A relação entre certas culturas asiáticas e cães tem sido alvo de questionamentos e protestos de ativistas ao redor do mundo, especialmente na Coreia do Sul, onde este ano houveram declarações do governo sobre as chamadas fábricas de filhotes ou puppy mills.

Em 28 de Julho de 2016, cães são vistos em gaiolas em uma fábrica de filhotes em Yangpyeong, Coreia do Sul. (AP Photo/Ahn Young-joon)
Em 28 de Julho de 2016, cães são vistos em gaiolas em uma fábrica de filhotes em Yangpyeong, Coreia do Sul. (AP Photo/Ahn Young-joon)

A Coreia do Sul é também conhecida por um hábito bem antigo de consumir carne de cachorro, seja por motivos ancestrais ou por supostos benefícios à saúde. Porém, com o novo século, o relacionamento entre coreanos e cães foi profundamente influenciado pelo pensamento ocidental . Isso resultou em uma indústria milionária e crescente de criação de cães domésticos e produtos relacionados. Conforme a demanda por cães de companhia cresce no país, cresce também o número de infrações e maus-tratos com esses animais.

Filhotes se amontoam nos petshops.
Filhotes se amontoam nos petshops.

Em meados de 2016, o governo sul coreano estabeleceu novas leis para regular e fiscalizar o comércio de animais domésticos. Mas, apesar da declaração do governo, a comunidade internacional e sul coreana demonstrou imenso descontentamento, não apenas com as novas regulamentações, mas com a posição e esforço por parte do governo em colocar as regras vigentes em prática.

Existem alegações de várias entidades tanto coreanas quanto internacionais de que as leis não tenham sido colocadas em prática de modo apropriado. Multas deixadas de lado ou ínfimas, casos e mais casos de maus-tratos e abandono, criadores de cães com dezenas de animas presos em jaulas e forçados a procriar durante todo o ano, cirurgias de cesáreas para retirada de filhotes prematuros – os populares tea-cup puppies e venda de animais tanto em pet shops quanto pela internet – uma lista de reclamações imensa e continua.

Anúncio de filhotes "tea cup" em página da internet. A prática de cesária prematura tem se tornado comum na indústria devido a busca por filhotes mais fofos e menores.
Anúncio de filhotes “tea cup” em página da internet. A prática de cesárea prematura tem se tornado comum na indústria devido a busca por filhotes mais fofos e menores.

O resultado disso é uma enorme pressão sobre criadores de cães em fábricas de filhotes que são atingidos pela queda dos preços dos filhotes e enorme criticismo por parte do público. Basta uma simples procura no Google para sentir o peso dos ativistas e entidades defensoras de animais contra as ações do governo e contra o hábito de consumo de carne e maus-tratos com cães.

Visto a crescente pressão destas associações, o governo expôs uma série de mudanças que inclui a criação de serviços funerários para animais, legalização de “pet cafés”, seguro-saúde para animais e aumento das multas por abandono e maus-tratos tanto para donos como para criadores. Além disso, de acordo com declarações o plano é de triplicar a indústria até 2020, algo que ativistas repudiam devido a expansão em um prazo tão curto, de modo que não haveria margem segura para um desenvolvimento adequado e regulado da indústria.

O impacto das requisições e reclamações de entidades de proteção de animais é tamanha, que gerou mobilizações públicas em outros países como Inglaterra, onde o ministro das relações exteriores afirmou trabalhar junto da Coreia do Sul em busca de melhorias no setor.

Ativistas defensores de animas em frente a Casa do Parlamento Inglês.
Ativistas defensores de animas em frente a Casa do Parlamento Inglês.

A Coreia do Sul passa por um momento de transição muito complicado. O número de consumidores de carne de cachorro diminuiu, apesar de haver cálculos que hajam cerca de 20.000 restaurantes (legais e ilegais) que ofereçam a carne. Os mais jovens repudiam esse hábito e o deixam de lado, conforme o animal passa a ser visto como companheiro. O comércio procura se adaptar à opinião pública e aos clientes, e o governo tenta se aprofundar na área de proteção e cuidados à animais. Porém, essas mudanças devem levar tempo até que sejam abordadas com a mesma seriedade pela opinião pública e o governo. É um assunto que depende da criação e desenvolvimento de uma consciência pública e governamental, de modo a criar prática melhores na indústria pelo bem dos animas de estimação.

Texto Autoral Baseado em Pesquisas


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