O diretor Choi Jin-Seong soube, de forma tardia, sobre os crimes da “Nth room” (“Enésima Sala” em português) que deixou a Coreia em choque no início de 2020, pois se tratava de uma nova forma de crime, cujo o tipo ele nunca havia ouvido falar.

Os criminosos usavam técnicas de hackers para obter informações privadas, chantageavam mulheres jovens e menores de idade para enviar imagens e vídeos de exploração sexual e negociavam esse conteúdo com milhares de usuários por meio de criptomoedas através do serviço de mensagens criptografadas Telegram.

O mais chocante é que esses criminosos sádicos e pervertidos eram majoritariamente homens jovens, na casa dos 20 anos ou adolescentes. Depois de algumas pesquisas e entrevistas com o “Team Flame” (alunos universitários que divulgaram a história pela primeira vez), com jornalistas e policiais, Choi percebeu que os crimes eram mais horrendos e sistemáticos do que ele imaginava. Então decidiu fazer um documentário sobre eles.

O alarmante documentário “Cyber Hell: Exposing an Internet Horror”, apresenta aos espectadores um relato não filtrado de como os operadores de salas de bate-papo on-line coagiram mulheres, incluindo meninas menores de idade, a fazer e enviar vídeos pornográficos e degradantes.

Novo documentário da Netflix 'Cyber Hell' aborda os crimes da 'Nth Room'
Diretor Choi Jin-Seong. Foto: YTN

“Fiquei surpreso com a forma como a tecnologia facilita crimes hediondos. Quanto mais eu investigava, mais acreditava que era uma história importante que precisava ser contada. Tentamos abordá-la do ponto de vista jornalístico, então entrevistamos membros do Team Flame e jornalistas investigativos que estavam comprometidos em expor os crimes sexuais digitais”, disse Choi em uma recente entrevista divulgada pela Netflix.

O documentário detalha a busca por dois dos autores do esquema que usaram os pseudônimos “Baksa” e “GodGod”. Os homens, que exploraram dezenas de mulheres e compartilharam as imagens com clientes pagantes, se referiam às vítimas como “escravas”.

O diretor disse que era importante para ele definir o protagonista do documentário. Ele evitou usar imagens que identificavam as vítimas para protegê-las. Fotos e vídeos foram reencenados e as mensagens e locais foram alterados.

“Não entrei em contato com as vítimas enquanto desenvolvia a história, porque temia que isso pudesse ser visto como uma nova vitimização”, disse ele.

“Então, em vez disso, me concentrei em jornalistas que investigaram o escândalo, se reuniram com as vítimas e entrevistaram os criminosos. Outra figura central deste filme são os corajosos jornalistas que rastrearam criminosos, como no filme ‘Spotlight'”, disse Choi.

Assim como o filme “Searching”, o documentário é contado por meio de telas – emolduradas por bate-papos no Twitter e no Telegram. “Eu queria que as pessoas entendessem que este é um novo tipo de crime que surgiu de acordo com o avanço da tecnologia. Eu também queria que fosse mais cinematográfico.”, afirma o diretor.

Choi compartilhou a mensagem central do documentário, dizendo: “Há uma mensagem que eu queria destacar neste documentário: não importa o quanto eles tentem se safar de seus crimes e não serem pegos, os criminosos serão presos eventualmente”.

“Cyber Hell” está disponível na Netflix.

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