Kang Mi-ok recebeu em agosto, 2 milhões de wons (US$1,700) do Condado Cheongyang, na Província Chungcheong do Sul, no centro da Coreia do Sul. O dinheiro faz parte de um esforço para promover o nascimento de seu quarto filho.

Também estão programados, outros 8 milhões de wons em parcelas, até 2020 para ajuda-la a criar o bebê.

Kang Mi-ok segura seu quarto bebê enquanto conversa com o marido em uma café em Cheongyang, a 160 quilômetros ao sul de Seul, em 7 de Janeiro, 2017. (Yonhap)
Kang Mi-ok segura seu quarto bebê enquanto conversa com o marido em um café em Cheongyang, a 160 quilômetros ao sul de Seul (Yonhap)

É uma bonança,” disse Kang Mi-ok enquanto cuida das quatro crianças com o marido em um café em Cheongyang, a 160 quilômetros ao sul de Seul. A jovem dona-de-casa disse que os incentivos financeiros são de grande ajuda à família e seus quatro filhos.

O caso de Kang Mi-ok ilustra os esforços desesperados da Coreia do Sul em elevar a taxa de natalidade – uma das menores do mundo – em uma era em que jovens preferem casar mais tarde devido a dificuldade em encontrar bons empregos em meio a economia estagnada. A taxa de desemprego entre jovens de 15 e 29 anos chegou a 8,4 por cento em dezembro, muito maior do que a taxa média de desemprego de 3,2 por cento, de acordo com dados do governo.

A taxa total de fertilidade da Coreia do Sul – o número médio de filhos que as mulheres têm durante a vida – ficou em 1,24 em 2015, muito abaixo do nível de reposição de 2,1 que iria manter a população de 51 milhões de habitantes estável.

Representantes do governo central e provinciais se reuniram em Busan, 28 de Outubro, 2016, para discutir medidas para elevar a natalidade do país. (Yonhap file photo)
Representantes dos governos central e provinciais se reuniram em Busan, 28 de Outubro de 2016, para discutir medidas para elevar a natalidade do país. (Yonhap file photo)

O presidente interino Hwang Kyo-ahn chamou funcionários do governo para abordar as questões que tornam os jovens relutantes em casar e ter filhos, enfatizando que a Coreia do Sul vem falhando em sair da zona de perigo de baixa natalidade por mais de 15 anos.

A baixa natalidade impulsionou o governo central e regionais a elaborarem incentivos financeiros e outras medidas para tentar encorajar os jovens a terem mais filhos.

Lee Suk-hwa, prefeito do Condado Cheongyang, disse que seu condado começou no ano passado a distribuir 10 milhões de wons para pais que desejem ter um quarto filho como parte dos esforços para encorajar jovens a terem mais filhos em áreas rurais. Ele também disse que a região criou um fundo de 20 milhões de wons para oferecer bolsas de estudo para estudantes universitários de Cheongyang.

Nossa política tem surtido efeitos, apesar das mudanças não serem muito visíveis a curto prazo,” disse Lee Suk-hwa, e adicionou que levará cerca de 3 anos antes que a política de promoção de nascimentos mostre mudanças demográficas significativas.

Algumas estruturas foram colocadas próximas a um centro comunitário em Cheongyang. Um aviso, circulado de vermelho, diz "crescimento populacional" e "Vila rural rica", 7 de Janeiro, 2017. (Yonhap)
Algumas estruturas foram colocadas próximas a um centro comunitário em Cheongyang. Um aviso, circulado de vermelho, diz “crescimento populacional” e “Vila Rural Rica”, 7 de Janeiro, 2017. (Yonhap)

Kim Man-soo, prefeito de Bucheon, uma cidade próxima de Seul, disse que a cidade está avaliando a possibilidade de oferecer, entre outras coisas, 10 milhões de wons para pais que tenham um quarto filho para aumentar a taxa de nascimento da cidade – a menor da Província de Gyeonggi que contorna Seul. No passado, Bucheon chegou a oferecer apenas 500,00 wons para pais que tivessem um terceiro filho.

O movimento representa uma mudança das políticas da Coreia do Sul em relação ao crescimento populacional no último século.

A Coreia do Sul adotou uma política de controle populacional em 1960 para frear o rápido crescimento na época, quando o país estava reconstruindo sua economia das cinzas após a Guerra da Coreia (1950 -1953). Na época, o governo despachava representantes para cada casa em zonas rurais para ensinar sobre planejamento familiar. Também promovia serviços de vasectomia para forças militares reservistas de graça.

