O dia 16 de Abril de 2014 é uma data que a Coreia do Sul gostaria que pudesse ser apagada de seu calendário, pois este é um dia muito triste para todos os coreanos. O naufrágio da balsa MV Sewol ocorreu na manhã deste dia, na rota de Incheon para a ilha de Jeju e foi o maior desastre marítimo na Coreia do Sul desde 14 de Dezembro de 1970, quando o naufrágio do navio Namyoung matou 326 das 338 pessoas a bordo.

A embarcação transportava cerca de 459 pessoas – 325 alunos e 15 professores da Escola Secundária Danwon em Ansan, localidade próxima de Seul, mais 30 tripulantes, 89 passageiros comuns e 150 veículos. Ao todo, 304 pessoas, entre passageiros e tripulantes morreram no acidente. Dos cerca de 172 sobreviventes, mais da metade foi resgatada por barcos de pesca e outras embarcações comerciais que chegaram ao local cerca de 40 minutos após o pedido de socorro.

A Balsa Sweol
A Balsa Sweol

O Sewol era uma balsa de 6.825 toneladas, 146 metros de comprimento e 22 metros de largura, construída no Japão em 1994 pela empresa Hayashikane Dockyard Co e tinha capacidade para 921 passageiros, 35 tripulantes, 180 veículos e containers de 20 pés (6,10 metros).

A Rota da Sewol
A Rota da Sewol

A Guarda Costeira da Coreia do Sul, determinou como possível causa do acidente, a mudança súbita de direção e o deslocamento da carga para um dos lados da balsa. Contudo, a falta de preparo e algumas decisões erradas, tomadas pelos tripulantes, e principalmente pelo Capitão da embarcação, também são apontadas como fatores determinantes. Quando a Sewol começou a afundar, o sistema de intercomunicação da balsa recomendou aos passageiros que permanecessem em seus lugares alegando que poderia ser perigoso movimentar-se. Mesmo quando a água começou a inundar os compartimentos de passageiros a instrução permanecia a mesma, o que custou a vida de muitas pessoas, principalmente de estudantes, que cumpriram a instrução à risca.

O capitão da balsa, Lee Jun-Seok foi preso e condenado por negligência do dever, violação da lei marítima e outras infracções. O capitão abandonou o navio com os passageiros ainda a bordo da balsa, quando a lei sul-coreana exige explicitamente que os capitães permaneçam no navio durante um acidente. Alguns outros membros da tripulação também foram presos e alguns condenados. Contudo, os sobreviventes informaram que outros três membros da tripulação, Park Ji-young, Jeong Hyun-seon e Kim Ki-Woong, que morreram no acidente, fizeram de tudo para salvar o maior número de pessoas possível.

Ainda em Abril do mesmo ano, o vice-diretor Escola Secundária Danwon, Kang Min-kyu, de 52 anos, que fora o idealizador da excursão dos estudantes para a Ilha de Jeju e que foi resgatado do naufrágio, cometeu suicídio, deixando um bilhete que dizia “ter sobrevivido quando 200 vidas foram ceifadas, é muito doloroso. Eu assumo total responsabilidade”. A nota terminava com um pedido para que seu corpo fosse cremado e as cinzas espalhadas sobre o local do acidente. “eu posso ser um professor no céu para aquelas crianças cujos corpos não foram encontrados“, completou ele.

A Fita Amarela, símbolo do luto por Sewol
A Fita Amarela, símbolo do luto por Sewol

No mesmo mês um internauta fez um post no “KakaoTalk”, principal mídia social da Coreia do Sul, encorajando as pessoas à usarem uma fita amarela em memória das vítimas da Sewol. A imagem que acompanhava o post tinha uma legenda que dizia: “Um pequeno gesto, grandes milagres“. Desde então, a fita amarela ganhou o significado de simbolizar o luto pela tragédia.

Em 17 de Abril de 2015, um dia depois do primeiro aniversário do naufrágio, 4.475 pessoas fizeram uma vigília com velas eletrônicas no formato da balsa Sewol em Seul Plaza naquele que ficou conhecido como o “desafio mais triste do mundo” – As pessoas tentaram quebrar o recorde mundial da maior vigília à luz de velas.

O desafio mais triste do mundo
O desafio mais triste do mundo
Este ano, pela primeira vez no Brasil, a Comunidade Coreana realizará um evento em memória das vítimas da Sewol, neste sábado, dia 16, no Bom Retiro, que se iniciará com uma missa às 7 horas da manhã, na Igreja Católica São Degun e continuará às 11 horas no restaurante Jonga, na Rua Prates, 615.

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