Sul-coreanos com formação universitária em seus 20 e poucos anos estão enfrentando dificuldades para encontrar emprego.

Apesar de diversas medidas governamentais para aumentar o índice de jovens empregados durante a última década, há uma alta proporção de jovens que buscam emprego, mas recebem rejeições continuamente. Como resultado, aqueles que não possuem renda fixa frequentemente dependem do apoio financeiro de seus pais, mesmo após completarem 30 anos.

Pesquisas recentes mostram que mais e mais coreanos em seus 20 e 30 anos estão adiando seus planos de casamento.

Outra questão séria é o fato de que mesmo aqueles com emprego não estão saindo da casa de seus pais.

Um trabalhador assalariado de sobrenome Park, de 35 anos, trabalha para uma empresa afiliada a um conglomerado. Ele viaja todos os dias entre a casa de seus pais em Suwon, na Província de Gyeonggi, e seu local de trabalho no centro de Seul.

“Eu tenho uma carreira de sete anos e meu salário anual está acima do salários dos meus amigos da universidade”, ele disse. “Mas eu decidi adiar o plano de casamento até que eu compre um apartamento”. Park disse que sua decisão foi baseada nos preços altos de imóveis na área metropolitana de Seul.

Park concordou que ele pertence à “geração canguru” da Coreia, que recebe apoio econômico de seus pais mesmo durante seus 20 e 30 anos.

Ilustração de Park Gee-young.
Ilustração de Park Gee-young.

Diversas pesquisas estimam que o número de sul-coreanos em seus 30 e 40 anos que pertencem à “geração canguru” é acima de 500 mil em todo o país, o que representa cerca de 1% da população. De acordo com dados do Statistics Korea, mais da metade das pessoas da geração canguru são desempregados ou tem poucas intenções de conseguir um emprego.

Mês passado, o portal online de empregos Saramin lançou uma enquete com 1,274 pessoas assalariadas sobre sua dependência econômica de seus pais. O resultado mostrou que 36.7% das pessoas, ou 468 dos participantes, afirmam pertencer à geração canguru. Os 468 trabalhadores disseram que seus pais os apoiam com cerca de 300,000 won (aproximadamente $280 dólares) por mês, em média.

O pesquisador Hong Joon-pyo do Hyundai Research Institute disse em um relatório que o governo precisa “diminuir a carga de impostos sobre os trabalhadores jovens assalariados e expandir o apoio à moradia”.

Ele escolheu a crescente dívida dos jovens trabalhadores como uma das razões que explicam a existência da geração canguru. Mais e mais universitários graduados estão sobrecarregados com as dívidas de empréstimos estudantis e os gastos com a busca por emprego em Seul e outras grandes cidades.

Diferente das gerações anteriores, muitos jovens que buscam emprego visualizam a compra da casa própria como inalcançável.

Segundo o Statistics Korea, trabalhadores assalariados em seus 20 e 30 anos levariam cerca de 12 anos para comprar um apartamento de preço médio, de aproximadamente 554.8 milhões de wons, em Seul. O cálculo é baseado na presunção de que tais trabalhadores teriam que economizar todo o seu salário mensal (aproximadamente 3.71 milhões de wons) durante esses anos.

Um estudante universitário, de 28 anos, que mora em Seul, diz que o problema da geração canguru não é a questão do desemprego, mas a riqueza parental. “Eu tenho um emprego e economias em contas poupança no banco”, ele disse. “Mas eu não tenho o plano de economizar meu dinheiro para comprar uma casa aqui. Estou considerando me tornar fazendeiro nos próximos anos.”

Muitos especialistas dizem que a nação está passando por algo que já aconteceu com diversas outras nações, como os Estados Unidos e o Japão. De fato, os Estados Unidos teve a “geração boomerang”, com pessoas que voltaram para a casa dos pais após morarem sozinhos.

Tal tendência está se espalhando em grandes cidades americanas, como Califórnia, Nova Iorque, Pensilvânia e Flórida. No Japão, dados do governo mostram que 1 em cada 6 adultos entre 35 e 44 anos estão vivendo na casa dos pais.

Koh Kang-sub, pesquisador no Young Professionals Institute of Korea, disse que o fenômeno da geração canguru é um problema social e estrutural.

“Nós deveríamos parar de apontar o dedo para as pessoas que fazem parte da geração canguru”, Koh disse. “A sociedade coreana deveria se esforçar para resolver o problema, coletando opiniões do público e mapeando medidas para melhorias estruturais”.

Nota do Koreapost – A proporção de brasileiros entre 25 e 34 anos de idade que ainda vivem na casa dos pais aumentou de 20% para 24% entre 2002 e 2012, aponta uma análise feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012. Cerca de 60% dos jovens nesta condição eram homens e 40%, mulheres. Fonte: G1


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