Mais de 651.000 homens passaram pelo procedimento cirúrgico de esterilização entre 1962 e 1983, de acordo com dados do governo.

Ativistas civis fizeram uma manifestação em Busan, em 27 de Outubro, 2016, para promover uma campanha nacional para superar a baixa natalidade. (Yonhap file photo)
Ativistas civis fizeram uma manifestação em Busan, em 27 de Outubro de 2016, para promover uma campanha nacional para superar a baixa natalidade. (Yonhap file photo)

Slogans do governo avisavam que as pessoas poderiam “se tornar criminosos se nascessem mais crianças” sem planejamento familiar. O governo encorajava pessoas a terem apenas um filho com slogans como “Um segundo filho já é demais” e “A explosão populacional é tão assustadora quanto uma explosão nuclear”.

A política agressiva de controle populacional baixou o índice de fertilidade do país de 6,0 em 1960 para 2,06 em 1983. O recorde da redução foi de 1,08 em 2005, uma transição demográfica radical que serviu de aviso para a Coreia do Sul sobre os rumos de sua política populacional. Desde então, o país tem tido sérios problemas em reverter o grau de declínio demográfico.

]Os slogans do governo sofreram uma drástica mudança, de avisos assustadores à esperança. Um dos slogans publicados em 2005 diz “um bebê é uma bênção para a família e uma esperança para o futuro”. O governo gastou mais de 101,6 trilhões de wons entre 2006 a 2016 para encorajar pessoas a terem mais bebês, apesar de não ter sido o suficiente para aumentar os nascimentos. O governo disse que está planejado injetar mais de 22,4 trilhões de wons ainda este ano para ajudar com o índice de natalidade.

É certo dizer que os incentivos financeiros são parte dos esforços da Coreia do Sul em aumentar a baixa taxa de natalidade, disse Kye Bong-oh, professor de sociologia da Universidade Kookmin e membro da Associação Populacional da Coreia.

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Ainda assim, ele disse que ainda resta ver o quão efetivas serão as políticas de promoção de natalidade da Coreia do Sul.

Kang Mi-ok expressou que está feliz com os 10 milhões de wons que o condado oferece para incentivar a natalidade.

A visão de Kang Mi-ok foi ecoada por Lee Su-min que deve receber 47 milhões de wons do condado leste de Changyeong e do governo federal nos próximos cinco anos para seu quarto bebê. “Incentivos financeiros são para ajudar minha família, já que meu marido é o único que está empregado,” afirmou Lee Su-min em telefonema de Changyeong.

A ilha de Wando, ao sul da Coreia do Sul, também oferece 5 milhões de wons em uma única retirada e outros 15 milhões de wons em parcelas por três anos para aqueles que tiverem um quinto bebê. Até agora, existe apenas um recebedor, mas ele se recusou a dar entrevistas por motivos de privacidade.

Mesmo assim, há aqueles que não aprovam as medidas. Uma pesquisa recente com 1000 solteiros descobriu que 22,5 por cento das mulheres solteiras afirmaram que não teriam filhos após o casamento, de acordo com a empresa de “matchmaking” Duo, sediada em Seul. Mais de um quarto dos entrevistados disseram que as dificuldades em encontrar equilíbrio entre trabalho e família são as questões chave para o baixo índice de nascimentos.

O Statistics Korea informou que pessoas acima de 65 anos poderão somar 12,9 milhões, ou 24,5 por cento da população até 2030.

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Especialistas expressaram preocupação que o envelhecimento da população, junto da baixa natalidade, sejam grandes perigos para a quarta maior economia asiática, já que poderia levar à redução da força de trabalho e aumentar os gastos com saúde e bem-estar.

A Fitch Rating Inc. citou o envelhecimento populacional da Coreia do Sul como um dos maiores riscos enfrentados pelo país, informou o governador do Banco da Coreia, Lee Ju-yeol em agosto, após uma reunião com a delegação da agência internacional de classificação de crédito.

Lee Ju-yeol também informou que o governo deve procurar aplicar uma política eficaz de modo consistente para atacar a baixa natalidade, notando que o envelhecimento da população é uma questão mais complicada do que o crescimento do débito familiar e o aumento dos juros nos EUA.

As mães que já recebem o benefício, engrossam o coro dos simpatizantes às medidas.Incentivos financeiros, se expandidos para todo o país, poderiam ajudar a elevar a taxa de natalidade da Coreia do Sul”. disse Kang Mi-ok.


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