Choi Sang-min, é pai de um bebê de 9 meses e mora no sudoeste do país, na cidade de Gwangju. Recentemente Choi foi surpreendido quando entregou o pedido de licença parental que foi assinado pelo seu chefe.

Eu não esperava que isso fosse acontecer. Ouvi dizer que uns anos atrás, um colega submeteu um pedido para a licença parental, e foi chamado à sala do chefe para ter ‘uma conversa’ com ele,” disse o funcionário universitário de 37 anos.

Tudo o que eu fiz foi conversar com meu chefe e fazer a papelada. Foi isso,” disse ele.

A situação não foi muito diferente para Yoon Hyo-suk, que tem dois filhos e decidiu tirar um ano de licença de seu trabalho em uma empresa de publicidade de Seul, em julho de 2019. A intenção dele era ajudar a esposa, sendo assim, eles trocaram de lugar e Yoon cuidou dos filhos, que na época tinham 5 e 2 anos de idade.

É claro que algumas pessoas tentaram tirar essa ideia da minha cabeça, mas depois não houve mais fofocas sobre o fato de um homem tirar licença para cuidar de seus filhos,” disse Yoon.

Percebi que haviam muitos pais como eu, que estavam tirando licença e iriam retornar ao trabalho depois de um ano. Isso virou quase que rotina,” ele disse.

As escolhas de pais que ficam um pouco afastados do trabalho para cuidar de seus filhos não estão sendo vistos mais como casos peculiares.

As decisões desses pais estão sendo mais aceitas pelos seus locais de trabalho e casos assim, estão se tornando cada vez mais comuns. Também está havendo uma crescente visão positiva dos pais ativamente engajados na criação dos filhos, além de os benefícios ofertados pelo governo estarem sendo ampliados.

De acordo com dados do Ministério do Emprego e Trabalho, mais de 23.423 pais, com exceção dos que são funcionários públicos e da educação, tiraram licença em 2020, 23% a mais que os dados de 2019.

Os pais representam cerca de 24,5% do número total de pais em licença, um número bem maior do que o registrado em 2017, de 13,4%. O aumento pode ter sido impulsionado pela atual situação de COVID-19.

Pais Estão Optando Cada Vez Mais Pela Licença Parental Na Coreia Do Sul
Homem carrega um bebê em um evento de produtos infantis e para bebês em seul, em 4 de julho de 2019. Fonte: the korea bizwire

Quanto mais jovem você é, maior é a sua percepção de que cuidar de uma criança não é apenas um homem ajudando sua esposa, mas é um dever que deve ser compartilhado por ambos,” disse Kwon Me-kyung, uma pesquisadora do Instituto Coreano de Cuidado Infantil e Educação (KICCE).

Um recente estudo do KICCE apontou que 18,6% de 1000 casais com uma ou mais crianças, disseram que o pai já tirou licença ou que planeja tirar.

A porcentagem foi maior entre homens na faixa dos 20 anos com 30,4%, já para a faixa etária dos 30, foi de 23,6% e para o grupo em seus 40 anos, de 14,2%.

Para Choi, a decisão foi voluntária e ao mesmo tempo inevitável.

Minha esposa está tendo dificuldade para cuidar do bebê sozinha e nossa família só possui uma renda”, ele disse. “Mas eu quero ser o mais moderno possível, quero fazer a minha parte em criar nosso filho. Então eu venho economizando para poder viver esse momento.

Na Coreia do Sul, a licença parental foi introduzida pela primeira vez em 1987, na época era apenas para mães cujos filhos tinham menos de um ano, a licença paterna foi inserida em 1995. Mas os programas de auxílio só foram propriamente estabelecidos até meados dos anos 2000.

Como um incentivo para encorajar mais pessoas a tirarem licença parental, o governo introduziu em 2014 um “sistema de bonificação”, um maior subsídio mensal caso o segundo cônjuge também decida tirar licença.

O segundo cônjuge que tirar a licença pode receber até 2,5 milhões de won (US$2,260) em subsídios mensais para os três primeiros meses, o valor máximo de subsídio para aqueles que tiram a licença primeiro é de 1,5 milhões de won por mês.

Desde fevereiro do ano passado, uma mãe e um pai podem tirar a licença juntos. A partir do ano que vem, o valor máximo dos subsídios de três meses passará a ser de 3 milhões de won por um dos pais.

Jung Jae-hoon, professor de estudos de bem-estar social naSeoul Women’s University, disse: “A Política Assistencial mudou o foco de ajudar às mulheres a terem mais filhos e a manter o equilíbrio entre trabalho e casa, para fornecer benefícios também aos pais, de modo a encorajá-los a participar da criação dos filhos” .

Pais Estão Optando Cada Vez Mais Pela Licença Parental Na Coreia Do Sul
Foto de uma funcionária do statistics korea falando durante uma coletiva de imprensa sobre o relatório provisório a respeito da licença parental no complexo do governo em sejong, foto tirada em 22 de dezembro de 2020. Fonte: the korea bizwire

As indústrias estão aderindo ao movimento e grandes empresas assumindo a liderança em encorajar seus funcionários a tirar licença parental. O grupo Lotte, grande empresa de varejo, tornou obrigatória a licença para funcionários que tenham filhos, tirarem licença.

Nós não podemos dizer que pais que tiram licença parental seja algo que virou tendência, mas temos certeza de que estamos no caminho para isto,” disse Jung.

No sistema atual, os pais que trabalham no setor privado, com uma ou mais de uma criança menor de 9 anos ou que esteja abaixo do 4º ano do ensino fundamental, têm prioridade para tirar a licença parental por um ano.

Apenas 819 homens tiraram licença parental em 2010. De acordo com o Ministério do Trabalho, em 2014 esse número subiu para 3.420, em 2016 para 7.616 e, em 2018, para 17.665.

A pandemia de COVID-19 contribuiu para o crescimento recente. Ainda de acordo com dados do Ministério, o número de pais que se candidataram ao bônus parental foi de 52,8% para 7,338 na primeira metade de 2020.

Kwon do KICCE, notou que o mais recente projeto do governo é para apoiar a Educação Infantil e focar na “qualidade de vida”.

Acho que há entendimento de que o valor e a alegria de criar os filhos haviam sido esquecidos. Sendo assim, o que as autoridades estão tentando fazer é permitir que os pais passem mais tempo com os filhos sem se preocupar com questões financeiras ”, disse ela.

Yoon, de Seul, pai de dois filhos, lembra que estar com seus eles durante o período de licença foi “um ano agitado e cançativo”, mas que valeu a pena.

Eu acho que posso aproveitar o resto da licença de um ano. Agora eu consigo entendê-los melhor, o que querem, do que gostam e do que não gostam e me aproximei mais deles ”, disse ele.

Isso não é algo que você possa aprender com alguém ou em qualquer outro lugar.


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