Lee JunSung, um trabalhador de 33 anos que mora sozinho em Seul, passa a maior parte do dia sentado em seu escritório. Ele também come fora frequentemente e bebe com seus clientes várias vezes por semana – o que tem prejudicado constantemente sua condição física.

Procurando aliviar sua indigestão, assim como as ressacas, JunSung começou a tomar um suplemento de probiótico toda manhã após um amigo lhe dizer que esse medicamento ajuda a melhorar a saúde intestinal. “Desde que comecei a tomar os probióticos, ficou mais fácil ir ao banheiro de manhã”, diz. “Eu conheço várias pessoas que começaram a tomar também, pelas mesmas razões.”

JunSung faz parte de um grupo crescente de coreanos, em sua maioria com mais de 30 anos, que estão buscando esses suplementos para melhorar não só seu sistema digestivo, mas também o bem-estar em geral.

A Organização Mundial da Saúde define probióticos como microorganismos vivos que trazem benefícios à saúde quando ingeridos em quantidades adequadas, apesar de isso não significar que todos os produtos que se dizem probióticos seguem essa regra. Pratos fermentados, como iogurte, Kimchi, o Natto japonês e o Chucrute alemão são ricos em ácido lático, um probiótico básico conhecido por ajudar na digestão e estimular o sistema imunológico.

Encorajadas pela procura crescente por formas concentradas dessa “bactéria boa”, várias empresas coreanas como a Cell Biotech, Ildong Pharmaceutical, CJ CheilJedang e Korea Yakult criaram suas próprias marcas de probióticos nos últimos anos, incentivando a expansão do mercado desse produto no país.

De acordo com o Ministro de Segurança Alimentar e Medicamentos, a produção local de probióticos aumentou muito nos últimos anos, saindo de 80,4 bilhões de won (aproximadamente R$235 Milhões) em 2013 para 138,8 billhões de won (aproximadamente R$417 Milhões) em 2014, com uma produção prevista de 200 bilhões de won (aproximadamente R$601 Milhões) em 2015.

Uma das pioneiras no segmento é a Cell Biotech, empresa parte do KOSDAQ (mercado coreano de ações) que se especializa apenas na pesquisa e produção de probióticos. Seus produtos Duolac, hoje em dia, são vendidos não só Coreia, mas em outros 40 países.

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O Duolac pode ser encontrado em cápsulas, comprimidos e líquido, para crianças e adultos e é feito com base em bactérias de alta tolerância ao ácido lático extraídas das fezes de recém-nascidos e comidas fermentadas, como o Kimchi.

Comparados aos outros, nossos lactobacilos são mais fortes, porque eles sobreviveram a comidas fortes como cebola, alho e pimentas usadas em comidas picantes”, conta o porta-voz da Cell Biotech Kang MuSung.

Esses produtos também impulsionaram o patenteamento de tecnologias cujo objetivo é garantir que a bactéria chegue ao intestino sem ser destruída pelo sistema digestivo.

Paralelamente à popularidade crescente do Duolac, as vendas da Cell Biotech subiram 57%, de 31,6 bilhões de won (aprox. R$95 Milhões) em 2013 para 49.5 bilhões de won (aprox. R$148 Milhões) em 2015, mais do que dobrando seus lucros num intervalo de dois anos. “Apesar dos probióticos no momento estarem atrás do ginseng e das vitaminas no segmento de suplementos de dieta, esperamos que esse intervalo comece a diminuir”, completa MuSung.

Enquanto isso, a Ildong Pharmaceutical se propôs a criar seus próprios produtos probióticos, chamados gQlab, lançados em outubro de 2015. Ao contrário de seus concorrentes, a gQlab foi desenvolvida com bactérias extraídas do intestino e do leite materno, o que, segundo a empresa, torna os produtos mais adequados para o consumo dos coreanos.

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A gQlab também possui seu próprio sistema patenteado no qual os lactobacilos são cercados por quatro camadas de proteção para ajudá-los a chegar nos intestinos, além de um sistema de segurança de armazenamento melhorado, diz um farmacêutico coreano.

A maior empresa alimentícia da Coreia, CJ CheilJedang, também entrou na competição, lançando o BYO CJLP133 em dezembro de 2013. O Probiótico foi descoberto e desenvolvido após a seleção de um lactobacilo encontrado no Kimchi que trazia benefícios para a pele.

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Ao contrário da maioria dos probióticos relacionados a problemas de digestão no mercado, o CJLP133 é o primeiro lactobacilo criado no país que provou ser efetivo no tratamento de problemas na pele, incluindo a dermatite atópica (ou eczema)”, conta Lee HyeJin, porta-voz da CJ CheilJedang. O CJLP133 também foi classificado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos em abril como dietético, abrindo caminho para seu lançamento mundial.

No ano passado, a CJ também lançou o CJLP243, um probiótico que auxilia na saúde intestinal. Os dois produtos juntos venderam aproximadamente 30 bilhões de won (aproximadamente R$ 90 Milhões) em 2015, segundo a empresa, que ainda prevê o dobro de vendas para esse ano.

A Korea Yakult, maior empresa de iogurte e produtos com leite fermentado, apresentou sua própria marca de probióticos Bioliv em maio de 2015, prometendo expandir a linha no futuro.
Nós temos vários probióticos prontos para serem comercializados num futuro próximo – um para a saúde da pele, outro para rugas e outro para a redução de gorduras” conta Park WonKyoung, porta-voz da Korea Yakult.

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Com a diversificação contínua de probióticos e de seus benefícios combinada com o crescimento rápido da população envelhecendo na Coreia, a empresa espera que o mercado nacional dos probióticos cresça como tendência global, completou WonKyoung.

De acordo com a Grand View Research, empresa analista do mercado, espera-se que o comércio mundial de probióticos cresça 7,3% por ano e chegue a 52,34 bilhões de dólares (aprox. R$181 trilhões) em 2022.

Nota: O Koreapost não faz ou traduz matérias pagas. O intuito esta matéria especificamente é salientar um aspecto moderno e atual da cultura coreana.


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