O elenco multi-étnico do drama Moorim High School

A indústria do entretenimento precisa contratar mais estrangeiros para que eles façam a ‘Onda Hallyu’ ser mais rentável e que tenha mais apelo para os fãs internacionais. Uma das maiores lacunas no entretenimento e na moda coreanos é a diversidade étnica, dizem os que trabalham nesses meios.

Eles relutam em contratar pessoas que fazem parte de minorias étnicas, mas também criam estereótipos negativos dessas pessoas.

Atores estrangeiros, particularmente negros ou que são vindos do sudeste asiático raramente assumem papéis principais nos programas de TV coreanos.

“Investidores não investem dinheiro em um drama que conta com atores estrangeiros, porque geralmente são motivo para que a audiência seja baixa,” disse Yoon, CEO de uma agência de entretenimento e que pediu que seu nome completo não fosse divulgado. “Atores estrangeiros raramente entravam para o ‘hall da fama’ das celebridades na Coreia até o ator coreano-americano Daniel Henney se destacar no entretenimento coreano. Eu acho que Henney ajudou a mudar positivamente o ponto de vista dos coreanos em relação aos atores estrangeiros”, disse Yoon.

Daniel Henney. Foto: Shutterstock
Daniel Henney. Foto: Shutterstock

Daniel Henney é ator e modelo nascido numa família de mãe coreano-americana e de pai irlandês-americano. Ele ganhou popularidade na Coreia do Sul quando apareceu nos dramas “My Lovely Sam Soon” em 2005 e “Spring Waltz” em 2006.

Personalidades negras que aparecem na TV, como Samuel Okyere, do programa de variedades “Non Summit” exibido por um canal de TV à cabo, raramente participam de dramas na TV. 

Samuel Okyere. Foto: Google
Samuel Okyere. Foto: Google

“A popularidade deles tende a ter um prazo curto. Alguns estrangeiros do mundo do entretenimento aparecem e desaparecem como se fossem produtos de uma só temporada. Por exemplo, Sayuri, personalidade da TV japonesa, que já foi muito popular, mas raramente aparece nos programas de TV hoje em dia”, disse Yoon.

Sayuri, celebridade na Coreia e no Japão. Foto: Soompi
Sayuri, celebridade na Coreia e no Japão. Foto: Soompi

As emissoras de TV preferem pessoas brancas e discriminam as outras etnias. Mesmo assim, se pessoas brancas quiserem aparecer em um drama coreano, elas devem falar coreano fluentemente. E mesmo assim, continuam atuando em papéis secundários.

A Indústria da Moda Não é Exceção

O racismo é ainda mais forte na indústria da moda na Coreia.  Nenhum modelo negro ou do sudeste asiático desfila nas passarelas da Seoul Fashion Week, o maior evento de moda da Coreia do Sul, realizado duas vezes por ano. Mesmo modelos brancos são geralmente vistos apenas em ensaios fotográficos e propagandas.

Marina Lee, de 27 anos, modelo coreana que tem 7 anos de carreira, diz que viu uma modelo negra em um desfile coreano apenas uma vez. “Ela falava coreano fluentemente e morou aqui por muito tempo, mas foi a primeira e última vez que vi uma pessoa negra na cena fashion da Coreia. Eu também nunca vi alguém vindo do sudeste asiático enquanto trabalho na Coreia”, disse Marina.

Yoon concorda que os estilistas coreanos e chefes da indústria do entretenimento preferem modelos brancos e não veem motivos para contratar modelos negros. “Se um modelo negro é contratado, nunca é para nenhuma marca famosa daqui“, disse ele.

Yoon e outros chefes da indústria do entretenimento dizem que o mercado deve mudar em breve, visto que as redes sociais como Instagram e Facebook revelarão mais e mais sobre o mundo fashion internacional que não é divulgado, onde os modelos negros desfilam e são fotografados em lugares como Milão, Nova York e Paris.

“Até cinco anos atrás nós tínhamos acesso às tendências da moda através das revistas que não mostravam coisas que os editores achavam que não eram populares aqui”, disse Yoon. “Também, nós nunca sabíamos o quanto os modelos negros são populares no exterior. Agora, os modelos coreanos trabalhando no exterior, fazem upload de fotos dos bastidores dos desfiles ou ensaios fotográficos instantaneamente em suas redes sociais. Isso possibilita aos usuários das redes sociais ver as diferentes partes do mundo fashion que antes era pouco divulgado fazendo-os consumir apenas as tendências coreanas”, disse ele.

Hyun-Min é modelo exclusivo do catálogo primavera/verão 2017 da Heich es Heich. Foto: Heich es Heich
O Koreapost fez um artigo sobre o modelo Hyun-Min de descendência negra e coreana (Foto: Heich es Heich). Confira a reportagem neste link.

“Consumidores e interessados no mundo fashion, ambos irão reconhecer o potencial dos modelos negros no mercado coreano”, disse Yoon.

O crítico de cultura Bar Kook-nam atribui a causa do racismo na indústria de entretenimento coreana à mídia e os produtores de conteúdo.

“A coisa mais importante é como os estrangeiros são mostrados na telinha, nos dramas, noticiários ou programas de entretenimento. Na maioria dos casos, eles colocam os negros e asiáticos vindos do sul como imigrantes pobres que trabalham em fábricas. É criado um estereótipo”, disse Bae “As pessoas naturalmente não pensam neles com simpatia”.

“Pessoas brancas trabalhando em uma universidade como professores também são imigrantes que trabalham, mas ninguém aqui olha para eles com simpatia. Os produtores de conteúdo precisam parar de fabricar perspectivas distorcidas através dos programas de TV que criam estereótipos de raça que eventualmente incitam o racismo na indústria do entretenimento”, disse Bae.

O crítico disse que os telespectadores também precisam mudar suas perspectivas sobre estrangeiros terem o seu lugar na TV coreana. Ele acredita que a mídia coreana é relutante em contratar negros ou pessoas vindas do sudeste asiático por causa da baixa audiência.

“Há alguns milhões de estrangeiros vivendo na Coreia agora. Nós temos que adotar materiais mais diversos e globalizados nos programas de TV e fazer mudanças na relação de como nós retratamos certas raças através de conceitos distorcidos”, disse Bae. “Nós dizemos que os Estados Unidos são um país racista. Mas, não há um só país como a Coreia e seus vários problemas com o racismo”.

Ele diz que os produtores de TV deveriam ser mais cuidadosos com a forma com a qual retratam os estrangeiros nos programas que produzem.

“O que importa agora, não é o fato dos estrangeiros terem ou não papeis importantes, mas como eles são vistos e retratados nessa indústria. O primeiro passo para acabar com o preconceito é a remoção dos elementos racistas”, disse Bae.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



1 COMENTÁRIO

  1. Eu adoraria ver representatividade nos programas coreanos. As vezes eu acho muito chato as histórias repetidas dos k-dramas, quem sabe uma mudança tornaria mais interessante.

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