Igualdade entre homens e mulheres, uma imagem conceitual do status dos direitos femininos com um homem desenhando uma gangorra em uma interface virtual equilibrando os dois conceitos em extremidades opostas em equilíbrio. Foto:123rf

A promessa do presidente eleito Yoon Suk-yeol de abolir o Ministério da Igualdade de Gênero e Família foi divisiva, levantando a ira de opositores que dizem que é um sinal de que a Coreia estaria prestes a retroceder nos direitos das mulheres.

Mas legisladoras do People Power Party, o partido conservador do qual Yoon é membro, dizem que os esforços para promover os direitos das mulheres e as políticas relacionadas à família e à juventude – que atualmente são administrados pelo Ministério da Igualdade de Gênero – não serão desconsiderados pela administração Yoon.

Qualquer que seja o destino do ministério, muitos dos legisladores com os quais o The Korea Herald falou, disseram que políticas “muito mais inteligentes e elaboradas” devem ser concebidas para aumentar os direitos das mulheres e dos homens ao mesmo tempo.

A Representante Lee Young disse que a abolição do Ministério da Igualdade de Gênero e Família não significaria que o governo de Yoon negligenciaria as políticas para as mulheres e outros grupos relativamente vulneráveis.

Políticas de gênero “mais inteligentes e elaboradas” são necessárias, dizem legisladoras do PPP (People Power Party)
Representante Lee Young. (Comitê de transição do presidente eleito Yoon Suk-yeol) Foto: The Korea Herald

Acredito que chegamos em um momento em que agora temos que expandir o papel do ministério para abordar uma gama mais ampla de direitos, e isso significaria mulheres, homens, famílias unipessoais e pessoas que vêm do exterior”.

Lee estava entre as oito das 17 mulheres legisladoras do Partido do Poder Popular que forneceram ao The Korea Herald suas opiniões sobre o plano de abolição. Alguns que não responderam, tornaram públicas as suas posições sobre o plano de abolição, e outros atualmente servindo como porta-vozes do presidente eleito ou do partido concordaram com a promessa eleitoral.

Lee disse que a discriminação relacionada ao gênero está se tornando “cada vez mais sofisticada” e “pensamentos mais avançados e superiores” são necessários para criar políticas que possam atender a um amplo espectro de pessoas.

Devemos sempre proteger mais as mulheres do que os homens? Isso é contra o princípio da imparcialidade. Mas então, podemos dizer que mulheres e homens são tratados igualmente? Isso também é difícil de dizer”, disse Lee.

É por isso que Lee acha que o Ministério da Igualdade de Gênero pode ser reestruturado e atualizado para se tornar mais bem equipado para lidar com a situação cada vez mais complexa.

Lee diz que as mulheres de gerações mais velhas enfrentaram privação estrutural de oportunidades, como serem privadas de educação.

Agora, as mulheres recebem educação igualitária nas escolas e avançam na sociedade para construirem as suas carreiras. Mas agora elas enfrentam desafios em culturas de trabalho que são em grande parte formadas por chefes e idosos que são em sua maioria homens.

Tal privação cultural às vezes leva a situações em que idosos do sexo masculino escolhem funcionários do sexo masculino quando embarcam em um projeto da empresa. Isso pode ser uma privação invisível de oportunidades para as mulheres”, disse Lee.

A Representante Yun Ju-keyng não tinha certeza se uma dissolução completa do Ministério da Igualdade de Gênero seria a solução, mas ela criticou o ministério por não desempenhar seu papel adequadamente.

Um ex-ministro da igualdade de gênero disse que as eleições secundárias (depois que os prefeitos foram removidos por cometer má conduta sexual) foram uma oportunidade para todo o país aprender e aumentar a sensibilidade de gênero”, disse Yun, referindo-se às eleições do ano passado que foram conduzidas por ex-prefeitos com má conduta sexual, Park Won-soon de Seul e Oh Keo-don de Busan, deixaram os assentos vagos.

Eu me pergunto onde eles (ministério) estão nos casos de violência sexual. Em termos de promoção dos direitos das mulheres, acredito que pessoas como Kim Ji-eun e Kim Jandi – aquelas que fizeram revelações públicas de abusos sexuais por figuras de autoridade – podem ter desempenhado um papel maior do que o ministério”, disse Yun.

Kim Ji-eun revelou crimes sexuais cometidos pelo ex-governador de Chungcheong do Sul An Hee-jung, e Kim Jandi é o pseudônimo usado pela mulher assediada sexualmente pelo ex-prefeito de Seul, Park Won-soon.

