um rigoroso processo de triagem aguardava no aeroporto de Incheon.

Demorou para um estudante que está em seu segundo ano na Universidade da Pensilvânia, que chegou no dia 28, cerca de 75 minutos para sair do aeroporto, apesar de ter sido o primeiro a sair do avião. Antes, o processo geralmente levava menos de uma hora, às vezes menos de 30 minutos.

Os recém chegados eram obrigados a preencher um Formulário de Declaração de Saúde e uma Declaração de Registro de Viagem e instalar e executar dois aplicativos, ‘auto-avaliação’ e ‘auto-quarentena-proteção de segurança‘”, disse o estudante que está no segundo ano da faculdade. Antes da triagem de imigração, as temperaturas de todos os viajantes eram medidas por funcionários do aeroporto, disse ele.

“Apesar de estar cansado da longa viagem, senti-me tenso e alerta sobre tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Talvez eu tenha sido um pouco tímido, sabendo que aparentemente não fomos recebidos pelo público em geral”, disse um estudante de uma faculdade da Costa Leste que voltou há uma semana.

Desde o dia 27 de março, todas as chegadas dos EUA foram obrigadas a entrar em auto-isolamento obrigatório por 14 dias em resposta ao crescente número de importações estrangeiras do coronavírus (atualmente o mesmo procedimento foi adotados para quaisquer pessoas vindo do exterior, de qualquer país, cidadãos coreanos ou estrangeiros). Aqueles com sintomas são testados para o vírus no aeroporto. Se o resultado do teste for negativo, o passageiro é enviado para casa e é obrigado a entrar em um auto-isolamento de 14 dias. Se o teste for positivo, a pessoa é enviada para um hospital ou uma instalação de tratamento, dependendo da gravidade.

No dia 28 de março, 1.294 pessoas chegaram dos EUA, com cidadãos coreanos respondendo por 86% das chegadas. De todas as chegadas dos EUA, 87 apresentaram sintomas. No dia 27, 11 casos COVID-19 foram confirmados relacionados a viagens para os EUA.

Os estudantes que se isolaram em casa relataram sentir-se mais seguros na Coreia.

Sinto-me mais seguro na Coreia do que nos EUA, pois as pessoas estão mais preocupadas com a epidemia. Na Filadélfia, as pessoas que não usam máscaras podem ser facilmente identificadas enquanto praticamente todo mundo na Coreia as usa. Estou jantando separadamente no meu quarto e não saio da sala, a menos que precise ir ao banheiro. É chato, mas é melhor prevenir do que remediar”, disse o estudante que está em seu segundo ano da Universidade da Pensilvânia.

Tenho que preencher a auto-avaliação no aplicativo, onde verifico se tenho sintomas diariamente, por 14 dias. Caso contrário, recebo uma mensagem dizendo que receberei uma ligação“, disse um estudante de uma faculdade do Meio-Oeste que chegou no sábado.

Alguns estudantes também se lembraram de não se sentirem seguros nos EUA devido à xenofobia provocada pela doença viral.

Quando voltei para a escola da Flórida, no início de março, senti que as pessoas na escola me evitavam porque eu era asiática. Eu também andava por lá usando uma máscara na época e havia a impressão de que usar uma máscara significava que você tinha o coronavírus”, disse Kim, da Universidade de Washington, em St. Louis.

Mas, mesmo em casa, os alunos não se sentem bem-vindos, sentindo olhares suspeitos e hostilidade.

Sinto que os estudantes que entram são os novos Shincheonji (referindo-se à igreja responsável pela explosão de casos na Coreia). Os ataques contra nós são ilógicos, infundados e não científicos”, disse um aluno.

Não estou defendendo certos alunos que tomaram medidas inadequadas. No entanto, as ações de alguns estudantes não devem ser usadas para enquadrar e atacar toda a comunidade de estudantes que estudam no exterior. A maioria deles está retornando à sua terra natal porque suas escolas pediram que deixassem o campus. Não tínhamos outras opções e tivemos que voltar para casa”, disse o aluno.

Alguns estudantes acharam a percepção negativa do público justificada.

Vi alguns estudantes voltarem dos USA e saírem bebendo e festejando de forma irresponsável sem se colocarem em quarentena porque estão felizes por estarem de volta. Não todos nós, mas alguns alunos que se comportam mal merecem uma visão negativa, e nós, como comunidade, devemos assumir a responsabilidade”, disse um aluno, que estava em quarentena em casa.


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