O sucesso da Coreia do Sul na luta contra a Covid-19 e o devido reconhecimento internacional pela efetividade de seus esforços no contexto pandêmico levaram muitas pessoas a se perguntar sobre o sistema de saúde sul-coreano. A coluna de hoje busca trazer um panorama geral sobre o tema, a fim de satisfazer o interesse daqueles que se sentiram tão curiosos quanto a autora.

A introdução de uma cobertura nacional de saúde na Coreia do Sul ocorreu em meio à rápida industrialização do país nas décadas finais do século XX. O Sistema Nacional de Saúde (National Health Insurance ou NHI em inglês) foi criado em 1977 e, à época, não alcançava nem um décimo da população.

Em questão de 12 anos, no entanto, o país atingiu a universalização da cobertura, transicionando rapidamente de um modelo de cobertura de saúde privado e voluntário (pré-1977) a uma cobertura universal de saúde exigida pelo governo (1989 em diante).

Atuação da Coreia do Sul no combate ao coronavírus chamou a atenção do mundo | Fonte: Health Systems Global

A formulação do NHI sul-coreano seguiu como modelo o sistema de saúde do Japão e suas principais semelhanças estão na estrutura administrativa do sistema, na decisão sobre quais seriam os beneficiados pela cobertura e na política para mobilização de recursos financeiros para a sustentação do sistema. Do sistema japonês veio então a ideia de estabelecer um sistema de saúde financiado por empregadores e empregados e patrocinado pelo governo (sistema de copagamento).

Na prática, trata-se de um sistema único de saúde com cobertura universal, ou seja, que cobre todos os cidadãos sul-coreanos (podendo também cobrir estrangeiros residentes), mas que não é 100% gratuito. O sistema é sustentado, de um lado, pelo governo e, de outro, por coreanos em idade ativa que trabalham (contribuintes).

Uma taxa de contribuição é subtraída do salário do contribuinte, enquanto seu empregador também arca com um determinado valor. O montante a ser pago é calculado individualmente, de acordo com o salário do indivíduo. Além disso, o contribuinte ainda arca com uma parte (a outra sendo arcada pelo governo) do valor de procedimentos médicos que necessitar, no momento em que necessita-los. Por exemplo, após fazer o agendamento de uma consulta médica, o indivíduo vai ao hospital ou clínica, apresenta o número do seu cartão NHI, passa pela consulta e, na saída, paga um certo valor.

Esquema do funcionamendo do NHI e de sua interação com outros organismos | Fonte: ResearchGate

Procedimentos básicos possuem preços bastante acessíveis para os padrões sul-coreanos. Consultas médicas podem custar algo em torno de três ou quatro mil won (aproximadamente três ou quatro dólares). Quanto mais complexo o procedimento, mais se paga.

Os cidadãos sul-coreanos, portanto, pagam para ter acesso a um sistema de saúde público, do governo. Contudo, isso não é motivo de insatisfação, uma vez que estão habituados a receber tratamentos médicos de alta qualidade, em hospitais muito bem equipados, de forma rápida e eficiente.

O Ministério da Saúde e Bem-Estar sul-coreano é o responsável pela supervisão do NHI, o que inclui a formulação de políticas, a deliberação dos custos dos serviços de saúde e análise da adequação desses custos.

Por fim, vale mencionar que coreanos desempregados também estão cobertos pelo NHI, e que o mesmo concede isenção de copagamento para cidadãos pobres e copagamentos reduzidos para um determinado grupo de doenças, como câncer. Além disso, é interessante pontuar que o sistema de saúde sul-coreano oferece tratamentos tanto da medicina ocidental quanto da medicina tradicional oriental.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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