Os gastos médicos de famílias sul coreanas sofreram um aumento maior do que o salarial em 10 anos, uma tendência que deverá acelerar conforme a população do país envelhece rapidamente.

De acordo com estatísticas da Statistics Korea no dia 4 de setembro, a média mensal salarial das famílias foi de 4.306.412 wons (R$ 13.000) no segundo bimestre de 2016, um aumento de cerca de 45,2% por cento dos 2.965.551 wons (R$ 10.150) do mesmo período de 2006. Enquanto isso, os gastos com saúde aumentaram muito mais do que o crescimento salarial, sendo que cada família gastou em média 174.962 wons (R$ 609) em saúde no segundo bimestre de 2016, ou seja, 50,1% a mais do que o mesmo período de 2006.

Especialistas afirmam que o aumento dos gastos com saúde é um resultado inevitável do envelhecimento da população.

Em 2005, uma família de classe média gastava cerca de 4,7 % de seu poder de consumo em saúde. Em 2015, os gastos ocuparam 5,2% do total de consumo da família, segundo pesquisas.

Essa tendência irá apenas acelerar no futuro, já que a Coreia do Sul é o país que mais envelhece entre os 35 países-membros da Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento e o peso do problema irá sobrecair nas pessoas, se não for resolvido” disse o economista Dae-In Sun, que lidera o instituto de pesquisa econômica, para o The Korea Herald.

Muitos economistas apontaram que o país iria passar por uma “queda de consumo”, um fenômeno no qual as pessoas evitam gastar dinheiro devido a receios sobre um futuro incerto, parcialmente devido ao envelhecimento da população. Porém, a única exceção são os gastos com cuidados da saúde, afirmou Dae-In.

Estima-se que a Coreia do Sul irá passar por uma ‘queda de consumo’ até 2030 em quase todos os setores, mas a única exceção são os gastos com saúde já que é inevitável gastar dinheiro com cuidados médicos quando a população envelhece” disse Dae-In.

Enquanto os custos com cuidados médicos é inevitável, o impacto parece atingir mais as famílias de baixa renda do que famílias de média e alta renda. Em 2015, uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Hyundai demonstrou que os grupos de alta e média renda passaram por um leve aumento na proporção dos gastos médicos em relação aos gastos totais e a proporção destes gastos em famílias de baixa renda, que chegam a ser cerca de 15% da população total, aumentou de 6,5% em 1990 para 10,5% em 2013.

Enquanto isso, o governo sul coreano recebeu criticismos pela falta de medidas realmente afetivas para o problema demográfico.

Ju-Yeol Lee, presidente do Banco da Coreia, mencionou que o governo não ofereceu medidas suficientes durante uma reunião em 29 de Agosto. “O país começará a ver sua população economicamente ativa reduzir no próximo ano dentro de uma sociedade que envelhece, o que pede medidas diversas e imediatas” disse Ju-Yeol.

Ju-Yeol também apontou que existe uma falta de políticas, afirmando que “quase não há preparação”. A melhor solução seria aumentar os gastos em qualidade de vida, mas o governo parece ser contra qualquer forma de “qualidade de vida”.

A partir de 2015, um total de 13,1% da população do país terá 65 anos ou mais, comparado com os 9,1% de 2005, de acordo com Statistics Korea. A Coreia do Sul é o país que mais envelhece e possui uma das taxas de natalidade mais baixas. Além disso, é esperado que entre no estágio de “super-velho” em 2026, no qual mais de 20 por cento da população tem 65 anos ou mais.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.