Alguns dizem que o Itaewon perdeu sua essência e agora é apenas mais um ponto de encontro para jovens coreanos. Por outro lado, outros dizem que o bairro se tornou mais seguro, moderno e adequado para um público mais amplo. E se você estiver no lugar certo, você ainda pode encontrar a essência de Itaewon, dizem eles.

Qualquer que seja o lado escolhido, o debate se assemelha ao que tipicamente acontece sempre que um bairro passa pelo processo de gentrificação. Uma área menos desenvolvida que detém características únicas e uma comunidade local vibrante é descoberta por pessoas de fora. O dinheiro flui e surgem lugares novos, mais modernos e mais chiques. Os aluguéis aumentam em valor e muitos moradores originais e os lugares antigos que eles amavam são super valorizados no mercado imobiliário.

“Principalmente porque Itaewon era uma área que não recebia muitos recursos por muitos anos”, disse Lance Reegan-Diehl, canadense que trabalhou e viveu em Itaewon por quase duas décadas, sobre as mudanças que estão ocorrendo na área. “Há muitas razões para isso, mas ninguém sabe (exatamente) por quê. Mas a sensação de cidade pequena de Itaewon se foi”.

 

Ele estava entre os muitos que sentiram as perdas de bares, restaurantes e outros negócios de varejo – muitos dos quais eram administrados por expatriados. Agora substituídos por redes de café de franquias, lojas de beleza ou grandes lojas de marcas de moda, a área parece atrair mais clientes jovens coreanos.

C-Through Cafe, em Itaewon é um dos locais mais atraentes e tracionais do local, devido ao talento de seu barista. Foto: Daniel Food Diary

Escondido na sombra da montanha Nansam, central na cidade, Itaewon há muito desfrutou do status incomparável de local de concentração dos estrangeiros que vivem em Seul, tendo em vista sua proximidade com a base militar dos Estados Unidos e de um grande número de embaixadas estrangeiras.

Em um país socialmente conservador e racialmente homogêneo, o bairro era único em sua impressionante diversidade cultural e atmosfera de laissez-faire, embora alguns coreanos temessem que ele fosse infestado de crimes, diz Moon Gwang-lip, ex-jornalista que escreveu um livro de ensaios sobre Itaewon e seus habitantes estrangeiros.

“Não é sofisticado ou de alto nível, mas Itaewon sempre teve elementos essenciais da cultura e da comunidade. As forças da gentrificação parecem estar corroendo essa essência”, disse ele. Itaewon está se tornando um lugar mais arrumado, com lojas sofisticadas que oferecem uma experiência de consumo não tão diferente para os coreanos, acrescentou Moon.

Imagem: Partk Hyun Koo/ The Korea Herald.

O Korea Herald deu um passeio pela principal rua de Itaewon de onde fica o famoso Hamilton Hotel, navegando por suas muitas vielas que levam à Mesquita Central de Seul, pela Antique Furniture Street e mais ao norte até Gyeongnidan e Haebangchon. A principal rua de Itaewon tinha tráfego constante, mas pequeno, especialmente nas direções onde duas estações de metrô próximas – Itaewon e Noksapyeong – estão localizadas.

Alguns espaços de varejo estavam vagos. As lojas de roupas especializadas em tamanhos grandes, alfaiates e lojas de couro eram quase desprovidas de compradores, mas duas lojas da Olive Young estavam cheias de compradores jovens, coreanos e outros asiáticos, com uma funcionária em um microfone continuamente convidando pedestres para entrarem na loja. Era o último dia de uma grande venda, ela disse.

Um estrangeiro residente pechinchava com um vendedor de rua por um boné falso da Nike. “É difícil ganhar a vida. Os coreanos não compram na minha barraca e não são muitos os estrangeiros que vêm aqui para comprar como costumavam fazer”, disse o vendedor, que se recusou a dar seu nome.

Perto da mesquita, mulheres vestindo hijab faziam compras em um supermercado halal enquanto expatriados africanos casualmente conversavam em frente a uma loja de conveniência. Esforços intencionais estão sendo tomados pela comunidade muçulmana para preservar o que ficou conhecido como “Rua Islâmica”, segundo um funcionário do escritório de Yongsan-gu, que apontou que uma comunidade africana também encontrou seu lar na área.

Um morador indiano em Haebangchon disse que, apesar de muitas mudanças, Itaewon ainda possui um charme único para residentes e visitantes estrangeiros. “Claro que mudou muito. Mas Itaewon mantém o mesmo charme antigo pelo qual me apaixonei quando vim pela primeira vez à Coreia, em 2002.”

No entanto, as mudanças da Itaewon até agora podem parecer triviais, mas desenvolvedores podem começar a derrubar casas antigas e reconstruir áreas residenciais. “Itaewon fica perto de áreas residenciais importantes que deverão passar por um grande reforma de alto nível nos próximos anos. Para melhor ou pior, as mudanças são inevitáveis”, disse um corretor de imóveis local.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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