Uma coisa a notar, no entanto, é que ainda existe um teto de vidro, e ainda são necessários esforços para resolver esses problemas, disse a legisladora.

Haviam grandes discriminações quando eu era jovem. Mas eu vejo como as mulheres jovens hoje em dia são muito mais confiantes e competentes o suficiente na sociedade. E se elas continuarem trabalhando dessa maneira, acredito que abrirá um novo mundo onde não precisaremos de um sistema de cotas de gênero”, acrescentou Yun.

Houve também outros que se mostraram cautelosos ao opinar, já que a promessa de abolição do ministério foi anunciada pelo presidente eleito. Ainda assim, eles concordaram que eram necessários esforços estruturais para abordar as questões de gênero.

Acredito que seria bom estabelecer um ministério que possa realmente executar todas as boas políticas relacionadas às mulheres estabelecidas pelo presidente eleito, como uma entidade de grau superior ao atual Ministério da Igualdade de Gênero”, disse uma legisladora que desejou permanecer anônima, para o The Korea Herald.

Ela também explicou que diferentes gerações de mulheres e homens têm experiências variadas e se sentem de forma diferente sobre as disparidades de gênero e discriminações, portanto, abordagens mais avançadas são necessárias para lidar com a questão multifacetada.

A Representante Suh Jung-sook disse que ainda há muito a ser feito, e mais esforços são necessários para promover a igualdade de gênero.

Mas é importante irmos juntos, com mulheres e homens”, acrescentou Suh.

Jo Myung-hee disse que há vantagens e desvantagens em manter o ministério, mas não é um problema dicotômico e muitos fatores devem ser considerados. A abolição, no entanto, deve ser realizada porque já foi feita uma promessa, disse ela.

Em uma entrevista de rádio em março, Cho Eun-hee disse que ela acredita que o Ministério da Igualdade de Gênero e Família deve ser reformado e elevado em status para ter um líder no nível de vice-primeiro-ministro.

Embora o Ministério da Igualdade de Gênero tenha muitas funções positivas, foi criticado por criar mais conflito entre os gêneros”, disse Cho em seu Facebook.

Se o ministério permanecer o mesmo, deve ser abolido. Mas livrar-se dele sem uma entidade alternativa seria como deixar de ver a floresta para as árvores.”

‘Ministério da Família do Futuro’

Como o presidente eleito afirma fortemente que vai desmantelar o Ministério da Igualdade de Gênero, que ele considera ter “terminado de cumprir seu propósito na história”, continua sendo uma questão que divide fortemente o público.

Na pesquisa do Southernpost R&C divulgada em 24 de março, 47,8% dos 1.000 entrevistados apoiaram a abolição do ministério, enquanto 47% se opuseram ao plano. A pesquisa foi realizada durante dois dias a partir de 22 de março.

Sobre gênero, 57,9% dos entrevistados disseram concordar com a promessa de Yoon, enquanto 55,6% das mulheres disseram discordar.

Apesar das palavras de Yoon , de que a abolição da igualdade de gênero não significa que ele se importaria menos com os direitos das mulheres como presidente, suas repetidas alegações de que não há mais discriminação de gênero estrutural na Coreia e seu descarte do sistema de cotas de gênero ao selecionar seu gabinete, continuam a suscitar preocupações sobre o enfraquecimento dos direitos das mulheres.

O comitê de transição presidencial, que atualmente está traçando o esboço das políticas e da estrutura do novo governo, disse que sua força-tarefa de “população sustentável” está revisando um plano para estabelecer um novo ministério apelidado de “Ministério da Família do Futuro”, para discutir políticas sobre o futuro, baixa taxa de natalidade e outras agendas demográficas.

O que está sendo discutido na força-tarefa contribuirá muito para trazer uma alternativa quando o Ministério da Igualdade de Gênero for abolido”, disse Choi Ji-hyun, vice-porta-voz sênior do comitê, na sexta-feira.

Ativistas dizem que a perspectiva de Yoon sobre os direitos das mulheres é tendenciosa, que as políticas das mulheres não devem ser equiparadas a incentivar mais nascimentos de crianças.

No “índice teto de vidro” da Economist, que mede o papel e a influência das mulheres na força de trabalho, a Coreia ficou em último lugar entre os países desenvolvidos por vários anos consecutivos.

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