No início de Round 6, o personagem principal, Seong Gi-hoon, é perseguido por agiotas e abre mão de sua “integridade física” como garantia de suas dívidas, assinando o termo de consentimento com seu próprio sangue.

Ao longo da série, competidores mortos são levados para um necrotério, onde seus órgãos são removidos por um médico inescrupuloso.

O Tráfico de órgãos existe na Coreia, como mostrado em Round 6?
Retirada de órgãos na série Round 6. Fonte: Korea Expose.

O Tráfico de órgãos é um tema comum em filmes e séries coreanas. No início desse ano, a série Taxi Driver mostrou o tráfico de órgãos como um elemento central. Round 6, faz referência ao comércio de órgãos ao ressaltar os corpos humanos como mercadorias da Coreia capitalista.

Isso levanta a questão: órgãos humanos podem ser comercializados na Coreia?

A resposta é não. Sob nenhuma circunstância a Lei de Transplantes de Órgãos permite a venda de órgãos.

Há apenas duas situações legais em que os órgãos podem ser transplantados entre seres humanos: uma pessoa que tem morte cerebral e a família concorde em doar seus órgãos, ou no caso de alguém que decide conscientemente doar para um membro da família. Em relação a isso, a Coreia não é diferente de outros países desenvolvidos.

O Ministério da Saúde tem um site que informa sobre a venda ilegal de órgãos, explicando que o problema, de fato, existe. Entre 2012 e 2013, houve aumento de casos, de 13 para 31 casos, respectivamente.

Em 2015, a polícia prendeu um cartel que pretendia lucrar com o comércio de órgãos. Eles estavam vendendo um fígado por W200 milhões ($169.000) e um rim por aproximadamente W100 milhões ($84.500).

No período entre 2015 e 2020, o governo coreano fechou cerca de 1.300 sites que facilitavam o comércio de órgãos, de acordo com a Comissão de Comunicação da Coreia.

Em 2019, um político de oposição apresentou uma lei que punia coreanos que recebessem órgãos extraídos no exterior, sem consentimento.

Naquele ano, uma pessoa foi sentenciada a cumprir 18 meses de prisão por tentativa de tráfico de pessoas, com a intenção de extrair seus órgãos. Ele tinha postado mais de 120 vezes nas redes sociais, que ele queria vender órgãos de duas famílias, porque elas lhe deviam dinheiro.

Muitos coreanos admitem ter visto em banheiros públicos, anúncios como “Compro rim/fígado“. Atualmente, é mais provável que ofertas de compra e venda de órgãos humanos sejam anunciadas pelas redes sociais

O Tráfico de órgãos existe na Coreia, como mostrado em Round 6?
Adesivos anunciado compra de órgãos em banheiros públicos. Fonte: Korea Exposé

Tudo isso sugere que seja possível burlar a lei. Por causa da oferta e demanda de órgãos, a taxa de doação de órgãos na Coreia é muito baixa, se comparado com países desenvolvidos.

Assim como em Round 6, tem que haver um médico corrompido que facilite o processo, forjando certificados de morte cerebral. Mas ao contrário da série, poucos coreanos perdem seus órgãos por causa de dívidas ou jogo. Documentos judiciais mostram que, são poucos os casos em que ocorre ameaça de roubo de órgão das vítimas.

Um termo coreano para o comércio de órgão é 통나무 장사, que significa “negócio de madeira“. Esse termo traz a ideia de que, assim como uma árvore pode ser cortada em partes e vendida como produtos, um corpo humano pode ser vendida como mercadoria.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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